Fico extremamente curioso de ver os resultados da sua abordagem. Se tiverem que demorar alguns anos, que assim seja.
FK
Muito obrigado pela apreciação, FotoKhan.
Relativamente aos resultados, nem eu sei ainda o que vão ser...
Esta mini-série, em si mesma, ficou fechada aqui. Pode ser que resulte numa pequena mostra num painel colocado no local onde fiz os retratos, mas nem isso posso garantir.
Mas no entanto, nada me impede a voltar ao mesmo tema, com outras mini-séries... Que aliás, essas vão continuar certamente, embora neste momento, ainda não tenha local nem data programados para novas mini-séries deste género. Mas estou a tratar disso... 
O meu projeto de grande fôlego, é como uma cebola, com muitas cascas semelhantes, e pertencentes a um mesmo corpo. E também me faz chorar de vez em quando. 
Como também gosto de brincar com as palavras, vou dando vários nomes a cada uma dessas "cascas" do projeto, denominado genericamente de "Walking Camera Project". E esse sim, um projeto para a vida (pelo menos, enquanto eu tiver forças). Dentro dele, tenho depois a fotografia à lá minute, com diversos tipos de abordagens, desde as mais comerciais, passando pelas mais populares (retratos de feira), até a homenagens a outros tempos (podem ver aqui), e também essa abordagem, onde procuro linguagens um pouco mais "fora da caixa" para o género... Mas sempre fotografando com uma caixa!
Do que quero deixar aqui registado da minha experiência: a abertura ao mundo, e a permanente disponibilidade para caminharmos com a nossa câmara... Ou fazermos caminhar a câmara, como preferirem ("walking Camera"). Sendo que, no meu caso, a palavra é puramente metafórica, até porque, como é bom de calcular, com a câmara com que eu trabalho neste projeto, não é fácil de caminhar... 
Mas falo mesmo no aspeto simbólico: caminhar no sentido de descoberta do outro... E como "troco" dessa interação, da descoberta de nós próprios.
Nos dias de hoje, com a rapidez da vida, também as interações entre as pessoas ficam, muitas vezes, mais virtuais e superficiais. E o mesmo se passa com o "estar". A nossa presença, nem sempre é uma verdadeira presença: limita-se a um "ir ali fazer uma selfie, para pôr no FB". Mas nem se foi ali verdadeiramente (só lá foi o nosso corpo por momentos), nem foi feita uma verdadeira "selfie", já que, não nos estamos a fotografar verdadeiramente a nós, mas a um personagem, para consumo de rede social virtual... E que, ainda por cima, até pode despejar "likes" nessa imagem, mas não a "consome" verdadeiramente.
Por outro lado, e enquanto fotógrafos, com a rapidez com que podemos fazer um click e fugir, muitos de nós nem param um pequeno momento que seja, para contactar verdadeiramente com os "objetos" das suas imagens... Não sabemos quem são. E continuamos sem saber... São apenas alguém (ou algo, tanto faz) que foi fixe estar ali, que ficou mesmo bem no boneco. E se fosse um boneco, um boneco realista, em vez de uma pessoa, seria a mesma coisa.
Ora, eu não quero isso. Nunca quis! Para mim, a fotografia não é um fim, é um meio. Se me importa o resultado, importa-me muito mais o processo, a interação, a vivência que conduziu àquele resultado, àquela memória. E essa vivência, perde-se um bocado com o (mau) hábito de "disparar" e ir embora...
Nada contra o digital, isto não tem que ver com processos fotográficos, mas com atitudes perante a imagem fotográfica. O digital, apenas facilita a progressão de alguns maus hábitos (enquanto que o analógico facilitaria outros)...
Por outro lado, eu tenho uma personalidade que me dificulta certo tipo de abordagens mais interventivas perante as pessoas. Não as gosto de incomodar, prefiro ser eu "incomodado" (quero dizer "abordado") por elas.
Juntando todos este fatores, encontrei nesta abordagem, uma boa forma de reunir tudo o que eu desejava...
1 - Fazer fotografias com tempo, devagar, apreciando cada instante do processo e do ambiente...
2 - Interagir com os meus "objetos" fotográficos, que assim, deixam de ser objetos...
3 - Transmitir um pouco da minha paixão...
4 - Não incomodar ninguém, e ao contrário, proporcionar momentos de satisfação e relaxe, às pessoas que me abordem.
Destes 4 pontos, destaco especialmente o número 4, principalmente para crianças: é que, posso garantir a todos os pais, que através da minha "Fabulosa Máquina de Fazer Parar o Tempo", consigo pôr (e manter) as crianças quietas. 
Picacuca
Editado por Picacuca, 06 Março 2017 - 18:51 .