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photography was dead - Wim Wenders


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39 respostas a este tópico

IT Partilhar Post #1 _jn_

_jn_

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Publicado 25 Agosto 2018 - 08:16




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Partilhar Post #2 FotoKhan

FotoKhan

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Publicado 25 Agosto 2018 - 15:50

A luz de Lisboa é única e a muito tangível razão de ser dessa particularidade, no respeita à Óptica e à Física, foi brilhantemente explicada num exposição que esteve patente no torreão poente da Praça do Comércio, em 2015/2016.

 

Wim Wenders foi um dos primeiros a identificar a especial beleza desta luz e, desde então, tenho acompanhado de perto o seu trabalho, sendo um dos meus "produtores de imagens" preferidos.

 

Aqui, vai muito bem, concordando eu com praticamente tudo o que diz.

 

No entanto, quanto ao processamento de imagens, deve estar a referir-se ao "ad-hoc", crú e desajustado porque a Fotografia e o Cinema sempre viveram do processamento como um vector amplificativo ou, até, disruptivo das narrativas.

 

Aquela foto de que se vê parte no princípio do vídeo, sobre o seu ombro direito, não saiu assim da máquina, com certeza ;)

FK




Partilhar Post #3 PedroA

PedroA

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Publicado 25 Agosto 2018 - 19:12

Não sei se matou completamente. Já concordei mais com essa afirmação, ultimamente tenha mudado a minha opinião.


Partilhar Post #4 Fotugafia

Fotugafia

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Publicado 25 Agosto 2018 - 20:26

Não sei se matou completamente. Já concordei mais com essa afirmação, ultimamente tenha mudado a minha opinião.

Completamente de acordo, mudar não é o mesmo que matar.

Enviado do meu VTR-L29 através do Tapatalk


IT Partilhar Post #5 _jn_

_jn_

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Publicado 25 Agosto 2018 - 21:40

A fotografia mudou. Não sei se mudou tão profundamente que se possa chamar morte e dar um novo nome ao que se faz hoje.

 

No meu caso particular, cheguei recentemente á conclusão de que quanto mais possibilidades me dão as máquinas menos prazer tenho em fotografar.

 

A pós produção, o foco na face e mais recentemente no olho, o view finder eletrónico, a pós focagem, o 4 e 6k, o dynamic range, o disparo antecipado, as 30 frames por segundo, o bouket automático, etc, etc, etc, retiram por completo todo o prazer de fotografar. Estou a fazer o caminho de volta e com isso redecobrir o prazer de fotografar.

 

Quero; ser eu a escolher o momento decisivo, sentir, pensar e fazer um só disparo de cada vez, ter e foco e desfoco onde eu quero, falhar ou acertar, não passar pelo photoshop, e até imprimir é o que me dá prazer na fotografia.

 

Se me permitem ir mais longe: a tecnologia está a retirar ao homem prazer de viver! Eu passo-me quando vejo nos eventos as pessoas mais preocupadas em fazer video ou fotografia do que a disfrutar do que está a sua frente.




Partilhar Post #6 Fotugafia

Fotugafia

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Publicado 25 Agosto 2018 - 21:57

A fotografia mudou. Não sei se mudou tão profundamente que se possa chamar morte e dar um novo nome ao que se faz hoje.

No meu caso particular, cheguei recentemente á conclusão de que quanto mais possibilidades me dão as máquinas menos prazer tenho em fotografar.

A pós produção, o foco na face e mais recentemente no olho, o view finder eletrónico, a pós focagem, o 4 e 6k, o dynamic range, o disparo antecipado, as 30 frames por segundo, o bouket automático, etc, etc, etc, retiram por completo todo o prazer de fotografar. Estou a fazer o caminho de volta e com isso redecobrir o prazer de fotografar.

Quero; ser eu a escolher o momento decisivo, sentir, pensar e fazer um só disparo de cada vez, ter e foco e desfoco onde eu quero, falhar ou acertar, não passar pelo photoshop, e até imprimir é o que me dá prazer na fotografia.

Se me permitem ir mais longe: a tecnologia está a retirar ao homem prazer de viver! Eu passo-me quando vejo nos eventos as pessoas mais preocupadas em fazer video ou fotografia do que a disfrutar do que está a sua frente.

Quando a Ferrari andava em testes com o F430, um dos pilotos de teste era então seu piloto de F1, o Michael Schumacher.
O F430 tem no volante entre outros, um botão para a ajuda à condução, que vai desde a nenhuma, até à completa, ABS, ASC, etc.
Enquanto muitos testavam o carro desligando essas ajudas, o MS ligava-as de forma a concentrar-se somente na sua condução, trajetórias, travajens, etc.

O que estragou a fotografia foi a vulgarização, a perda de exclusividade. Hoje em dia, qualquer um com bom olho e um p20, faz melhor foto que um fotógrafo clássico com a sua 4x5 cheia de truques.

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IT Partilhar Post #7 _jn_

_jn_

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Publicado 26 Agosto 2018 - 09:54

Fazer mais, fazer "melhor" e prazer de fazer, são coisas um pouco diferentes.

 

Já que levaste para o campo do automobilismo; que prazer dá conduzir um carro com caixa automática? No entanto o piloto pode fazer melhor condução porque está mais concentrado nas outras coisas.

 

Eu não estou contra a evolução tecnológica nem digo que estragaram a fotografia. Estou mais de acordo com "é isto fotografia o que se faz hoje?".

 

Nunca se fez tanta fotografia "boa", Hoje um fotógrafo de casamentos entrega 1000 "boas" fotos. Se quiser até pode entrgar 4000 ou 10000 basta dividir o tempo do evento pela performance da sua máquina no disparo aoutomático.

 

Chegou-se ao ponto de escolher as fotos no vídeo. Para quê fotógrafo?

 

O prazer de fazer as coisas é outro. Passou a ser tudo tão rápido e imediato que não há tempo para disfrutar de nada.


Editado por _jn_, 26 Agosto 2018 - 10:04 .



Partilhar Post #8 agomes

agomes

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Publicado 26 Agosto 2018 - 11:45

(…)
O que estragou a fotografia foi a vulgarização, a perda de exclusividade. Hoje em dia, qualquer um com bom olho e um p20, faz melhor foto que um fotógrafo clássico com a sua 4x5 cheia de truques.

 

Desculpa mas a vulgarização da fotografia já vem de longe e se o digital fez alguma coisa nesse sentido foi, antes, o aumento da massificação, o que é uma coisa muito diferente e com impacte não só na forma como se fotografa a nível global como, sobretudo, ao modo como se "consomem" as imagens.

 

Quanto "á perda de exclusividade" é difícil entender o que pretendes dizer pois por mais que nasçam e "desapareçam" milhões ou milhares de milhões de imagens, espalhadas pelo ciberespaço ou enterradas em dispositivos de armazenamento, isso não impede certas formas de "exclusividade", seja a nível criativo seja ao de um mercado em que os milhões de alguns continuam a "criar" objectos de culto e artistas elevados ao estrelato. 

 

E, também acho curiosa a tua última afirmação, especialmente no que toca a "um fotógrafo clássico com a sua 4x5 cheia de truques" quando esta não passa de um instrumento sem quaisquer artificialismos ou, como tudo dizes, "botão para a ajuda à condução" e, por isso, fazendo com que qualquer exposição se deva ao conhecimento e competência do fotógrafo, que terá de se concentrar "na sua condução, trajetórias, travajens, etc." e, ainda, de saber como acelerar, inscrever o carro em curva e, talvez o mais importante, controla-lo em condições difíceis.

 

No que respeita à "melhor foto" obtida por "qualquer um com bom olho e um P20" só te podes referir a alguém que esteja a conduzir uma 4x5 (que não é o mesmo do que um 4 x 4, diga-se) sem "carta de condução" e problemas visuais que o impossibilitariam de a obter ou, então, só conheces o veículo pelas revistas da especialidade e nunca o viste em prova.

 

Por fim, este teu comentário fez-me lembrar um programa que vi ontem no canal Odisseia (GPS: uma guerra global) onde, entre outros, havia um empresário que dizia que alguns empregados seus, a trabalhar com tractores agrícolas com cabinas climatizadas, múltiplos écrans virtuais nos vidro e com condução autónoma, num contexto de uma agricultura altamente competitiva, se houver uma falha no GPS já nem são capazes de conduzir as máquinas de volta para o estaleiro.

 

Boas  :foto: :foto:


Editado por agomes, 26 Agosto 2018 - 11:49 .



Partilhar Post #9 Fotugafia

Fotugafia

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Publicado 26 Agosto 2018 - 12:16

Fazer mais, fazer "melhor" e prazer de fazer, são coisas um pouco diferentes.

Já que levaste para o campo do automobilismo; que prazer dá conduzir um carro com caixa automática? No entanto o piloto pode fazer melhor condução porque está mais concentrado nas outras coisas.

Eu não estou contra a evolução tecnológica nem digo que estragaram a fotografia. Estou mais de acordo com "é isto fotografia o que se faz hoje?".

Nunca se fez tanta fotografia "boa", Hoje um fotógrafo de casamentos entrega 1000 "boas" fotos. Se quiser até pode entrgar 4000 ou 10000 basta dividir o tempo do evento pela performance da sua máquina no disparo aoutomático.

Chegou-se ao ponto de escolher as fotos no vídeo. Para quê fotógrafo?

O prazer de fazer as coisas é outro. Passou a ser tudo tão rápido e imediato que não há tempo para disfrutar de nada.

Plenamente de acordo, ainda que atualmente prefira as caixas automáticas.

O prazer de fazer a *minha* fotografia não depende da facilidade em fazê-la, sim de poder desfrutar de um tempo para abstrair e desligar. O facto de ter mais ou menos ajudas electrónicas é secundário neste caso. No entanto em retratos sim que a tecnologia ajuda e não a quero recusar.

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Partilhar Post #10 Fotugafia

Fotugafia

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Publicado 26 Agosto 2018 - 12:18

Desculpa mas a vulgarização da fotografia já vem de longe e se o digital fez alguma coisa nesse sentido foi, antes, o aumento da massificação, o que é uma coisa muito diferente e com impacte não só na forma como se fotografa a nível global como, sobretudo, ao modo como se "consomem" as imagens.

Quanto "á perda de exclusividade" é difícil entender o que pretendes dizer pois por mais que nasçam e "desapareçam" milhões ou milhares de milhões de imagens, espalhadas pelo ciberespaço ou enterradas em dispositivos de armazenamento, isso não impede certas formas de "exclusividade", seja a nível criativo seja ao de um mercado em que os milhões de alguns continuam a "criar" objectos de culto e artistas elevados ao estrelato.

E, também acho curiosa a tua última afirmação, especialmente no que toca a "um fotógrafo clássico com a sua 4x5 cheia de truques" quando esta não passa de um instrumento sem quaisquer artificialismos ou, como tudo dizes, "botão para a ajuda à condução" e, por isso, fazendo com que qualquer exposição se deva ao conhecimento e competência do fotógrafo, que terá de se concentrar "na sua condução, trajetórias, travajens, etc." e, ainda, de saber como acelerar, inscrever o carro em curva e, talvez o mais importante, controla-lo em condições difíceis.

No que respeita à "melhor foto" obtida por "qualquer um com bom olho e um P20" só te podes referir a alguém que esteja a conduzir uma 4x5 (que não é o mesmo do que um 4 x 4, diga-se) sem "carta de condução" e problemas visuais que o impossibilitariam de a obter ou, então, só conheces o veículo pelas revistas da especialidade e nunca o viste em prova.

Por fim, este teu comentário fez-me lembrar um programa que vi ontem no canal Odisseia (GPS: uma guerra global) onde, entre outros, havia um empresário que dizia que alguns empregados seus, a trabalhar com tractores agrícolas com cabinas climatizadas, múltiplos écrans virtuais nos vidro e com condução autónoma, num contexto de uma agricultura altamente competitiva, se houver uma falha no GPS já nem são capazes de conduzir as máquinas de volta para o estaleiro.

Boas :foto: :foto:

agomes, isto tudo foi só para comentar o meu post, e a tua opinião sobre o tema do tópico?

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Partilhar Post #11 PedroA

PedroA

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Publicado 26 Agosto 2018 - 13:25

Posso estar a fugir um pouco ao tema concreto, mas para mim o futuro da fotografia passa pelo documental/reportagem, procurar os “momentos decisivos” e vender ao cliente e expor nas redes sociais/portfólio os “sentimentos” do dia, as verdadeiras emoções.
Há espaço para a criatividade das poses artísticas como por exemplo na fotografia de casamento, mas começa a ser tão repetitivo que cansa um pouco. É como aquelas músicas que passam 20 vezes por dia na rádio.
As pessoas ainda querem as fotografias típicas de grupo e a olhar para a câmara, mas no fundo no fundo elas querem sentir a emoção do dia no trabalho visual que o fotógrafo pode ou não proporcionar.
Há pouco tempo fiz um batizado,e em conversa com a cliente na fase da contratação, ela disse “nós gostamos mais de fotografias a olhar para a máquina...”, e eu lá tive de ceder um pouco, mas no dia do batizado lá fiz a minha parte mais documental do dia sempre que podia, e no fim de entregar a galeria online, o cliente admitiu que foram essas fotografias que os emocionaram e até veio uma lágrima. Que melhor crítica pode uma pessoa ter, depois disto. :D
Cabe a todos nós, mais ou menos profissionais, educar os clientes, ainda acredito nessa premissa.
Sei bem que caminho quero seguir, vender emoções e sentimentos, e consigo isso ao tentar estar no sítio certo, na altura certa e no ângulo certo. Nem sempre é fácil, é um caminho de tentativa e erro.


Partilhar Post #12 deim

deim

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Publicado 26 Agosto 2018 - 14:17

Nos anos 80 um fotógrafo amador ia à Índia, tirava dois rolos de fotos brutais, mandava revelar e imprimir. Metia num álbum e convidava uns amigos mais próximos para ver as fotos. No máximo, mostrava no clube de fotografia onde os outros 15 fotógrafos apreciavam o trabalho.

Hoje a filha vai à baixa da banheira, tira uma selfie que rapidamente mete no instagram e tem milhares de vizualizações e centenas de comentários. 

No antigamente é que era bom, quando ninguém via essas fotos....

E o que está a passa hoje já é uma repetição do que aconteceu quando apareceu o rolo de 35mm. Nos anos 90, qualquer shampoo sério oferecia uma máquina fotográfica. Qualquer puto de 10 anos já levava uma máquina fotográfica para a viagem da escola. 20 anos antes era um evento quando o fotógrafo ia à aldeia.

A fotografia continua em mutação. Tem novos públicos e novas aplicações. Hoje tira-se fotos a um cartaz para não se esquecer do concerto que vai acontecer. Isso nunca antes aconteceu. Mas isso é uma expansão da fotografia. É a fotografia funcional.  


Quanto ao prazer que se tem, acaba por ser uma experiência pessoal. Da primeira vez que fotografei com uma 1D, foi um prazer enorme poder pegar naquela besta com uma 85mm 1.2. Hoje é uma ferramenta de trabalho. Gostei muito de fotografar estas férias com a mamiya press e do detalhe do negativo 6x9, mas quando revelo as fotos e vejo que a focagem falhou, metade da piada desaparece... O que perdura é o prazer de olhar para uma boa fotografia bem exposta e bem composta. E nisso as novas máquinas batem aos pontos as antigas. 




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Publicado 26 Agosto 2018 - 17:51

As visualisações e os comentários tipicos de redes sociais, dispenso, não me dão nenhum prazer, antes pelo contrário mas isso é outro rosário.

 

O prazer que me dá a fotografia é outro, não tem a ver com técnica mas sim com sentimento.




Partilhar Post #14 deim

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Publicado 26 Agosto 2018 - 18:22

As visualisações e os comentários tipicos de redes sociais, dispenso, não me dão nenhum prazer, antes pelo contrário mas isso é outro rosário.

 

O prazer que me dá a fotografia é outro, não tem a ver com técnica mas sim com sentimento.

Há centenas e centenas de fotógrafos nas redes sociais. Há grupos dedicados a fotografia dos mais variados temas. Pessoas com trabalhos extremamente interessantes e que participam com alguma regularidade. 

Eu acho que trocar ideias com essas pessoas é um pouco mais interessante do que antigamente quando o máximo que conseguias era o teu vizinho dizer que a tua máquina deve ser muita boa porque a foto ficou gira.. 




Partilhar Post #15 agomes

agomes

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Publicado 27 Agosto 2018 - 01:31

agomes, isto tudo foi só para comentar o meu post, e a tua opinião sobre o tema do tópico?
(…)

Não te quero desiludir mas, ao "alongar-me" no meu post pensei que estava a responder ao teu mas, ao mesmo tempo, sem ser alheio ao tema do tópico.

 

De qualquer modo, e como o perguntas, aqui vai uma opinião mais directa:

 

1 - comecemos pelo "tema do tópico", que não me parece corresponder à forma como o mesmo foi titulado ("photography was dead - Wim Wenders") ou, até, ao colocado no video ("Mobile phones have killed photography - BBC News").

 

Quando Wenders afirma "photography is more alive than ever and at the same time is more dead than ever" pode parecer uma espécie de reformulação do paradoxo do gato de Schrödinger mas não creio ser esse o caso e, se lançarmos um olhar mais atento, é claro que, embora visando os telefones móveis, o que ele coloca em causa são alguns conceitos e práticas prevalecentes no uso desses aparelhos e das imagens que eles produzem, e não a fotografia em geral.

 

Daí que ele comece por afirmar "I do believe that everybody is a photographer. We are all taking billions of pictures so (…)" e acabe pelo anúncio e repto pelo procura de uma nova palavra, dizendo: "I'm in search for a new word for this new activity that looks so much like photography but isn't photography anymore. Please let me know if you have a word for it".

 

Claro que, e como não podia deixar de ser, pelo meio aparecem aspectos como a relação meios/criatividade, o questionar se certas facilidades e automatismos serão sinónimos de criatividade, o (não)uso dado às imagens e a manipulação destas.

 

Diria que é fácil subscrever tudo isso, salvo a parte relativa à "veracidade" e confiabilidade perdida pelas imagens ou como a fotografia que, para mim, já vem de antes da "explosão" dos fenómenos alvo das suas críticas, para além da ressalva de que não podemos diabolizar completamente o instrumento e chegar ao ponto de afastar completamente a ideia de que, apesar de tudo, com ele também seja possível fazer fotografias.

 

Mas, não nos enganemos, pois talvez mais de 95% dos biliões de imagens produzidas diariamente a nível global são candidatas seguras à inclusão na categoria que Wenders afirma necessitarem de uma palavra que as defina,  No entanto, não nos devemos esquecer que 1% de um bilião (na base das unidades por ele utilizada) ainda são 10 milhões e, por muito estreito que isso pareça, ainda nos deixa muita margem para que a Fotografia continue viva, mesmo descontando as dos que se iludem acerca do que (e como) fazem.

 

Boas  :foto: :foto: 


Editado por agomes, 27 Agosto 2018 - 15:17 .



Partilhar Post #16 FotoKhan

FotoKhan

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Publicado 27 Agosto 2018 - 09:47

Não te quero desiludir mas, ao "alongar-me" no meu post pensei que estava a responder ao teu mas, ao mesmo tempo, sem ser alheio ao tema do tópico.

 

De qualquer modo, e como o perguntas, aqui vai uma opinião mais directa:

 

1 - comecemos pelo "tema do tópico", que não me parece corresponder à forma como o mesmo foi titulado ("photography was dead - Wim Wenders") ou, até, ao colocado no video ("Mobile phones have killed photography - BBC News").

 

Quando Wenders afirma "photography is more alive than ever and at the same time is more dead than ever" pode parecer uma espécie de reformulação do paradoxo do gato de Schrödinger mas não creio ser esse o caso e, se lançarmos um olhar mais atento, é claro que, embora visando os telefones móveis, o que ele coloca em causa são alguns conceitos e práticas prevalecentes no uso desses aparelhos e das imagens que eles produzem, e não a fotografia em geral.

 

Daí que ele comece por afirmar "I do believe that everybody is a photographer. We are all taking billions of pictures so (…)" e acabe pelo anúncio e repto pelo procura de uma nova palavra, dizendo: "I'm in search for a new word for this new activity that looks so much like photography but isn't photography anymore. Please let me know if you have a word for it".

 

Claro que, e como não podia deixar de ser, pelo meio aparecem aspectos como a relação meios/criatividade, o questionar se certas facilidades e automatismos serão sinónimos de criatividade, o (não)uso dado às imagens e a manipulação destas.

 

Diria que é fácil subscrever tudo isso, salvo a parte relativa à "veracidade" e confiabilidade perdida pelas imagens ou como a fotografia que, para mim, já vem de antes da "explosão" dos fenómenos alvo das suas críticas, para além da ressalva de que não podemos diabolizar completamente o instrumento e chegar ao ponto de afastar completamente a ideia de que, apesar de tudo, com ele também seja possível fazer fotografias.

 

Mas, não nos enganemos, pois talvez mais de 95% dos biliões de imagens produzidas diariamente a nível global são candidatas seguras à inclusão na categoria que Wenders afirma necessitarem de uma palavra que as defina,  No entanto, não nos devemos esquecer que 1% de um bilião (na base das unidades por ele utilizada) ainda são 1 milhão e, por muito estreito que isso pareça, ainda nos deixa muita margem para que a Fotografia continue viva, mesmo descontando as dos que se iludem acerca do que (e como) fazem.

 

Boas  :foto: :foto: 

 

Muito bom. :th_up:

 

Como bem aponta, a reação dele não é à infinita recolha de imagens que agora ocorre mas antes à facilidade com que se chama "Fotografia" a coisas que pouco têm a ver com tal, daí a necessidade que WW sente de uma nova designação para esse tipo "output".

 

A posição dele parece ser, a um mesmo tempo, complementar e oposta à minha.

 

Enquanto eu já aqui escrevi que não me agrada que a partícula "Photo" integre o nome "NovoBancoPhoto" porque acho que o que lá se procura tem pouco a ver com "Fotografia", no sentido puro e escorreito do termo, WW tem as mesmas fortes reservas mas relativamente ao que se faz a um nível muito mais baixo.

 

Se imaginarmos uma recta que defina "Intencionalidade+códigos/cânones+narrativa" e "Fotografia" como algo inserido num espaço algures dentro dessa linha (com fronteiras um pouco flutuantes, admito) WW tem problemas com a fronteira desse espaço ser atirado para o ilimite esquerdo dessa linha, enquanto eu não gosto que o limite direito avance, também, até ao infinito.

 

FK


Editado por FotoKhan, 27 Agosto 2018 - 09:49 .



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ruicarv79

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Publicado 28 Agosto 2018 - 11:08

Eu tento sempre olhar para o lado bom das coisas e a massificação/democratização da fotografia permitiu coisas muito boas como, por exemplo, dar-me fácil acesso (a mim e a muitos outros) a um instrumento que me permita fotografar, algo que, antes, era uma possibilidade muito restrita.

Porém, parece ser óbvio para todos que há um reverso nesta medalha. A massificação/democratização da fotografia traz consigo o efeito de muitos (senão quase todos) dos utilizadores da ferramenta fotográfica se sentirem "fotógrafos" (no sentido de acharem que fazem alguma coisa de relevante a nível fotográfico). E a tecnologia potencia este "falso" (digo eu) sentimento. Com um clique obtém-se um HDR... Uau! E a audiência (que também aumentou exponencialmente com a internet e as redes sociais) gosta porque, desculpem-me as palavras fortes, não percebe para mais. Com uma lente f/1.8 de 100 euros consegue-se aquele efeito "profissional" de desfoque (agora até com os telemóveis se consegue!)... Outro "Uau"! E a audiência adora! Depois, ainda se faz um curso "intensivo" de uma tarde (ou então no Youtube) e aprende-se uma técnica de de longa exposição com filtro ND e.. mais um "Uau" da "criteriosa" audiência!

Enfim, este conjunto de equívocos (na perspectiva da fotografia enquanto forma de arte visual) é difundido e viralizado ao ritmo de likes e super-likes da nossa era das redes sociais. Puros equívocos, classifico-os eu. Hoje em dia tenho uma dificuldade tremenda para encontrar trabalho de relevo e de interesse fotográfico no meio da avalanche de equívocos que se difundem na internet e redes sociais. É este o reverso da medalha.

Nada contra quem gosta de fotografar coisas completamente irrelevantes (do meu ponto de vista claro), mas pf não me tentem convencer que isso é Fotografia porque não é, é outra coisa, aquela coisa a que o Wim Wenders nos desafiou a batizar com um novo nome...




Partilhar Post #18 MarcomPereira

MarcomPereira

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Publicado 28 Agosto 2018 - 11:58

isso é algo que eu falo com os amigos á muito.. á tal porque fotografas em Jpg?? porque gosto de fotografar e não de editar!! agora pelo que vejo muita gente já fotografa a pensar na edição... -_- .  A tecnologia é excelente, mas nas máquinas cada vez vejo máquinas mais carregadas de "opções" mas cada vez mais entregam ficheiros digitais para caneco, na minha opinião e no meu gosto claro...




IT Partilhar Post #19 _jn_

_jn_

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Publicado 28 Agosto 2018 - 12:00

Equívocos, nem mais! O nome a inventar andará por volta de: "Foquívocos" :)

 

Estou 100% de acordo com o que escreveste, Rui.

 

Não é fácil saír deste lodo e o que penso também é que a inovação tecnológica neste campo prende-nos cada vez mais a ele.


Editado por _jn_, 28 Agosto 2018 - 12:00 .



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Publicado 28 Agosto 2018 - 12:19

Mas não era já assim antes do digital? A grande diferença era a exposição. Hoje os fotógrafos mostram para o mundo. Antes mostravam aos amigos.