Fuji X-Pro1, X-Pro2, X-70, X-100F, XT-2. Máquinas a mais, talento a menos.
Publicado 28 Janeiro 2017 - 21:53
Hoje estou algo desiludido com a fotografia.
Estive (em Madrid) a assistir às comemorações do Ano Novo Chinês, e fui com a família ver o desfile dos dragões, dançarinos, etc. Muito engraçado. Como é natural, levei a máquina para captar uns momentos, mais para recordação que para qualquer outra coisa.
Mas... no desfile, por uma rua não muito larga e apinhada de gente, a quantidade de fotógrafos amadores (e profissionais) que se enfiava pelo meio do cortejo a fotografá-lo era assustadora. Como se não faltasse quase toda a gente no público estar de telemóvel na mão, braço bem esticado, a açambarcar o espaço de passagem dos artistas, havia quase tantos fotógrafos pelo meio deles como gente a desfilar. Algo exagerado, assustador, desproporcionado. No espaço de uma hora, no sítio onde estava, devem ter sido produzidos milhares e milhares de fotos digitais. Vi muito fotógrafo a trabalhar bem, a esforçar-se por apanhar bons enquadramentos e perspectivas interessantes, mas eram tantos que era quase impossível tirar uma foto em que não aparecessem vários fotógrafos.
Saí dali a pensar que estamos a perder qualquer coisa. É forçoso que o façamos, quer seja pela pura quantidade de fotografias produzidas, quer mesmo pela (menor, mas ainda assim considerável) avalanche de boas fotos que decerto surgirão.
Eu também já fui um desse fotógrafos (amadores) a fazer umas largas dezenas de fotos em eventos semelhantes. Aborrecia-me ver e ter de tratar as minhas próprias fotos, embora nem tivesse muito consciência disso, achava que era só a parte do pos processamento, mas hoje sei que não.
Por uma questão de qualidade, diferenciação, o que lhe queiram chamar, desde há uns anos estou mais voltado para o analogico. Não era esse o objectivo inicial, mas devido ao muito menor número de fotos, aproveito e desfruto muito mais as que faço, assim como a própria realidade no momento.
Quero acreditar que mais cedo ou mais tarde reparamos neste exagero e voltaremos a desfrutar mais da coisas.
Estou demasiado profundo para um sábado à noite, vou ali beber um copo.
Atravessamos uma época que tudo se regista. Tudo se fotografa tudo se grava.
Os espectáculos não são saboreados de outra forma que não seja atrás de um ecrã de telemóvel ou então de uma dSLR. Não interessa nada mais que não seja registar, registar...
Um básico fogo de artificio, um concerto, uma peça de teatro, um espectáculo de rua, um rali...é um esquadrão de "repórteres" e fotógrafos... A sua presença é somente para tirar 1000 fotos e colocar no Facebook...
A culpa será dos telemóveis que cada vez tiram melhores fotografias e das máquinas fotográficas "grandes" (tipo aquela dos fotógrafos profissionais) estarem a preços de saldo??
Isso é um dos efeitos da massificação. Não vale a pena criticarmos isso. É o que é. Quanto à qualidade da fotografia, isso depende do talento do fotógrafo e fotos de qualidade são raras. Fotografia de qualidade não consegue ser massificada. E um bom fotógrafo consegue tirar fotos incríveis de assuntos inesperados.
Há tempos vi um vídeo em que um comediante (Louis CK? Não me lembro ao certo) falava exactamente disto. As pessoas vão a eventos para passarem o tempo todo com a cara enfiada no telemóvel a filmar tudo e acabam por nem apreciar aquilo que está a acontecer à frente deles. Depois ficam com um vídeo gigante ou milhentas fotografias que nunca ninguém vai ver... Um bocado como aquele amigo que vai de férias e depois nos quer mostrar à força as 734 fotos que tirou
As pessoas vão a eventos para passarem o tempo todo com a cara enfiada no telemóvel a filmar tudo e acabam por nem apreciar aquilo que está a acontecer à frente deles.
Acho que isto é normal na gente nova, a impulsividade e a ânsia da partilha/exibicionismo. Os telemóveis e as redes sociais só vieram piorar isto
Felizmente à medida que os anos passam, essa ânsia abranda e começamos a dar mais valor às pequenas coisas, os sons, os cheiros, os comportamentos das pessoas...
Pensei que ias dizer que já experimentaste fazer um vídeo como ele sugere, só para testar se os teus amigos virtuais realmente vêem os teus vídeos mais do que 1 segundo.
Não entendi - em que parte está isso? Só vi 1 segundo
Era um bocado arriscado, mas muitos não vêm mais do que uns segundos. Existem aplicações que te dizem quantos segundos são vistos, em média, nos teus vídeos (acho que dá para ver mesmo no procrio Youtube).
Estive (em Madrid) a assistir às comemorações do Ano Novo Chinês, e fui com a família ver o desfile dos dragões, dançarinos, etc. Muito engraçado. Como é natural, levei a máquina para captar uns momentos, mais para recordação que para qualquer outra coisa.
Mas... no desfile, por uma rua não muito larga e apinhada de gente, a quantidade de fotógrafos amadores (e profissionais) que se enfiava pelo meio do cortejo a fotografá-lo era assustadora. Como se não faltasse quase toda a gente no público estar de telemóvel na mão, braço bem esticado, a açambarcar o espaço de passagem dos artistas, havia quase tantos fotógrafos pelo meio deles como gente a desfilar. Algo exagerado, assustador, desproporcionado. No espaço de uma hora, no sítio onde estava, devem ter sido produzidos milhares e milhares de fotos digitais. Vi muito fotógrafo a trabalhar bem, a esforçar-se por apanhar bons enquadramentos e perspectivas interessantes, mas eram tantos que era quase impossível tirar uma foto em que não aparecessem vários fotógrafos.
Saí dali a pensar que estamos a perder qualquer coisa. É forçoso que o façamos, quer seja pela pura quantidade de fotografias produzidas, quer mesmo pela (menor, mas ainda assim considerável) avalanche de boas fotos que decerto surgirão.
Se a nossa intenção é fazer o que os outros fotógrafos querem fazer, sim, pode ser frustrante.
Mas pode-se sempre tentar perspectivas alternativas:
"Food Frenzy", poderia ser o título...mas o que é "food" e o que é "frenzy", neste olhar diferente?
O "olhar diferente" pode começar logo no planeamento do que se pretende fazer e na antecipação de tais comportamentos colectivos.
Estive alguns anos à espera de fotografar as "Festas do Povo" em Campo Maior porque só são organizadas "quando o povo quer", como dizem os locais.
Sabendo que é um evento que atrai num fim-de-semana alargado para cima de 1 milhão de visitantes, tive que arranjar maneira de fotografar algo mais do que cabeças a olhar para cima, telemóveis e câmaras esticadas acima dos penteados.
Solução?
Contactar a Comissão Organizadora (...com a maior antecedência possível...), explicar o problema e pedir ideias, porque, mais do ninguém, estão "dentro" do evento e sabem quais as suas particularidades.
Resultado, fui informado de que as ruas são engalanadas durante uma única noite, para produzir o máximo efeito com a vila a "acordar" totalmente decorada e que as primeiras horas da manhã do primeiro dia são reservadas à população para que possa apreciar o que cada conterrâneo fez na sua rua.
Estribado nesta informação, fui um dia antes para Campo Maior e hospedei-me numm lojamento local, dentro da vila. Fui dormir muito, muito, muito cedo na véspera e, ás 3 da manhã, levantei-me e fui deambular e fotografar pelas ruas, apanhando a instalação final, uma horas de madrugada com as ruas prontas e practicamente sem ninguém - os locais, ruas prontas, tinham ido dormir umas curtas horas - e as tais primeiras horas do dia, reservadas aos locais,
A maioria das fotos que transmitem uma ideia "light" e uma prespectiva "fresca" sobre um qualquer assunto raramente são fruto do acaso, antes resultando de bastante esforço e planeamento.
Isto é especialmente verdadeiro para fotografia de paisagem, razão pela qual tenho tanta dificuldade em lidar com aqueles que, por aqui, desmerecem o trabalho do Joel Santos sem imaginar o esforço, dedicação e muitas vezes, frustração, intrinsecamente associadas ao tipo de grande Fotografia que faz, como tão bem é abordado neste vídeo.
...mas o que é verdadeiro para a Fotografia de Paisagem, é-o também para qualquer outro tipo de fotografia: Se tentarmos obter simplesmente o que os outros tentam obter, vamo-nos deparar com 2 tristes factos:
1. Ficamos, apenas, com o que os outros ficaram.
2. Tivemos que lidar com a obstrutiva presença desses outros.
No seu caso concreto, qual teria sido a minha abordagem?
1. Tentar descobrir qual o ponto de concentração para o início do desfile e fazer reportagem dessa fase.
2. Estar no desfile com a maior focal possível. O estreitar do campo de visão ajudaria a eliminar os elementos indesejados.
Abraço.
FK
(Já agora...Podemos ver o que "saiu"?...Afinal de contas, as imagens são para ser vistas....principalmente num fórum de Fotografia... )
Isto é especialmente verdadeiro para fotografia de paisagem, razão pela qual tenho tanta dificuldade em lidar com aqueles que, por aqui, desmerecem o trabalho do Joel Santos sem imaginar o esforço, dedicação e muitas vezes, frustração, intrinsecamente associadas ao tipo de grande Fotografia que faz, como tão bem é abordado neste vídeo.
Tenho a certeza que os Transformers do Michael Bay, dão imenso trabalho, tempo e dedicação além de dinheiro investido, mas isso também não os faz grandes Obras de Arte ou cinema...
Gostava de saber onde o FotoKhan leu o desmerecimento do esforço e dedicação relativamente ao trabalho do Joel Santos.
Já aqui várias vezes se falou que há quem goste mais e menos do resultado do seu esforço e dedicação, agora nunca vi ninguém a dizer que o Joel é um preguiçoso...
Gostava de saber onde o FotoKhan leu o desmerecimento do esforço e dedicação relativamente ao trabalho do Joel Santos.
Já aqui várias vezes se falou que há quem goste mais e menos do resultado do seu esforço e dedicação, agora nunca vi ninguém a dizer que o Joel é um preguiçoso...