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EOS R + RF 50 + RF 24-105. A minha experiência.


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3 respostas a este tópico

IT Partilhar Post #1 FotoKhan

FotoKhan

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  • Registo: 30/01/2013
  • Posts: 1434

Publicado 16 Janeiro 2019 - 12:55

Tal como prometido, a Canon Portugal disponibilizou-me uma EOS R para um período mais alargado de testes, agora que as actividades promocionais junto dos retalhistas finalmente abrandaram.

 

Foram, ainda, simpáticos ao ponto de disponibilizar também uma RF 24-105 f/4 e uma RF 50 f/1.2, uma objectiva que queria mesmo experimentar.

 

O Natal estava à porta e pareceu-me que a Vila de Natal que fazem anualmente perto de mim seria o local ideal para levar este “combo” a dar uma volta.

Também estava incluído o adaptador EF/RF, pelo que pude também testar as minhas 35 f/1.4, 135 f/2 e 70-200 f/2.8 II com a EOS R.

 

Vou tentar não repetir o que já foi dito em múltiplas “reviews”, tentando antes relatar como “senti” a câmara, quando adaptada ao meu estilo de fotografia e fluxo de trabalho.

 

De notar que o que me serve a mim pode não servir outros e, principalmente, que, não utilizando câmaras de outras marcas, tenho uma dupla relação com este tipo de avaliações.

 

Por um lado, consigo normalmente tirar das câmaras tudo o que elas têm para oferecer, função de minha familiaridade com as especificidades das Canon e de um fluxo de trabalho orientado anos a fio para potenciar esses requisitos específicos (... recentemente cheguei à conclusão de que, apesar das câmaras Canon terem limitações objectivas, como qualquer outro produto, a falta desta familiaridade é um factor recorrente em muitas avaliações negativas de produtos desta marca ...).

 

Contudo e por outro lado, não estarei na melhor das posições para avaliar quão vantajosos serão alguns recursos suplementares oferecidos por outras marcas (i.e, Eye-focus, C-AF ou IBIS) no que concerne um possível aumentar da eficiência de que já gozo, ao utilizar o que utilizo.

 

A título de exemplo, embora ao usar a minha 135 f/2.0 pudesse facilmente sentir que o IBIS seria certamente uma funcionalidade bem-vinda, continuei bem mais impressionado com a qualidade ótica daquela objectiva, enquanto como “lida” pela EOS R, do que fiquei com qualquer tipo de angústia pela falta daquela característica, em particular.

 

No geral, gostei muito da EOS R e achei que é certamente uma boa proposta para a maioria das tarefas fotográficas.

 

Pontos positivos:

 

A tão maldita barra selectora M-Fn foi-me bastante útil, quer quando o mapeei para funções ISO, quer quando o troquei para seleção de modos AF.

 

Concordo, no entanto, com muitas análises no sentido de que o "firmware" deve ser ajustado para que os utilizadores tenham uma experiência mais precisa e positiva.

 

Confirmei a primeira impressão que tinha tido durante a curta interacção com a câmara, há alguns meses atrás e, novamente, gostei muito de utilizar o 3º anel programável das objectivas RF.

 

Como tinha anteriormente feito, mapeei o anel para compensação de exposição e, mais uma vez, foi este o principal factor para a experiência totalmente imersiva e operacionalmente transparente que tive com a EOS R.

 

Já no que respeita à replicação de tal recurso através do uso do adaptador com o referido anel para lentes EF, estou um bocadinho ambivalente.

 

Temo que o facto de, no adaptador, o anel mudar de posição ao longo do eixo de acoplamento câmara / lente possa ser prejudicial para a “transparência operacional” que referi, quando, no campo, mudamos de lentes RF para EF e vice-versa.

 

O AF é incrivelmente rápido e preciso.

 

Impressiona especialmente em baixos níveis de luz. As duas fotos de mobília incluídas na galeria foram feitas em sequência, num quarto practicamente sem luz, e o AF da câmara não teve qualquer problema em adquirir e bloquear rapidamente nos pequenos pinos das duas gavetas, uma foto imediatamente a seguir à outra.

 

Foi um prazer trabalhar com o EVF (…excepção feita à nota, abaixo…), tendo-me frequentemente esquecido de que não esteva a usar um OVF, algo que certamente não acontece quando uso a EOS M5.

 

Como esperado e como já estava acostumado com a M5, a selecção de pontos de foco com o “touch&drag” foi muito fácil, com o “touchscreen” a provar ser extremamente reactivo e preciso.

 

Não consigo realmente entender os reportes negativos de Rishi Sanyal e Richard Butler no DPReview (quando interagiram com a câmara pela primeira vez) noutra perspectiva que não seja a de não estarem habituados a trabalhar com esse sistema, em particular.

 

Não há simplesmente maneira honesta e objetiva dos écrans tácteis das Canon poderem ser avaliados como “laggy”. Tal avaliação contraria todas as outras e a minha própria experiência. Ou não estavam habituados ou testaram uma máquina com algum problema.

 

Fiquei satisfeito por constatar que compensação de exposição no modo “Manual”, com Auto ISO seleccionado funciona como na minha 5DMKIV, com a vantagem adicional de ter a CE mapeada para o terceiro anel de lente.

 

Não tive tempo para testar o novo modo de exposição FV.

 

Do que não gostei:

 

A câmara serve de forma muito limitada a fotografia de acção.

 

A contagem de FPS é muito baixa e o congelamento de imagem no EVF durante as séries, embora não seja drasticamente longo, é mais perceptível do que quando se trabalha com uma câmara com espelho, a altas velocidades de obturador.

 

O congelamento de imagem afecta negativamente as sequências de ação em “hi-speed servo”, já que se fica momentaneamente com a desconfortável dúvida se estamos realmente a manter o ponto de foco sobre os sujeitos que estamos a seguir.

 

Fiz algumas sequências de acção de baixa exigência, apenas em “Area AF” e consegui obter sequências com um alto número de exposições em foco, ao ponto de ter o “frame” que queria em focado mas, no geral, não foi o melhor de experiências... Muito, muito longe da minha eficiente 5DMKIV, “for sure”

 

A alternância automática entre EVF e OVF é tão mal implementada como na minha M5.

 

É um pouco melhor para trabalhar quando comparado com aquela câmara APS-C, mas só porque a M5 tem um LCD que apenas oscila para cima e para baixo, mantendo-se na posição que ocupa na traseira da câmara, enquanto a R tem um que abre para o lado, o que faz com que a mão tenda a ser menos intrusiva sobre o sensor, enquanto seleccionamos pontos de foco no écran.

 

Podemos, claro está, desligar o "auto-switching", mas tal solução não é práctica.

 

Não consigo entender porque é que esta funcionalidade é tão sensível e tenho muita dificuldade em perceber como é que a Canon não “apanha” esta limitação durante as fases de testes.

 

Embora a Canon afirme que o sensor da R é basicamente o mesmo que o do 5DMKIV (... se em alguma coisa diferem, será apenas em alguns pequenos aprimoramentos no sensor da R, dizem eles...), achei o ruído em ISOs altos mais perceptível do que vejo na minha 5DMKIV, para configurações equivalentes.

 

Fui informado de que esta seria uma câmara de pré-produção. Talvez as diferenças que notei fossem função disso mesmo (... contudo as imagens de estúdio do DPR para ambas as câmaras pareçam confirmar uma ligeira diferença entre elas, precisamente a favor da 5DMKIV).

 

Em suplemento, o sensor tende a ter mais “banding” do que a minha 5DMKIV (... negligenciável, neste último modelo ...).

 

As exposições têm que ser “puxadas” de forma muito significativa a partir de exposições baixas (3, 4EV) para se ver o “banding” mas ele está lá.

 

Uma coisa que achei um pouco estranha, mas que não pude aprofundar mais, foi que o tipo de “banding” e a sua intensidade não foi consistente, de uma cena para outra.

 

Numa cena específica, já poderia começar a ser notado ao “puxar” 2, 2 ½ EVs, enquanto outras exposições, de cenas diferentes, mostraram muito pouco “banding” ou praticamente nenhum, mesmo quando foram puxadas para além disso.

 

Como acredito firmemente que esta questão é algo que tem um impacto real muito menor na nossa fotografia do que algumas pessoas gostariam de nos fazer acreditar e o meu tempo com a câmara foi limitado, não me debrucei mais sobre o assunto.

 

Andava a questionar-me se o BT+WiFi seria uma solução viável para substituir parcialmente um segundo cartão, caso possibilitasse transferências de ficheiros Raw, mas descobri que, embora as fotos apresentadas na aplicação Camera Connect, após as transferências, mostrassem o sufixo .CR3 no nome do arquivo (... com "Raw only" seleccionado como os arquivos a serem gravados no menu da câmara ...), o que eu estava a ver e é realmente transferido são apenas os Jpegs incorados nos ficheiros Raw.

 

Portanto, não, o BT + Wifi não é um substituto viável de um segundo cartão, para aqueles que fotografam em Raw.

 

De uma maneira geral, como já mencionei, gostei muito da câmara, tanto pela ergonomia, como pelo desempenho global, na maioria dos cenários.

Sobre as objectivas...

 

Achei a RF 24-105 com um desempenho melhor do que a versão EF que possuo e não pude deixar de me sentir um bocadinho frustrado por ter mudado da versão EF I para a versão II pouco antes do verão passado, com esta nova oferta prestes a virar a esquina (... esta é uma ferramenta importante para o meu tipo de fotografia, a objectiva que mais uso...).

 

O RF50 é um sonho de objectiva, como muitos já apontaram. É tão boa que me está a fazer vacilar em relação a uma focal que normalmente não me diz muito.

 

Existem repetidas reservas por essa net fora sobre o seu tamanho, peso e preço (... objecções que, creio eu, vêm mais de vector do tipo "a raposa e as uvas" do que qualquer outra lógica, já que existem objectivas muito mais volumosas pesadas e caras que nunca pareceram ser grande problema...).

 

Posso relatar que foi extremamente confortável trabalhar com ela, sem nunca ter sentido que era demasiado volumosa ou pesada.

 

A vinhetagem é perceptível e o Lightroom ainda não possui um perfil para esta objectiva, mas não me importei muito, já que acho a vinhetagem agradável na maioria das cenas, nesta focal específica.

 

A minha conclusão?

 

Na maioria das áreas, a EOS R não é definitivamente melhor do que a minha 5DMKIV, sendo inferior, até, nalgumas.

 

Apesar disso e como se trata de uma boa companhia de “backup” que já engloba a maioria das vantagens de uma “mirrorless”, estou bastante inclinado a adquirir uma em conjunto com a RF 24-105 e, muito provavelmente, um adaptador com o 3º anel (... mesmo com as reservas que acima mencionei...).

Provavelmente, irei adquirir também um adaptador com VND (…Ouch!...).

 

Ficarei a semi-ponderar uma RF 50... pelo menos até ao preço cair e/ou até ver se uma RF 24 prime rápida (... o que realmente preciso...) aparece por aí.

 

 

 

Agora as fotos, que é o que realmente conta :)

 

 

 

O “set” completo está aqui:

https://www.dpreview.com/galleries/1053263956/albums/eos-r

 

A RF 50 f/1.2:

 

Os dois jovens recepcionistas no túnel de entrada da Vila de Natal tiveram a gentileza de posar para mim. :)

 

Incluí várias fotos do comboiozinho de natal num recinto fechado iluminado por projetores fortes, posicionados a uma altura relativamente baixa porque, independentemente da posição escolhida, estavam sempre a incidir parcialmente sobre a objectiva, pelo que achei que a diluição de contraste e o “flare” parcial que impunham foram úteis para a uma avaliação geral  (há mais algumas fotos com a 135) .

 

Consegui obter um bom retrato da minha mãe de 84 anos, com a RF 50 e, se por mais nada fosse, só esta foto fez desta avaliação um esforço bem gratificante.

 

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A RF 24-105 f/4:

 

Achei-a melhor e mais agradável do que a minha já muito boa EF 24-105 II.

 

Sendo que é uma objectiva muito importante para mim, tornou-se imediatamente num factor muito forte para uma possível decisão de comprar uma EOS R num futuro próximo.

 

A foto do Museu Conde Castro Guimarães, Cascais, na galeria, foi processada a partir de 3 exposições em “bracket”.

 

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A EF 70-200 f/2.8:

 

Foi a objectiva que usei para testar o desempenho em servo contínuo.

 

 

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A 35 f/1.4 II:

 

Fiquei muito satisfeito com esta combinação em particular, tanto pelo desempenho como pela ergonomia.

 

Esta objectiva é a melhor que possuo actualmente, uma que uso muito frequentemente e senti que era especialmente "certa" para a EOS R.

 

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A 135 f/2:

 

Na galeria, observem como o “combo” câmara/objectiva focou no rei mago, à esquerda da foto.

 

A olho nú, não conseguia ver as feições do rapaz sentado na tenda com luz muito fraquinha. Apesar disso, a focagem foi rápida e precisa a 1/125, f / 2, 12800 ISO.

 

A foto do camelo também é bastante impressionante pelo contraste e detalhes gerais (novamente, a 12800 ISO).

 

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Espero que esta avaliação, que me esforcei para que fosse objectiva, sem proselitismos, vos possa ser útil.

 

Tudo de bom e desejos de um ótimo foto-2019 (... bem focado em fotografia real, que não em especificações :) ...)

 

FK


Editado por FotoKhan, 16 Janeiro 2019 - 13:03 .



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_jn_

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Publicado 16 Janeiro 2019 - 14:02

Bom trabalho, Humberto Borges.

 

Pode não ser a melhor máquina no seu segmento mas também não é má como a têm pintado.

 

O seu uso fez-me mudar duas coisas na minha forma de trabalhar:

 

1 - Passei a usar sempre modo manual com auto ISO e compensação de exposição. Coisa que não era possível em nenhuma das máquinas que tive anteriormente.

 

2 - Transferencia imediata para telemóvel (só fotografo em JPG).  Muito útil para reportagem profissional.

 

Obrigado.




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Publicado 23 Janeiro 2019 - 15:18

Obrigado pelo contributo!




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Publicado 23 Janeiro 2019 - 15:52

Belo contributo, boa "review", máquina muito interessante e Parabéns pela Mãe e os seus 84 anos com um aspecto de fazer inveja.

 

Sinceramente acho que atualmente não há máquinas más(generalização perigosa mas que espero que seja compreendida) e aqui está a prova. Se me tivesse mantido na Canon(e só não me mantive pois adoto experimentar material) esta seria a minha atual máquina.