Alerto a todos que este artigo não tem como objectivo abordar toda a questão da gestão de cor, pretende apenas focar alguns aspectos básicos e introdutórios para ajudar aqueles que se começam agora a interessar por esta temática.
Aconselho aqueles que desejam aprofundar conhecimentos nesta área a participarem nos nossos workshops de gestão de cor, ministrados por profissionais da área, ou a consultarem a nossa grande Wikipedia.
Nem sempre a cor é um das nossas maiores preocupações enquanto fotógrafos, costumamos contentar-nos com o "aproximado", mas por vezes, surgem trabalhos um pouco mais exigentes e é importante sabermos que preocupações ter para garantirmos que o nosso workflow preserva uma restituição cromática acertada.
O que é isto da restituição cromática e em que situações pode revelar-se importante?
Uma imagem com uma boa restituição cromática é uma imagem em que todas as cores foram reproduzidas fielmente da realidade. Em que podemos olhar para o objecto real e compara-lo com a imagem reproduzida e encontrar uma exactidão nas cores reproduzidas.
É importante termos uma boa restituição cromática em situações em que o trabalho fotográfico tem como objectivo a reprodução dos elementos fotografados fidedignamente, por exemplo, em moda, catalogação, fotografia de produto, fotografia de arquitectura, etc.
O que é isto da Cor?
Para percepcionarmos a Cor dos objectos é essencial que tenhamos uma fonte de luz que emita radiações electromagnéticas dentro do espectro de Luz Visível . A Cor dos objectos é definida pela capacidade da superfície dos mesmos reflectir determinados comprimentos de onda que são percepcionados pelos nossos olhos como uma cor específica. Enquanto fotógrafos, registamos com a nossa câmara fotográfica diferentes assuntos com diferentes cores e é do nosso interesse que essas cores sejam reproduzidas com a maior exactidão possível.
Precisamos então de entender as limitações e características dos equipamentos que utilizamos para procedermos a esta reprodução.
WorkFlow de Cor - Passo a Passo
Os diferentes espaços de Cor
Enquanto fotógrafos vamos utilizar uma série de ferramentas para fazer um registo dos elementos fotografados e é importante entendermos que por vezes as ferramentas que utilizamos têm algumas limitações que devem ser levadas em conta.
Já sabemos que nem sempre a nossa câmara fotográfica consegue registar todas as luminosidades que percepcionamos e que para atingirmos os nossos objectivos de captação temos de recorrer a artifícios para conseguir registar toda a informação desejada ( luz artificial, longas exposições, múltiplas exposições, etc).
O mesmo acontece com a Cor. Infelizmente a nossa câmara fotográfica, o nosso monitor e a nossa impressora não conseguem reproduzir todas as cores que visualizamos a olho nú. Devemos portanto trabalhar conscientes destas limitações e orientar o nosso workflow para garantir dois aspectos chave:
1º Que as cores que são passíveis de ser reproduzidas no nosso output final, são reproduzidas com a maior exactidão,
2º Que ao longo do nosso workflow trabalhamos com uma consciência exacta do resultado final em termos de Cor e Limitação.
Na Captação da Imagem
RAW
- A escolha da Fonte de Luz e calibração dos brancos
Se, como indiquei acima, a cor é a capacidade dos objectos reflectirem determinados comprimentos de onda, é do nosso interesse que essa capacidade seja exercida em pleno. Se optarmos por uma fonte de luz que não emita um espectro alargado de comprimentos de onda, estamos a privar determinadas cores de serem visíveis.
Uma fonte de luz com um espectro cromático equilibrado, normalmente é interpretada pelo nosso olho como uma luz branca. Caso existam predominância ou falta de determinados comprimentos de onda, a luz assumirá outras tonalidades.
A tonalidade das fontes de luz é normalmente classificada utilizando como referência a Temperatura de Cor.

in http://www.freestylephoto.biz/
Como descrito no gráfico acima, uma fonte de luz equilibrada, será uma fonte de luz com uma temperatura de cor próxima dos 5600ºK.
É importante termos consciência que caso não tenhamos uma fonte de luz equilibrada, nos será complicado reproduzir determinadas cores. E que, nem sempre conseguimos que a nossa fonte de luz tenha exactamente 5600ºK. Uma forma de ajustarmos a nossa imagem de forma a garantirmos uma boa restituição cromática é fazermos um Balanceamento de Brancos (White Balance), que normalmente passa por fotografar uma superfície neutra ( uma superfície com a capacidade de reflectir todos os comprimentos de onda do espectro de luz visível, ou seja, branca/cinza) e recorrer ao software da nossa câmara fotográfica para fazer as devidas correcções.
É essencial que sempre que alteramos a nossa iluminação façamos um balanceamento de brancos na nossa câmara. Infelizmente, os nossos olhos não são isentos na percepção de cor. Vemos a Cor e a Luz sempre de forma relativa (por comparação) e por vezes predominâncias de determinados comprimentos de onda são ignoradas pelos nossos olhos. A nossa câmara precisa de um ajuste mais exacto.
Recomendações:
http://www.studiolig...-cinzentos.html
http://www.studiolig...r-passport.html
- Calibração da Máquina Fotográfica, fazer perfil ICC
Os ficheiros RAW não possuem um espaço de Cor associado, normalmente o software assume que estamos a trabalhar com um espaço de cor alargado e recorre a automatismos para fazer o primeiro ajuste de Cor. As aplicações de conversão de RAW permitem ao fotógrafo ajustar a Cor de uma forma mais exacta, mas o ajuste é normalmente feito “a gosto”.
Uma forma de garantir que este ajuste de cor é exacto é recorrendo a ferramentas que nos permitam caracterizar o espaço de cor que a máquina capta e utilizar essa informação de forma a garantir uma boa restituição cromática.
Consultar o Guia de Utilização do ColorChecker Passport.
- Na Pós-Produção e na Preparação para a Impressão
Quando começamos a trabalhar a nossa imagem no computador, é importante que tenhamos a confirmação de que o monitor está devidamente calibrado. Devemos sempre considerar que o monitor é uma ferramenta externa ao nosso computador (uma interface) que necessita de estar calibrada para nos mostrar exactamente a informação de cor das imagens que estamos a trabalhar. Se o nosso monitor não estiver calibrado podemos estar a fazer ajustes de Cor que não correspondem ao que estamos a visualizar.
Os sistemas de calibração de monitores normalmente são compostos por um colorímetro e um software. O Software envia uma série de sinais de cor para o monitor e o colorímetro regista a forma como os sinais de cor são reproduzidos pelo monitor. Após a interpretação dos sinais registados pelo colorímetro são definidas as incoerências na reprodução dos sinais. Dependendo do tipo de software e da tecnologia do monitor, ou o software cria uma matriz de correcção (por exemplo, um perfil ICC) para os valores antes destes serem enviados para o monitor ou dá instruções para alterar as configurações no monitor.
Esta calibração permite ao monitor reproduzir de uma forma fidedigna as cores que estão dentro do espaço de cor que consegue reproduzir.
Após a calibração do monitor, devemos trabalhar as nossas imagens com consciência das limitações e capacidades do output, por isso, é importante fazermos uma caracterização do espaço de cor que o output tem capacidade de reproduzir ( Perfil ICC).
Podemos recorrer a perfis ICC genéricos (sRGB, adobeRGB) quando não sabemos exactamente qual o nosso output, podemos recorrer aos sites dos fabricantes das impressoras e/ou do papel e utilizar os perfis indicados ou podemos ainda criar o perfil com base em impressões de teste e em equipamentos de calibração específicos para a função.
Ao assumirmos este perfil no Proofing de Cor do Software de Edição estamos a confirmar quais as cores que vamos conseguir reproduzir no nosso output final.
Espero ter facultado alguma informação útil,
Sofia Santos
www.studiolightworld.com
Fontes,
www.wikipedia.org





