Pois é, pois é. Por inferência as pessoas que participaram na realização e produção deste filme não devem de gostar de cinema e fotografia?
As pessoas que participaram no filme, no sentido lato de equipa e produção, estavam a ganhar a vida, como em qualquer outra produção. Não sei se já reparou mas, hoje em dia, a esmagadora maioria da produção Americana é um negócio.
No sentido mais restricto dos criadores (argumentista, realizador, cinematógrafo, aderecista, etc...) criariam o trabalho independentemente do equipamento usado para registo de imagens.
A razão pela qual este equipamento foi escolhido em detrimento de outro mais adequado para o fim a alcançar, já a expliquei.
Prende-se exclusivamente com a estratégia de marketing do fabricante do telemóvel, associada ao desejo do realizador em almofadar a conta bancária. enquanto tenta passar a ideia de ser "iconocolasta"....tipo, dois-em-um.
(...Já agora, a atender às "reviews", o trabalho saiu bastante fraquinho, enquanto filme. A parte que deverá à disconexão sentida pelos espectadores, mesmo que inconscientemente, por estarem a ser privados das referências normais de imagem em cinema ficará por ser avaliada. Poderá ser "0" como poderá ser significativa.)
Desculpa a minha frontalidade, mas dizes cada barbaridade. Uma pessoa com a tua experiência e conhecimento sobre esta arte representativa não esperava a postura que ultimamente tens tomado em matérias múltiplas.
Não tem que pedir desculpa e, em troca de ideias, a "frontalidade" deve ser um dado adquirido.
...Não tenho "postura". Tenho opiniões sobre situações concretas. Valem o que valem. Como em outras coisas na vida, a nossa opinião remete para a credibilidade geral, enquanto interlocutores.
A minha partilha do vídeo não se prende com o adequado ou não. Nem creio que tenha sido esse o objectivo do grupo de trabalho que fez o filme. Certamente o realizador tinha uma abordagem plástica em função de uma visão estética sobre a história que queria contar. Que pode ser em função do equipamento escolhido ou que o equipamento escolhido é função da visão plástica. Em termos teóricos é apenas isso que se observa, não são "pixéis" ou "gamas dinâmicas".
Se a "visão estética" foi mal servir a imagem em termos técnicos, conseguiu alcançá-la.
Do ponto de vista do criador todas as opções são válidas, obviamente. Um surrealista executa um trabalho com uma bic sobre um guardanapo de restaurante e é, de facto, uma obra, um objecto de criação...mas tal prende-se com os código desse movimento específico.
Por norma, um artista tenta usar a ferramenta mais apropriada para o trabalho que quer fazer, o que quer criar.
Se o Citizen Kane tivesse sido filmado em 8mm em vez dos 35mm em que foi, encorparia a mesma genialidade narrativa global? Talvez...mas, em qualquer caso, o Soderbergh não é nem nunca será um Orson Welles.
No contexto em discussão esta partilha apenas constata que a tal tridimensionalidade em termos plásticos na minha opinião pouco tem a haver com o tamanho do sensor mas sim com a composição e a luz incidente. Isto para não falar dos aspectos plásticos assumidos pelo criador.
É um facto que o tipo de luz, a sua natureza, características e intensidade são condição primeira para a "tridimensionalidade" de que fala.
Mas, cumprindo-se essa primeira condição, a "tridimensionalidade" é essencialmente uma função do micro-contraste.
Nesse sentido, pode ser obtida com qualquer sensor, desde que (1) a óptica utilizada resolva bem esse micro-contraste. (2) o sensor não destrua o micro-contraste por força das limitações da Física.
A razão pela qual um telemóvel é péssima opção para obter "tridimensionalidade" é porque as ópticas que os integram não cumprem (1) e a Física não pode ser contornada no que respeita à relação tamanho do sensor/ruído para efeitos de (2).
Em particular sobre este tema, entendo apenas que um sensor maior dá uma banda funcional tanto em edição como no momento de disparo muito maior. Não é necessariamente mais fácil, para coisas "simples" até pode complicar. Isto é abre as portas para "novas" oportunidades plásticas que com uma máquina deste tipo não chega lá. Mas como menos "oportunidades" faz-se também trabalhos muito, muito bons. Até porque em cada oportunidade há um número infinito potenciais coisas boas a excelentes.
Apenas isso.
O "trabalho muito bom" em Arte, é o conceito.
A ferramenta utilizada apenas serve para veicular esse conceito. Pode fazer sentido - e muitas vezes faz - do ponto de vista subjectivo do criador usar uma ferramenta menos poderosa, com menos capacidades e é obrigação do observador aceitar essa opção.
Esta "verdade" no entanto, não deve ser objecto de sublimação em "bem pensar" que pretenda tornar como objectiva a ideia de que uma ferramenta mais capaz o deixa de o ser porque um artista específico optou por outra solução.
...o "clip " de promoção do filme mostra à naúsea a limitação técnica da opção (...isto apesar, como referi, do "acolchoamento" de produção que não deixou, com certeza, de existir...) pelo que se torna ainda mais estranho insistir que um sensor de telemóvel equivale em capacidades a ferramentas dedicadas para cinematografia.
Um abraço frontal. 
FK
Editado por FotoKhan, 17 Julho 2019 - 12:27 .