Ir para conteúdo

  • Facebook

  • Este site usa cookies para melhorar a sua experiência como utilizador. Ao utilizar o site está a aceitar o uso de cookies. SABER MAIS ENTENDI

Foto

A fotografia faz adotar animais


  • Por favor inicie sessão para responder
17 respostas a este tópico

IT Partilhar Post #1 JoãoCRV

JoãoCRV

  • Membro
  • Registo: 14/02/2018
  • Posts: 51
    • Local: Lisboa e Montijo

Publicado 17 Fevereiro 2018 - 20:35

FOTOGRAFIA, DIREITOS HUMANOS E DE ANIMAIS. A FOTOGRAFIA DA ESPERANÇA OU DO FIM DO MUNDO.

Reflita-se sobre a importância da fotografia, como testemunho do mundo, e no caso que aqui importa como impacte e mais-valia para a proteção da NATUREZA e dos SERES VIVOS. A fotografia ilustra sempre uma realidade que se tornou excessiva, e quando abarca a natureza torna-a também excessiva e fantástica: pela qualidade cénica do que se entendeu, por exemplo, por paisagem e por paisagem natural (essa construção para o olhar).
 
Ansel Adams é um bom exemplo do fotógrafo com carreira ecológica: as suas fotografias contribuíram para a criação legal das primeiras áreas naturais protegidas, nos Estados Unidos da América.
 
Mas a realidade excessivamente real da fotografia é também servida não apenas por aspetos positivos e «fantásticos» (de belos), mas hoje essencialmente por aspetos negativos: a fotografia de catástrofe, como o cinema de catástrofe (Ignacio Ramonet) denuncia a modernidade tardia dos riscos ambientais. As consequências da urbanização e industrialização. Da militarização e da desumanização.
 
E a força cénica da fotografia está lá na mesma: nos refugiados naufragados que fogem das guerras (e que as televisões deixaram de transmitir) como, num passado recente, nos desastres tecnológicos por acidentes nucleares ou derrames de petróleo em zonas costeiras: o caso Prestige (um dos maiores desastres induzidos no país vizinho).
 
Entre nós, a tragédia também está na estrada de Pedrógão, o ano passado, onde o fogo mudou a paisagem para tons de cinza e silêncio sepulcral.
 
Contudo, hoje trago aqui uma outra reflexão do serviço da fotografia: a fotografia que se usa em redes sociais para fazer adotar animais abandonados. É uma fotografia apelativa (muitas vezes com efeitos de lente grande angular), essa que se tem reproduzido por redes sociais.
 
É, de facto, uma fotografia apelativa, direi emotiva. A fotografia emotiva não paralisa pelo horror, serve para fazer agir e estar atento. Não contra os grandes males do mundo (contra os quais parece que nada podemos), mas sobre acontecimentos próximos. Face aos quais talvez possamos agir, individualmente. Ao pé da nossa porta, na nossa região… (como no caso da poluição das águas do Tejo).
 
Podemos dizer que a fotografia e as imagens da natureza e de seres vivos (humanos incluídos) traduz hoje frequentemente uma prova sobre a barbaridade. Parece que o fotógrafo abandonou o  património da beleza natural. As derivações ideológicas só podem ser radicais - de Aldo Leopold a Arne Naess (a designada «Deep Ecology»), passando por Peter Singer (um governo e uma ética para a globalização).
 
É que a fotografia do fantástico e da beleza cedeu o lugar à tragédia (por onde andaria, hoje, Ansel Adams?). Um animal abandonado não é um testemunho de felicidade. A fotografia torna-se (sobre vários episódios e escalas) a denúncia de um tempo (o nosso) que um poeta, embora por outros motivos (ou talvez os mesmos), referia como sendo «o tempo dos assassinos».
 



Anúncios

Partilhar Post #2 kiak

kiak

  • Membro
  • Registo: 18/03/2006
  • Posts: 3518
  • Idade: 44
    • Local: centro-norte

Publicado 20 Fevereiro 2018 - 15:15

     Como se costuma dizer, uma imagem vale mais do que mil palavras... a fotografia é capaz de provocar  diferentes reacções de pessoas para pessoa, e uma foto bem tirada pode levar a adopção de 1 animal, aconteceu comigo fiquei perdido pelos olhos e não me arrependo pois é um bom companheiro!!!

 

   Vejo fotos que me fazem querer adoptar uma criança mas quando começa a burocracia humana... 

 

   A Tragédia é uma essência da inteligência  humana  por isso é mais fácil a qualquer um recordar uma momento triste do que um de alegria.

 

  O tempo dos assassinos sempre existiu só que agora temos mais facilidade em registar, em cada esquina diz-se que está um telemóvel com camera , mas é um completo engano, em cada esquina estão varias comeras com telemóvel!!! 

 

    Quando foi o terramoto de Lisboa se existissem maquinas fotográficas como hoje lá teríamos fotos de grandes angulares, tragicamente belas... o exemplo disso é outros terramotos que vai acontecendo onde tal processo é utilizado!!!

 

   O que mudou é apenas a facilidade de captar imagens, pois os "assassinos" sempre estiveram presentes. 


Editado por kiak, 20 Fevereiro 2018 - 15:16 .



IT Partilhar Post #3 JoãoCRV

JoãoCRV

  • Membro
  • Registo: 14/02/2018
  • Posts: 51
    • Local: Lisboa e Montijo

Publicado 22 Fevereiro 2018 - 13:39

     Como se costuma dizer, uma imagem vale mais do que mil palavras... a fotografia é capaz de provocar  diferentes reacções de pessoas para pessoa, e uma foto bem tirada pode levar a adopção de 1 animal, aconteceu comigo fiquei perdido pelos olhos e não me arrependo pois é um bom companheiro!!!

 

   Vejo fotos que me fazem querer adoptar uma criança mas quando começa a burocracia humana... 

 

   A Tragédia é uma essência da inteligência  humana  por isso é mais fácil a qualquer um recordar uma momento triste do que um de alegria.

 

  O tempo dos assassinos sempre existiu só que agora temos mais facilidade em registar, em cada esquina diz-se que está um telemóvel com camera , mas é um completo engano, em cada esquina estão varias comeras com telemóvel!!! 

 

    Quando foi o terramoto de Lisboa se existissem maquinas fotográficas como hoje lá teríamos fotos de grandes angulares, tragicamente belas... o exemplo disso é outros terramotos que vai acontecendo onde tal processo é utilizado!!!

 

   O que mudou é apenas a facilidade de captar imagens, pois os "assassinos" sempre estiveram presentes. 

obrigado Kiak, pela reflexão, tem razão, a natureza humana não mudou desde os tempos relatados de Caim e Abel, e ali (por um conflito entre a agricultura e a pastorícia, que tão mais tarde veio a tomar proporções bem mais reais e trágicas no conflito entre etnias Hutus e Tutsi no Ruanda) está o que caracteriza as relações de poder: apropriação de recursos, e a dominação pela força (quantas vezes a autoridade da força se transforma na força da autoridade? O Estado, até historicamente (seg. Max Weber) distingue-se pelo monopólio do uso da força legítima.

​Mas a fotografia só pode ser fotografia do que nos rodeia (embora, tecnicamente, possamos ter uma «profundidade de campo» dita «até ao infinito»!), e por isso mesmo essa denúncia, essa faculdade de filmar e fotografar aproxima-nos tanto do que vemos e do contexto onde nos situamos como de uma possibilidade real de «empowerment», de consciência cívica numa dimensão de intervenção que está ao alcance da nossa vontade.

​(Quanto a animais para adoção, sei bem do que fala, e sou geralmente convidado por uma associação na margem sul para fotografar eventos a partir de um canil municipal, passeios de fim de semana entre cães abandonados e seus futuros e possíveis donos adotantes, e outros eventos... A fotografia «dá a conhecer», e nisso reside a sua força).

abraço!




IT Partilhar Post #4 JoãoCRV

JoãoCRV

  • Membro
  • Registo: 14/02/2018
  • Posts: 51
    • Local: Lisboa e Montijo

Publicado 22 Fevereiro 2018 - 17:01

O que pergunta também (correndo o risco de me contradizer) é se a beleza compulsivamente procurada, na nostalgia do que se perdeu, um mundo COLORIDO e FELIZ (e com a nitidez reforçada do Bracketing), não volta hoje a assolar a fotografia, hoje fotografia HDR?

Mas o que se pretende com esse embelezamento artificioso do mundo?

​(discussão idêntica travou-se do século XIX para o século XX, com as pinceladas a posteriori do fotógrafo, no seu estúdio, retocando a imagem na senda dessa beleza como plagiando a magia que era atribuída à pintura)


Partilhar Post #5 kiak

kiak

  • Membro
  • Registo: 18/03/2006
  • Posts: 3518
  • Idade: 44
    • Local: centro-norte

Publicado 22 Fevereiro 2018 - 22:44

O que pergunta também (correndo o risco de me contradizer) é se a beleza compulsivamente procurada, na nostalgia do que se perdeu, um mundo COLORIDO e FELIZ (e com a nitidez reforçada do Bracketing), não volta hoje a assolar a fotografia, hoje fotografia HDR?

Mas o que se pretende com esse embelezamento artificioso do mundo?

​(discussão idêntica travou-se do século XIX para o século XX, com as pinceladas a posteriori do fotógrafo, no seu estúdio, retocando a imagem na senda dessa beleza como plagiando a magia que era atribuída à pintura)

  

   Já se pintava o rei mais magro!!!  penso que diz tudo ;)

 

  Há um dado que não sei se ficou saliente, é que o meu animal de estimação fui eu que o fotografei para ajudar na adopção, e isso sim não me importo de fotografar grátis!!!

 

   img_4512.jpg

 

  Quem resiste a uma boa foto???


Editado por kiak, 22 Fevereiro 2018 - 22:50 .



IT Partilhar Post #6 JoãoCRV

JoãoCRV

  • Membro
  • Registo: 14/02/2018
  • Posts: 51
    • Local: Lisboa e Montijo

Publicado 23 Fevereiro 2018 - 09:43

Kiak, bom dia!

 

mas com uma fotografia assim, quem poderia resistir? :)

 

não sei se criei confusão, todos os meus trabalhos de fotografia são voluntários e sem remuneração, evidentemente, mas já dei cursos de iniciação com pagamento de inscrição, só que esse valor reverte para associações de defesa de animais, como na associação Os Canitos, de Alcochete. Esta associação organiza passeios de domingo e à praia, entre futuros ou potenciais adotantes e cães abandonados recolhidos pelo canil municipal.

​Os potenciais adotantes vão até ao canil e escolhem o seu cãozinho de companhia para o passeio, há famílias com crianças, avós, e pessoas solitárias, vão-se criando laços de afetividade nestas saídas de domingo, promovendo-se a adoção responsável.

​obrigado pelas suas respostas. Sim, a alteração e imagens não é de agora, há casos célebres que recordo sempre, e são bem conhecidos, como no caso da manipulação de fotografias com Estaline e camaradas (à medida que iam sendo assassinados pelo ditador estes iam sendo apagados das fotografias) e, mais recentemente, costumo citar o caso da sala do gabinete de crise na Casa Branca norte-americana, em que o grupo reunido de emergência assiste ao fim de Bin Laden, em direto. Há duas mulheres na sala. Essas mulheres foram «apagadas» por um jornal israelita, que reproduziu a fotografia, por motivos mais do foro religioso que político.

​bem, voltando ao assunto, aqui fica um exemplo desses (re)encontros de domingo em Alcochete.

​abraço

DSC_1898.jpg




Partilhar Post #7 kiak

kiak

  • Membro
  • Registo: 18/03/2006
  • Posts: 3518
  • Idade: 44
    • Local: centro-norte

Publicado 23 Fevereiro 2018 - 11:33

   Bom motivo... também no que toca a instituições de apoio social ou neste caso animais não cobro por um convívio. 

 

   Mas atenção desde que ninguém ganhe nada com isso e tudo reverta para a instituição, é que andar a ser o "pai nosso dos aflitos"  e outros a lucrar está presente em alguns casos. 

  

  Por vezes torna-se difícil explicar que não há disponibilidade pois vou a uma ou duas instituições em convívio e depois aparecem mais 3 ou 4 com a conversa o senhor tirou fotos em A e B também podia vir aqui á nossa ...

 

     Ajudar os cães pode parecer estranho ajudar um animal e não uma pessoa, mas o cão não é falso com quem o ajuda, embora o cão faça tudo para que ter comida grátis e os cientistas digam que eles olham para nós apenas á espera de ordens, há uma coisa que o cão faz que nenhum outro animal faz, se colocar duas recompensas (comida) iguais  uma do seu lado esquerdo e outra do seu lado direito o cão vai para aquela que apontar com o dedo.Outros animais fazem o contrario vão para o lado onde não apontou para evitar confusão!!!

   Tal comportamento é típico de uma criança pequena!!! 

  

 

    A fotografia elaborada e fantasiada já existe mesmo no rolo, era frequente aclarar ou escurecer as soluções, depois dar mais cor etc...quando se fala em usar photoshop como sendo algo de novo e antigamente não havia é um erro comum pois alterar a revelação de rolo é só por si um digamos manualshop.

 

  Como disse atrás pintar o rei mais magro e mais alto e esconder algumas cicatrizes na pintura do quadro, também já tinha pincelshop!!!

 

 Se por sorte somos dotados de inteligência avançada, pois até agora em 400 planetas nada tem vida detectável nem inteligente e na física actual será difícil sequer mesmo que haja chegarmos até eles a tempo pois á velocidade da luz demora muito tempo também contando que o que estamos a ver pode já não existir sendo apenas reflexos de luz , somos uns privilegiados porque conseguimos criar uma maquina do tempo pois a fotografia não é mais que um feixe de luz roubado ao cosmos actual, um feixe de luz que aprisionei há 2 anos por exemplo quando adaptei o Boby.

 

  Na física já estamos lixados, e na matemática então estamos condenados, se considerarmos  a nossa existência com "1" e o espaço - tempo  como infinito,  1/infinito é um problema matemático  dividir uma unidade por uma coisa que não sabemos quantas vezes será dividida, por outro lado se tivermos  um infinito de inteligências num espaço-tempo  infinito... infinito/infinito  como temos duas unidades iguais seria  1 ... tal como 4:4 =1 ou 1289:1289 =1  :D  :D  :D  :D  :D

 

   De qualquer forma poderemos ser sempre  1 ...  vale mais aproveitar o que temos mais perto de nós para ter uma relação com outros seres com alguma racionalidade, com fotos coloridas sem fotos coloridas a preto e branco com fundo com dof... um infinito de possibilidades  que tivemos a felicidade de conseguir aprisionar no caos cósmico!!! 

   

   

 

  


Editado por kiak, 23 Fevereiro 2018 - 11:43 .



IT Partilhar Post #8 JoãoCRV

JoãoCRV

  • Membro
  • Registo: 14/02/2018
  • Posts: 51
    • Local: Lisboa e Montijo

Publicado 23 Fevereiro 2018 - 21:38

sim, Kiak, o universo parece corresponder a uma conceção unitária, eis o mistério do Big Bang, a desintegração do Um primevo não é mais que a expansão cósmica, nessa distração iniciática em que, pela grande explosão (abençoado Big Bang!) deus foi projetado para um lado, já ensurdecido (para sempre espantado, emudecido de espanto) e a humanidade foi projetada em direção diferente, para outro infinito. Mas o maior mistério é o da luz, esse recurso raro, dizem os astrónomos que a maior parte do universo deve ser sem luz, essa matéria negra que se imiscui por entre os corpos celestes como ramificações musculares e que dá estrutura ao próprio universo (e, no entanto, o universo continua em expansão), e dizem também que a maior parte do universo é silêncio - mas com isso passamos bem, suportamos melhor o silêncio que a densidade da escuridão. Não-ver é realmente a maior tragédia humana, pois mesmo a surdez ou a mudez são compensadas, de alguma forma, pela comunicação que estabelecemos com recurso à visão, ao gesto, ao sussurro mesmo pouco mais que grotesco ou gutural.
​Não tenho, no entanto, a perspetiva unitária da evolução linear e perfetibilista, deixo isso para a ecologia, para o seu primeiro ideólogo, Ernst Haechel, o cientista travestido de divindade com seu cetro na mão, cantando a teoria monista, a evolução de tudo desde coisas indiferenciadas e simples (tão dogmáticas como o numero Um) até às composições mais belas e mais heterogéneas, uma complexidade crescente, pois que a teoria ecológica até que era simples, a unidade só pode evoluir desdobrando-se no que é múltiplo, ganhando sempre novas valências de forma e energia. Talvez a Sabedoria esteja aí, irremediavelmente perdida no átomo unitário do mundo, no mistério do número Um que se transforma em infinito ]oito deitado, oito deitado[, espaço aberto de um lado, e do outro, sempre infinito até perder-se de vista! :) 
Eis que pretendemos reabilitar essa unidade inicial, esse silêncio onde tudo se reflete e vem morrer, eis o que o fotógrafo incessantemente procura, a unidade eterna, a perfeição, vencer a morte de uma paisagem no exato momento em que a aprisiona, pois mesmo a beleza de um rosto, mesmo o rosto da minha amada, tudo o que é verdadeiramente belo e admiramos num momento tende, no entanto, para a extinção.

DSC_0919.jpg 




Partilhar Post #9 kiak

kiak

  • Membro
  • Registo: 18/03/2006
  • Posts: 3518
  • Idade: 44
    • Local: centro-norte

Publicado 24 Fevereiro 2018 - 02:33

  De qualquer forma coloquem-me uma moeda na boca para o barqueiro , não se perde nada em ir prevenido :D !!! 




IT Partilhar Post #10 JoãoCRV

JoãoCRV

  • Membro
  • Registo: 14/02/2018
  • Posts: 51
    • Local: Lisboa e Montijo

Publicado 24 Fevereiro 2018 - 17:29

  De qualquer forma coloquem-me uma moeda na boca para o barqueiro , não se perde nada em ir prevenido :D !!! 

 

Talvez, kiak, e não me leves a mal... darei ao famigerado barqueiro uma moeda, sim, mas uma moeda de chocolate :) assim talvez ele saia comigo nesta mesma margem, e se converta à moderna sociedade de consumo e que, por mais uns tampos, se esqueça do seu ofício.

​Por vezes penso por que fotografamos?

Tal como numa conhecida personagem de As Mil e Uma Noites temos que manter a expetativa, o entusiasmo, a curiosidade acesa sobre algo que apenas enunciamos: está na fotografia. O que não dizemos. O que diremos apenas na fotografia seguinte, que acrescentará novo mistério.

​abraço

P1017501aa.jpg 




Partilhar Post #11 kiak

kiak

  • Membro
  • Registo: 18/03/2006
  • Posts: 3518
  • Idade: 44
    • Local: centro-norte

Publicado 26 Fevereiro 2018 - 14:50

   Fotografo porque não sei desenhar!!!

 

    Eu se tivesse traço artístico obviamente preferiria pintar um rosto ou uma paisagem mas como não sei a maquina fotográfica e o photoshop é a minha salvação!!!

 

  Podia pintar o "Tobias" escondendo tudo o que não me interessa apenas o "Tobias" mas como não o sei fazer a maquina e o photoshop tratam disso!!! 

 

   img_1610.jpg


Editado por kiak, 26 Fevereiro 2018 - 14:51 .



IT Partilhar Post #12 JoãoCRV

JoãoCRV

  • Membro
  • Registo: 14/02/2018
  • Posts: 51
    • Local: Lisboa e Montijo

Publicado 28 Fevereiro 2018 - 11:03

e desenhas muito bem, kiak, DESENHAS COM A LUZ. :)

de foto + grafia.

​eu fotografo porque me cansei das palavras, de certas palavras em contradição com o mundo. Por isso minhas publicações em revistas privilegiam a prosa. Digo mesmo que escrevo porque a poesia me abandonou (embora quem apresentou meu último livro, o ano passado, jure que nunca deixei de ser poeta).

​Mas certamente sei que escrevo melhor que fotografo. Mas que remédio! Também não sei pintar. Não ouso pintar, a não ser entrando nesse terreno movediço em que não nos podem apontar o dedo por ter feito uma fotografia duvidosa, ou sequer uma pintura de mau gosto - mas por ambas as coisas. :)

A fotografia é uma antecâmera do mundo, esse lugar predestinado para VER, ou o «ALEPH» de que falava Jorge Luís Borges (mesmo cego).

​(Por causa do que disseste fui confirmar algo sobre Cartier-Bresson, o surrealista. Aquele que negava a cor, na fotografia, mas que regressou à pintura. Perto dele somos fotógrafos comuns, e eu com muito menos qualidade que tu, mas temos que insistir [todos nós], compulsivamente.

A pintura não nos serve de alternativa).

abraço

praia.jpg

 

cao.jpg


Editado por JoãoCRV, 28 Fevereiro 2018 - 13:20 .



Partilhar Post #13 kiak

kiak

  • Membro
  • Registo: 18/03/2006
  • Posts: 3518
  • Idade: 44
    • Local: centro-norte

Publicado 28 Fevereiro 2018 - 12:41

e desenhas muito bem, kiak, DESENHAS COM A LUZ. :)

de foto + grafia.

​eu fotografo porque me cansei das palavras, de certas palavras em contradição com o mundo. Por isso minhas publicações em revistas privilegiam a prosa. Digo mesmo que escrevo porque a poesia me abandonou (embora quem apresentou meu último livro, o ano passado, jure que nunca deixei de ser poeta).



A fotografia é uma antecâmera do mundo, esse lugar predestinado para VER, ou o «ALEPH» de que falava Jorge Luís Borges (mesmo cego).

​(Por causa do que disseste fui confirmar algo sobre Cartier-Bresson, o surrealista. Aquele que negava a cor, na fotografia, mas que regressou à pintura. Perto dele somos fotógrafos comuns, e eu com muito menos qualidade que tu, mas temos que insistir [todos nós], compulsivamente.

A pintura não nos serve de alternativa).

 

   

   Uma vez encontrei o Filipinho não sei porque o nome, pois já era rapaz para 30 anos, com um bloco de folhas A4 papel cavalinho e um lápis á porta de um restaurante , onde desenhou em 5 minutos o rosto de uma criança, perante a admiração o pai perguntou quanto era o retrato=pintura e ele disse:

 

   " Se o senhor não se importar a diária neste restaurante parecem ser 5 euros  " - (já la vão uns 5 anos ou mais)

 

   Talvez eu não conseguisse com a máquina fotográfica os 5 euros para almoçar, com sorte talvez alguns 2 ou 3 euros com uma poleroid mas com sorte ...não resisti em meter conversa na mesa ao lado, e então o Filipinho andava pelas capitais da europa com o bloco na mão a fazer desenhos, sem dinheiro no bolso e contava como por vezes ia fazer uns desenhos para uma rua, para ganhar para o combustível  numa WG parecida com o pão de forma mas um modelo mais recente,para ir para a  próxima cidade...

  Por incrível que pareça á saída tinha 2 crianças, que os pais já tinham visto o retrato=pintura e mais um casal de namorados que queriam um desenho... sei que o senhor do restaurante veio dizer-lhe que podia usar a esplanada pois tornou-se um ponto de atracção para quem ia a passar e já que estavam a porta do restaurante...

 

 Imagino-me num Casamento a desenhar os noivos no Registo ou no Altar!!!  Tela , Oleo... e entregar duarnte o evento (os padres demoram que se farta a fazer aqueles rituais todos, cruz daqui mão dali, murro no peito...)  quanto poderia valer um serviço desses??? Ganhava mais do que 200 euros de certeza :D  :D  :D .

 

 Curioso, encontrei o Filipinho em Coimbra, como convidado, numa festa de Casamento e vi qual a prenda que entregou aos noivos, uma pintura deles dentro em tela com um expositor de restos de madeira que arranjou na "sucata"...ao explicar como se preparava a tela como se desenhava como se aplicava o verniz vi uma clara alegria e felicidade de vida contagiante. Aquilo sim é uma forma de vida apaixonante.

 

 Ficou-me sempre a duvida , porque será que a um pintor de mais de 30 anos chamam Filipinho? é não tive a minima coragem de lhe perguntar!!




IT Partilhar Post #14 JoãoCRV

JoãoCRV

  • Membro
  • Registo: 14/02/2018
  • Posts: 51
    • Local: Lisboa e Montijo

Publicado 28 Fevereiro 2018 - 13:56

   Uma vez encontrei o Filipinho não sei porque o nome, pois já era rapaz para 30 anos, com um bloco de folhas A4 papel cavalinho e um lápis á porta de um restaurante , onde desenhou em 5 minutos o rosto de uma criança, perante a admiração o pai perguntou quanto era o retrato=pintura e ele disse:

 

   " Se o senhor não se importar a diária neste restaurante parecem ser 5 euros  " - (já la vão uns 5 anos ou mais)

 

   Talvez eu não conseguisse com a máquina fotográfica os 5 euros para almoçar, com sorte talvez alguns 2 ou 3 euros com uma poleroid mas com sorte ...não resisti em meter conversa na mesa ao lado, e então o Filipinho andava pelas capitais da europa com o bloco na mão a fazer desenhos, sem dinheiro no bolso e contava como por vezes ia fazer uns desenhos para uma rua, para ganhar para o combustível  numa WG parecida com o pão de forma mas um modelo mais recente,para ir para a  próxima cidade...

  Por incrível que pareça á saída tinha 2 crianças, que os pais já tinham visto o retrato=pintura e mais um casal de namorados que queriam um desenho... sei que o senhor do restaurante veio dizer-lhe que podia usar a esplanada pois tornou-se um ponto de atracção para quem ia a passar e já que estavam a porta do restaurante...

 

 Imagino-me num Casamento a desenhar os noivos no Registo ou no Altar!!!  Tela , Oleo... e entregar duarnte o evento (os padres demoram que se farta a fazer aqueles rituais todos, cruz daqui mão dali, murro no peito...)  quanto poderia valer um serviço desses??? Ganhava mais do que 200 euros de certeza :D  :D  :D .

 

 Curioso, encontrei o Filipinho em Coimbra, como convidado, numa festa de Casamento e vi qual a prenda que entregou aos noivos, uma pintura deles dentro em tela com um expositor de restos de madeira que arranjou na "sucata"...ao explicar como se preparava a tela como se desenhava como se aplicava o verniz vi uma clara alegria e felicidade de vida contagiante. Aquilo sim é uma forma de vida apaixonante.

 

 Ficou-me sempre a duvida , porque será que a um pintor de mais de 30 anos chamam Filipinho? é não tive a minima coragem de lhe perguntar!!

:) bela estória (uma bela estória é uma forma de nos fazer sentir o pulsar do mundo, tal como uma bela fotografia - até pode ser a preto e branco).

​certamente, 200€ é pouco para um trabalho de qualidade, e repara que estarias a oferecer um trabalho que ficaria registado e daria gosto ver, um álbum sobre um casamento - arriscaria mesmo dizer que o teu trabalho iria perdurar mais que o casamento :)

​É isso que tem de trágico uma fotografia, porque a suspensão do tempo nos encaminha para uma paixão tardia por todos os momentos extintos.

​Mas achas que a fotografia perdeu o seu mistério? O mistério das coisas estava em que a sua REVELAÇÃO era uma obra que exigia uma atenção delicada e artesanal. Havia, então (em redor do pintor ou do fotógrafo), a forte expetativa que, sobre uma superfície ainda virgem, surgisse a figura do retratado ou, enfim, o abraço terno de dois namorados, o rosto feliz (ou amuado) da criança, até o avô doente segurando seu cão de companhia: a presença de tudo empurrava-nos para esse tempo expectante sobre o produto do trabalho: o domínio dos instrumentos, a arte do artesão, do fotógrafo ou do pintor!

​Tudo era um mistério, e a REVELAÇÃO haveria de aparecer! Agora parece tudo instantâneo, automático, um tempo breve (pelo menos na fotografia) que liga o produtor ao produto do seu trabalho - um tempo imediato (Clique! Já está! Olhe aqui!), que não permite a gestação de um entusiasmo familiar em redor do fotógrafo.

​Ainda por cima, todos reconhecemos no pintor o ofício artesão das tintas e do traço paciente sobre a tela - pode demorar mais ou menos tempo, um minuto que seja! E o retratado revê-se confiante na tela!!!! Mas um minuto ainda são sessenta segundos (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7...), e um respeitoso público assiste à criação, do nada, de uma forma que vai assumindo os contornos do retratado. E mais que isso! A pintura espelha a sua personalidade, na pose austera ou feliz.

​Numa fotografia parece ter-se perdido o mistério da produção.

​Razão, então, tinha CHARLES BAUDELAIRE ao julgar ver na popularização da arte fotográfica esse rebaixamento do fino gosto burguês, esse desperdício mundano de uma sensibilidade que, por ser rara, devia estar reservada a uma minoria.

Contudo, sabes muito bem o TEMPO que pode demorar um trabalho de edição - a nova forma de fazer REVELAR. E só pode haver REVELAÇÃO do que está oculto. A fotografia mostra-nos sempre, surpreendentemente, alguma coisa que não vimos no lugar, ou na pessoa retratada que conhecemos tão bem. Há sempre algo de surpreendente no que nos é dado a ver. O mistério permanece, não é?

​Mas este mistério tornou-se fruto de um tempo que só o fotógrafo (ainda) entende como TRABALHO?

Que tempo, em média, podemos passar frente a um computador a editar cada fotografia? Parece não haver mistério nisso, nem trabalho. 

​E repara ainda que (desde a invenção do NEGATIVO) a reprodutibilidade de uma fotografia parece fazer esquecer o tempo do seu trabalho. Mas na pintura, mesmo para se reproduzir uma imagem, é preciso que o original seja (re)criado, com os materiais e o tempo adequados, numa outra tela - a reprodução é trabalho para um artista! E a reprodução vale, em esforço e arte, o valor do original - é isso que o Filipinho fazia: peças únicas, retratos de um produto apenas.

nunca poderemos competir com o teu Filipinho. :(

​(O polaroid reserva ainda o mistério de produzir fotografias únicas, apesar de (quase!!!!) instantâneas) :)


Editado por JoãoCRV, 28 Fevereiro 2018 - 14:21 .



Partilhar Post #15 kiak

kiak

  • Membro
  • Registo: 18/03/2006
  • Posts: 3518
  • Idade: 44
    • Local: centro-norte

Publicado 28 Fevereiro 2018 - 16:15

A a poleroid é o início e a continuação poder ter uma imagem na hora como se tem no telemóvel como podemos ver no LCD da máquina ...poder ter a imagem é a razão do digital! !! A mística do fotógrafo com a caixa e o pano a tapar lhe o corpo continua mas tende a ser esquecida. Se calhar sem a poleroide não podíamos estar a ter este debate! !!


IT Partilhar Post #16 JoãoCRV

JoãoCRV

  • Membro
  • Registo: 14/02/2018
  • Posts: 51
    • Local: Lisboa e Montijo

Publicado 28 Fevereiro 2018 - 16:33

A a poleroid é o início e a continuação poder ter uma imagem na hora como se tem no telemóvel como podemos ver no LCD da máquina ...poder ter a imagem é a razão do digital! !! A mística do fotógrafo com a caixa e o pano a tapar lhe o corpo continua mas tende a ser esquecida. Se calhar sem a poleroide não podíamos estar a ter este debate! !!

 

é isso mesmo! :) é o fascínio pela produção material como algo que fisicamente se acrescenta, o digital não dá essa mesma sensação. :)

​num debate que participei (por uma minha exposição sobre jogadores de xadrez numa Coletividade na margem sul, onde moro) às tantas alguém da Direção quis responder sobre a razão de os jovens irem para ali jogar... xadrez!!!! com tantas atrações que há e jogos virtuais, de desporto e guerra, até há xadrez virtual! eheheheheh

​e ele respondeu: «É que o xadrez em tabuleiro tem peças, e é preciso mover as peças com a mão, tocar!». Pode parecer uma resposta tola, mas...

​O Polaroid deve ser o mesmo, é o que se aproxima mais do retrato «just in time», «just in place», do teu Filipinho.
​abraço e obrigado por me fazeres pensar.


Editado por JoãoCRV, 28 Fevereiro 2018 - 16:34 .



Partilhar Post #17 kiak

kiak

  • Membro
  • Registo: 18/03/2006
  • Posts: 3518
  • Idade: 44
    • Local: centro-norte

Publicado 28 Fevereiro 2018 - 21:24

"​O Polaroid deve ser o mesmo, é o que se aproxima mais do retrato «just in time», «just in place», do teu Filipinho."

 

 

    Mais tarde fiquei a saber que o  Filipinho é neto do sr professor Nicolau Firmino...

 

 

   Faleceu com 94 anos, em Lisboa, um mestre da genealogia da nossa Língua, professor Nicolau Firmino, tradutor de Vergílio e Cícero. 

 

  




IT Partilhar Post #18 JoãoCRV

JoãoCRV

  • Membro
  • Registo: 14/02/2018
  • Posts: 51
    • Local: Lisboa e Montijo

Publicado 01 Março 2018 - 10:21

"​O Polaroid deve ser o mesmo, é o que se aproxima mais do retrato «just in time», «just in place», do teu Filipinho."

 

 

    Mais tarde fiquei a saber que o  Filipinho é neto do sr professor Nicolau Firmino...

 

 

   Faleceu com 94 anos, em Lisboa, um mestre da genealogia da nossa Língua, professor Nicolau Firmino, tradutor de Vergílio e Cícero. 

 

  

​Meu relacionamento com o mundo universitário das Letras é limitado, disponho de traduções de Cícero e Virgílio, por Victor Buesco, responsável pelas aulas de História da Cultura Clássica, da Faculdade de Letras de Lisboa, e recolhi estas trraduções (de 1963 e 1964) no lixo ou quando, auspiciosamente, me desviava para o piso mais inferior da Universidade (já saudando este novo século) onde se despejavam livros de gabinetes, teses antigas de alunos e ensaios atirados para o mesmo destino: a cave mais profunda da Universidade, de onde todas aquelas obras perdidas seriam retiradas para o lixo.

​O poder da imagem, «naqueles tempos» mais antigos e promissores da Hespéria greco-latina, era tremendo, mas exposto pela arquitetura do poder, a majestade dourada dos deuses ou dos generais assassinos. Contra esse poder da imagem pública apenas a palavra podia servir de instrumento de emancipação coletiva. Essa é a força dos poetas, dos filósofos, e muito particularmente de Cícero. :)

​Mas será sempre através das ideias, e do que fazemos pensar para fazermos agir, que o mundo combate os poderes mais instalados que impõem a escravidão e a falta de esperança. Hoje, como nos tempos de Cícero, esse temido Orador frente aos orgulhos em transe e ânsias assassinas de uma audiência que o desprezou. Bem podia queixar-se Cícero que a palavra pode provocar a ira ou a indignação, a brandura ou a piedade, mas é preciso combater com ideias, de tal modo que

​«aquele que tiver penetrado profundamente na alma humana e nos impulsos da humanidade, ou nos motivos capazes de exaltar ou de abrandar os ânimos, não será pela palavra - seja ela qual for - que poderá atingir aqueles objectivos» (Cícero, in Do Orador I, trad. Victor Buescu).

​E creio que a fotografia aspira a essa faculdade, na vocação de denúncia do mundo e no combate mais profundo que pode até dispensar a palavra.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
​(Nas redes sociais de hoje o poder da imagem é tremendo: sobre diversos temas, neste mesmo assunto que motivou este tópico, sobre a adoção de animais abandonados, mas também sobre todas as formas de violência. O que se apela é sempre para uma consciência e, dentro das limitadas capacidades de cada um, uma ação consequente - nem sempre possível, e quando possível nem sempre praticada. :(

​Mas a fotografia está mais perto de mobilizar consciências e sensibilidades que o uso da palavra.

​(pelo Facebook amigos pediram-me e pediram a amigos que se divulgasse imagens da Síria e do seu terror de guerra... Por vezes precisamos de imagens para nos lembrar em que mundo vivemos, e das coisas menos belas e daquilo que verdadeiramente nos atormenta. É a fotografia que faz isso. E quantos fotógrafos arriscam a vida para salvar vidas?).