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Foto

o fotografo que contratei para o meu casamento quer processar-me???!!!!


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44 respostas a este tópico

Partilhar Post #21 mt54

mt54

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Publicado 23 Junho 2016 - 22:09

Um dos problema da aplicação da justiça é o facto de os seus intervenientes frequentemente não entenderem verdadeiramente o que está em causa. Como pode um juíz perceber o argumento de que "o ficheiro em alta definição é como o negativo da foto" se já tiver nascido no tempo do digital? Não faz ideia do que é um negativo...

Pode alguém dirimir litígios nos mais variados domínios sem fazer ideia nenhuma do que realmente se passou, como as coisas funcionam, qual é a prática normal?

Noutras ordens jurídicas, o acesso à magistratura é limitado a quem já tem experiência de vida. Aqui, como em muitos outros países, vai-se para magistrado directamente dos bancos da escola...


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Partilhar Post #22 Emanuel M

Emanuel M

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Publicado 24 Junho 2016 - 04:07

Só se for um juiz de 18 anos...
E mesmo assim é capaz de ter uma ideia de que antigamente se usava rolo.

É como nascer depois da era da industrialização e não se saber que antigamente andavam em carroças puxadas por cavalos :P


Partilhar Post #23 Jocami

Jocami

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Publicado 24 Junho 2016 - 07:00

Um dos problema da aplicação da justiça é o facto de os seus intervenientes frequentemente não entenderem verdadeiramente o que está em causa. Como pode um juíz perceber o argumento de que "o ficheiro em alta definição é como o negativo da foto" se já tiver nascido no tempo do digital? Não faz ideia do que é um negativo...

Pode alguém dirimir litígios nos mais variados domínios sem fazer ideia nenhuma do que realmente se passou, como as coisas funcionam, qual é a prática normal?

Noutras ordens jurídicas, o acesso à magistratura é limitado a quem já tem experiência de vida. Aqui, como em muitos outros países, vai-se para magistrado directamente dos bancos da escola...

Eheheheheh, é por causa de raciocinios como este que neste nosso querido Portugal não há lugar para velhos nem para novos, os velhos são lentos, os novos não sabem.

"Quem tem boca vai a Roma".Quem não sabe pergunta....mas então cabe na cabeça de alguém que um juiz não saiba decidir uma questão destas porque não sabe o que é um negativo? Mas alguém nasce a saber tudo?

Na verdade, perante estes argumentos é difícil estar aqui a discutir este assunto...




Partilhar Post #24 mt54

mt54

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Publicado 24 Junho 2016 - 07:52

Eheheheheh, é por causa de raciocinios como este que neste nosso querido Portugal não há lugar para velhos nem para novos, os velhos são lentos, os novos não sabem.
"Quem tem boca vai a Roma".Quem não sabe pergunta....mas então cabe na cabeça de alguém que um juiz não saiba decidir uma questão destas porque não sabe o que é um negativo? Mas alguém nasce a saber tudo?
Na verdade, perante estes argumentos é difícil estar aqui a discutir este assunto...

E cabe na cabeça de alguém, para mais também fotógrafo, acreditar que lhe será fornecido UM CD com TODAS as fotografias do casamento em alta resolução? É que foi isso que lhe foi prometido, conforme ficou provado em juízo.

Quantos aos argumentos por mim usados na discussão deste assunto, não foram obviamente estes, mas sim os que foram expostos antes. Relembro:

"Daqui resulta que o tribunal deu como provado que:

- Foi celebrado um contrato (o qual não tem de ser escrito, atenção!)
- Foi contratado o fornecimento de fotografias aos convidados

Fica assim afastada a presunção do n.1 do art. 165° do CDA: o fotógrafo não abdicou dos seus direitos quantos às fotos, pelo contrário, contratou vendê-las aos convidados ao preço de 2€/cada.

Caso entregasse os "negativos" aos Demandantes, ficaria obviamente impossibilitado de exercer esse seu direito."

Finalmente, cada um tem a experiência que tem... Eu posso garantir que já vi serem tomadas decisões sobre assuntos que, manifestamente, o juiz desconhecia por completo. Claro que podia ( e devia!) ter-se informado. Lamentavelmente, não o fez. Seja por não querer dar parte de fraco, seja por não admitir ou sequer ter noção da sua própria ignorância.

Espero que nenhum dos membros do FF se veja confrontado com tal pesadelo!

Editado por MT54, 24 Junho 2016 - 07:53 .



Partilhar Post #25 Jocami

Jocami

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Publicado 24 Junho 2016 - 07:58

Finalmente, cada um tem a experiência que tem... Eu posso garantir que já vi serem tomadas decisões sobre assuntos que, manifestamente, o juiz desconhecia por completo. Claro que podia ( e devia!) ter-se informado. Lamentavelmente, não o fez. Seja por não querer dar parte de fraco, seja por não admitir ou sequer ter noção da sua própria ignorância.

Espero que nenhum dos membros do FF se veja confrontado com tal pesadelo!

Sim, é certo, mas certamente que alguém ficou satisfeito com essa decisão que não lhe agradou a si e achou que o juiz até sabia do que estava a tratar...ás vezes as pessoas convencem-se que têm razão sem a ter...




Partilhar Post #26 mt54

mt54

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Publicado 24 Junho 2016 - 08:14

Só se for um juiz de 18 anos...
E mesmo assim é capaz de ter uma ideia de que antigamente se usava rolo.
É como nascer depois da era da industrialização e não se saber que antigamente andavam em carroças puxadas por cavalos :P

O argumento até é engraçado, mas porque desejo sinceramente que percebas como as coisas realmente se passam por aqui, deixo um outro caso:

Há poucos anos, discutia-se num tribunal de Lisboa se uma empresa estava ou não obrigada a indemnizar outra por suposta violação de contrato. As negociações entre as partes tinham decorrido via fax. Tinha sido emitida uma factura pró-forma. O juiz, com cerca de 30 anos, não fazia a mínima ideia de como se operava um fax (se calhar nem nunca tinha visto um...) e confundia facturas, facturas pró-forma e notas de crédito, metendo tudo no mesmo saco. Foi o cabo dos trabalhos fazê-lo perceber o disparate que esteve prestes a cometer!

Um abraço.

Editado por MT54, 24 Junho 2016 - 08:24 .



Partilhar Post #27 mt54

mt54

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Publicado 24 Junho 2016 - 08:23

Sim, é certo, mas certamente que alguém ficou satisfeito com essa decisão que não lhe agradou a si e achou que o juiz até sabia do que estava a tratar...ás vezes as pessoas convencem-se que têm razão sem a ter...

Claro que sim, fica-se satisfeito quando se ganha e triste quando se perde - mas isso não tem nada a ver com ter ou não razão. Pode-se ter razão e perder, e vice-versa. O problema é quando perdemos por razões que não têm nada a ver com o mérito da causa...

Cumprimentos


Partilhar Post #28 APAF

APAF

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Publicado 24 Junho 2016 - 09:03

Um dos problema da aplicação da justiça é o facto de os seus intervenientes frequentemente não entenderem verdadeiramente o que está em causa. Como pode um juíz perceber o argumento de que "o ficheiro em alta definição é como o negativo da foto" se já tiver nascido no tempo do digital? Não faz ideia do que é um negativo...

Pode alguém dirimir litígios nos mais variados domínios sem fazer ideia nenhuma do que realmente se passou, como as coisas funcionam, qual é a prática normal?

Noutras ordens jurídicas, o acesso à magistratura é limitado a quem já tem experiência de vida. Aqui, como em muitos outros países, vai-se para magistrado directamente dos bancos da escola...

 

Isto verdadeiramente não é um problema. Podem ser contratadas pessoas que sabem da matéria. Somos frequentemente solicitados para participar em casos destes enquanto "peritos" (é a designação). Por norma é o tribunal que encomenda esses serviços por sugestão de uma das partes. Frequentemente essa parte faz-nos perguntas para argumentar tal como o juíz e há uma tabela própria para estes serviços (que tem de ser solicitado, já que por vezes se esquecem), dependendo naturalmente da dimensão e complexidade do processo.  


Editado por APAF, 24 Junho 2016 - 09:07 .



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Publicado 24 Junho 2016 - 09:37

Isto verdadeiramente não é um problema. Podem ser contratadas pessoas que sabem da matéria. Somos frequentemente solicitados para participar em casos destes enquanto "peritos" (é a designação). Por norma é o tribunal que encomenda esses serviços por sugestão de uma das partes. Frequentemente essa parte faz-nos perguntas para argumentar tal como o juíz e há uma tabela própria para estes serviços (que tem de ser solicitado, já que por vezes se esquecem), dependendo naturalmente da dimensão e complexidade do processo.

Bem sei, acontece em muitos casos. E também sei (sabemos) que nada impede que cada uma das partes apresente o seu perito, cabendo ao juiz "digerir" a informação, por vezes contraditória, que lhe é apresentada.

Relembro que no caso vertente foram consultados, ainda que na qualidade de testemunhas, dois fotógrafos profissionais, cujo testemunho suportou a posição do réu, tendo o tribunal usado esse testemunho na sentença e acabado por decidir exactamente ao contrário.


Partilhar Post #30 APAF

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Publicado 24 Junho 2016 - 10:16

Pois, é verdade que enquanto peritos sugeridos por uma das partes se dá mais ou melhores argumentos a essa parte. Também é verdade que depois cabe ao advogado sabe-los usar e perguntar mais por uns ou outros, e ressalvando as duas coisas aqui já referidas, a decisão contrária e o juiz, que pode não ter sido convencido da bondade dos argumentos, que é humano ou pode nem fazer ideia (tecnologicamente falando) do que se está a falar. Ressalve-se ainda que "perito" é ser honesto e não usar argumentos falsos ou inverosímeis.

 

Junte-se ainda uma outra questão, infelizmente quanto a fotógrafos. Alguns são ingénuos, com pouco poder de argumentação ou simplesmente só sabem de fotografia e não poucas vezes apenas do seu género de fotografia. Não basta ser-se profissional e perceber (só) de fotografia (com isto não estou a fazer nenhuma apreciação sobre os dois profissionais arrolados ao processo). Convém, além de fotografia de casamento (neste caso) saber de como se transacionam imagens e direitos no mercado da arte e das galerias, saber de outros casos da fotografia profissional em que a decisão correu a favor de uma das partes para os invocar (qualquer juiz não deixará de ser sensível a isso). Há muito que se afirma e hoje isso é cada vez mais necessário, que um fotógrafo seja capaz de debater qualquer assunto (o que significa poder de argumentação e cultura geral), seja capaz de falar em púbico, para uma plateia a apresentar o seu trabalho  ou para um tribunal (que significa tom de voz, ritmo e ser convincente, e ainda há dias fizemos um workshop nesse sentido) e pense antes de argumentar (que significa dizer algumas  coisas e outras não, face a advogados ou juizes que têm um conhecimento profundo da lei e sabem argumentar).

 

Continuo a dizer que este post é útil para precaver futuros casos.


Editado por APAF, 24 Junho 2016 - 10:24 .



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Publicado 24 Junho 2016 - 12:45

Pois, é verdade que enquanto peritos sugeridos por uma das partes se dá mais ou melhores argumentos a essa parte. Também é verdade que depois cabe ao advogado sabe-los usar e perguntar mais por uns ou outros, e ressalvando as duas coisas aqui já referidas, a decisão contrária e o juiz, que pode não ter sido convencido da bondade dos argumentos, que é humano ou pode nem fazer ideia (tecnologicamente falando) do que se está a falar. Ressalve-se ainda que "perito" é ser honesto e não usar argumentos falsos ou inverosímeis.

 

Completamente de acordo! Exactamente o que procurei transmitir, não sei se com muito sucesso... As pessoas, as que não são profissionais da área e têm a sorte de não precisarem ou o azar de serem forçados a "envolverem-se" com a justiça, não fazem nem ideia do que aquilo é, a complexidade, a contingência, a falibilidade, quantas vezes a injustiça. As causas são muitas, mas não vou entrar nisso, não é o local adequado.

O problema é que o desconhecimento de que falava leva as pessoas a serem "levianas", a pensarem que sabem, a assumirem que as coisas se passam desta ou daquela maneira. E depois vê-se.

O que me leva ao seu segundo parágrafo. Percebo a intenção de preparar os fotógrafos. O saber não ocupa lugar, em qualquer área. Dotar as pessoas de um conjunto de ferramentas que lhes permita conduzir melhor as suas vidas e os seus negócios, identificar melhor os riscos que correm e saber como os evitar, é certamente possível. Já quanto à preparação para enfrentar um tribunal... tenho as minhas dúvidas. Quantos casos conhece de pessoas bem falantes, de raciocínio rápido e boa argumentação, que uma vez na sala de audiências bloqueiam e não dizem nada, ou quando dizem só dizem o que não era suposto? Os rituais, a solenidade, o receio de dizer a coisa errada, tudo contribui para esse desfecho. Mesmo na qualidade de testemunha (onde como sabe tem mais hipóteses de se manifestar).

O melhor conselho que podemos dar, e já foi dado por si, é que consultem um advogado. Que não confiem na sorte, na seriedade alheia ou na própria capacidade para interpretar contratos e normas jurídicas. Bem sei que a vida está difícil e não apetece estar a gastar dinheiro com esses "malandros" (é assim que se diz, não é?) mas por vezes a poupança sai cara.

Veja-se o exemplo do "colega" que provocou todo este debate (refiro-me ao que fez as fotos do casamento, não ao queixoso). Quanto teria ele poupado se tivesse, algures no início da sua carreira, consultado um advogado para que lhe elaborasse uma minuta de um contrato que o defendesse de situações destas? O que de resto é igualmente válido para o queixoso. Quanto gastaram, os dois, em advogados? Era escusado se tivessem, como deveriam, reduzido a escrito o contrato de prestação de serviços, ficando claramente expressos os direitos e obrigações de ambas as partes.

Cordiais saudações.


Partilhar Post #32 _jn_

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Publicado 24 Junho 2016 - 14:09

Quem é que assinaria um contrato com uma clausula deste tipo:

 

O contratante não pode publicar as fotos executadas neste evento pelo contratado sem a sua permissão.

 

Isto subverte os papéis. O cliente ter de pedir ao fotógrafo para publicar as fotos do seu casamento.

 

Já agora gostava de ver mais exemplos de clausulas que defendam direitos do fotógrafo.




Partilhar Post #33 mt54

mt54

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Publicado 24 Junho 2016 - 18:23

No Direito das Obrigações, o que rege estas situações, a regra é tudo ser permitido desde que não seja proibido, isto é, qualquer cláusula contratual é admissível, a menos que viole um qualquer imperativo legal.

Quem assinaria um contrato com a cláusula sugerida? Provavelmente ninguém no seu perfeito juízo... Mas a questão, como quase sempre, resolve-se com um pouco de bom senso (digo eu...).

Confesso a minha ignorância quanto à actividade de Fotógrafo de Casamento (quando dei esse passo não contratei nenhum) mas julgo poder afirmar, sem correr o risco de ser desmentido, que o que o fotógrafo pretende é ver devidamente remunerado o seu trabalho, enquanto que o cliente pretenderá pagar o menos possível (tendencialmente será assim, haverá certamente excepções).

Imaginemos que o fotógrafo pretende ganhar 5000 (calma, é só um número, não disse em que moeda). Se o cliente estiver na disposição de pagar esse montante, o fotógrafo não tem qualquer interesse em colocar dificuldades à concretização do negócio, pelo que certamente entregará tudo e mais alguma coisa relacionada com o trabalho efectuado.

Se, como acontece muitas vezes, o cliente só quiser pagar uma parte do referido montante, o fotógrafo precisa de obter uma outra fonte de receita - a venda de fotos aos convidados. Nesse caso, percebe-se que não queira entregar imediatamente ao cliente os ficheiros/negativos indispensáveis à produção de fotos com qualidade equivalente às que ele poderia vender. Aqui chegados, como resolver? Apelando ao bom senso: a venda de fotos aos convidados tem certamente um "prazo de validade", isto é, não será expectável que passados x meses continue a haver procura por parte dos convidados (eu não sei determinar o valor de x, mas qualquer fotógrafo habituado a estas coisas estará em condições de o fazer). Assim, poderão acordar que durante os tais x meses (x pode ser igual a 1, ou 2, ou 6, ou 0.5, não faço ideia) o fotógrafo manterá em seu poder os ficheiros originais em alta resolução, tendo assim hipótese de obter a tal receita adicional, sendo que uma vez decorrido esse prazo deverá entregá-los ao cliente.

Isto é apenas uma hipótese, outras haverá. É questão de pensar nelas. Mais uma: podem acordar que ao preço pedido pelo fotógrafo será abatido o valor das fotos vendidas a convidados. Deste modo, o fotógrafo recebe sempre o montante que pretende pelo seu trabalho e o cliente tem todo o interesse em que ele venda o maior número possível de fotos aos convidados.

O que pretendo demonstrar é que há certamente maneira de proteger todos os interesses envolvidos.

Outra coisa é a questão dos direitos de autor sobre as fotografias. Assumindo à partida que não é área que domine, parece-me bastante duvidoso que seja legítimo ao cliente, ainda que proprietário das mesmas, editá-las a seu belo prazer... Uma coisa é publicá-las, disponibilizá-las na net tal qual estão, outra será "destruir" o trabalho do artista, o qual é protegido pela lei (CDA). Mas também aqui será tudo uma questão de chegar a acordo... Imagino que pela quantia certa a maior parte dos fotógrafos se esteja pouco ralando!

Espero que não fique a ideia de que penso que os fotógrafos de casamentos são uma espécie de mercenários, que só pensam em dinheiro. Não é isso, de todo. Mas imagino que também para eles a vida não esteja fácil e que não se possam dar ao luxo de se armarem em vedetas.


Partilhar Post #34 MLopes

MLopes

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Publicado 28 Junho 2016 - 11:06

no caso de fotografia de casamento penso que há talvez dois aspetos muito importantes para o fotógrafo (numa perspetiva de outsider sem conhecimentos específicos na área): assegurar o recebimento do justo valor pelo trabalho realizado e garantir que o seu trabalho não é adulterado pelo cliente (excluindo, eventualmente, meros crops) sem o seu conhecimento e autorização.

 

para além disto, qualquer outra coisa parece-me descabida. retenção de negativos parece-me descabida, proibição de o cliente publicar as fotos onde quiser parece-me sem sentido, etc.

 

por outro lado, acho que é lógico reter os negativos, impôr uma proibição de publicação, etc, até ao pagamento integral do serviço. parece-me também que tem sentido uma cláusula que obriga o cliente a pedir autorização ao fotógrafo para publicar fotos que lhe foram fornecidas e que por si foram editadas, para além, eventualmente, de meros crops.

 

para mim não tem sentido que o cliente possa editar a seu belo prazer fotos de um profissional e publicá-las sem o conhecimento e autorização dele. é o trabalho do fotógrafo que está em causa e será a sua perspetiva estética que é alterada/subvertida sem a sua autorização. no final é a imagem do fotógrafo perante terceiros que está em causa e isso não tem sentido algum estar na disponibilidade total dos clientes. já se o cliente edita as fotos do fotógrafo mas não as coloca a público não tem sentido que tenha que haver qualquer autorização ou sequer conhecimento do fotógrafo.

 

haverá quem diga que há clientes que até podiam melhorar o trabalho do fotógrafo. até pode haver casos em que isso seja uma realidade mas como o gosto é uma coisa relativa, se o fotógrafo quer (ou apenas consegue) ter uma determinada "assinatura" é essa "assinatura" que ele tem direito a ter, goste-se mais ou menos, seja boa ou má (é totalmente relativo).

 

os contratos nesta área parecem-me super simples de fazer. a regra base já aqui foi citada, tudo é permitido desde que não seja contrário à lei. mesmo que o contrato contenha cláusulas contrárias à lei elas serão consideradas como não escritas, pelo que os direitos das partes estarão assegurados.

 

pensando bem, talvez o mais importante seja a existência efetiva do contrato. tenho a sensação que em muitos casos ele nunca chega a existir o que, para além de um mau princípio, é uma potencial fonte de problemas e mal entendidos, tal como o poderá ser a excessiva complexidade do mesmo. contratos simples, claros, e adaptados para irem de encontro às preocupações específicas de cada cliente, sem deixar de assegurar os interesses do fotógrafo, são uma clara mais valia para os envolvidos.

 

muitas vezes replicar no contrato direitos já legalmente protegidos, e que aí não precisavam de estar escritos, tem interesse pedagógico. concentra num único documento uma súmula da legislação que de outro modo seria, para muitos, difícil de encontrar ao mesmo tempo que lembra às partes, de forma explicita e acessível, quais são os seus direitos e deveres e quais os respetivos limites. na prática, tratar-se-ia de também transcrever a legislação mais relevante para o contrato.

 

no final o mais importante é, como quase sempre, a simplicidade, o bom senso e o respeito.


Editado por MLopes, 28 Junho 2016 - 15:41 .



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zalle

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Publicado 28 Junho 2016 - 17:33

Há duas coisas que eu vejo neste processo.

 

Se o cliente escolheu um fotógrafo, em vez de um dos outros 5000 que há no mercado, é porque gostou do trabalho dele, logo, para que é que vai andar a editar fotos? Se não gosta das fotos/edição deste, escolhia outro. A não ser que tenha escolhido o mais barato, e então ficou uma bela cag#$&#, e é óbvio que o noivo quer andar a editar e cropar as fotos...

 

Outra coisa, quando um fotógrafo de casamento entrega as fotos em formato digital, elas são para uso pessoal sendo que, qualquer publicação (que não seja uma publicação pessoal, fazendo referência ao dito fotógrafo), deverá ter prévia autorização do fotógrafo (direitos de autor), tal como o fotógrafo deverá ter autorização dos noivos para usar as fotografias num contexto publicitário (direitos de imagem).

 

Estou certo ou não?




Partilhar Post #36 luísmiguel

luísmiguel

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Publicado 28 Junho 2016 - 20:11

Há duas coisas que eu vejo neste processo.

Se o cliente escolheu um fotógrafo, em vez de um dos outros 5000 que há no mercado, é porque gostou do trabalho dele, logo, para que é que vai andar a editar fotos? Se não gosta das fotos/edição deste, escolhia outro. A não ser que tenha escolhido o mais barato, e então ficou uma bela cag#$&#, e é óbvio que o noivo quer andar a editar e cropar as fotos...

Outra coisa, quando um fotógrafo de casamento entrega as fotos em formato digital, elas são para uso pessoal sendo que, qualquer publicação (que não seja uma publicação pessoal, fazendo referência ao dito fotógrafo), deverá ter prévia autorização do fotógrafo (direitos de autor), tal como o fotógrafo deverá ter autorização dos noivos para usar as fotografias num contexto publicitário (direitos de imagem).

Estou certo ou não?


Estás certo.

Há de todos os tipos de clientes,
Há os que querem um serviço adaptado ao seu gosto , escolhem um fotógrafo pelo portfólio, sabem o que querem e pagam a esse fotógrafo, que eles escolheram entre os outros "5000" , o que ele lhes pede.

Há os que querem um serviço o mais completo possível, embora não saibam exactamente o que querem ,mas procuram saber, selecionam "meia dúzia de fotógrafos" e vão ver qual a melhor qualidade preço para o serviço que procuram.

Há os que querem tudo e mais alguma coisa mas que não querem pagar quase nada....Normalmente estes só têm fotógrafo porque "todos os casamentos têm um" e não porque percebam realmente o trabalho dele....sem se importarem com o tipo de trabalho sequer!! Tem é que haver umas telas de oferta , um álbum de 45x45 pra cima, mais dois álbuns para os pais , um video de 4horas e um CD com todas e mais algumas fotos!!!


Há também, obviamente, vários tipos de fotógrafos.....
Uns sabem lidar com os vários tipos de clientes, outros especializam-se apenas num tipo.....e depois há os que não sabem sabem lidar com nenhum...

Quando o último tipo de cliente se encontra com o último tipo de fotógrafo, aí o mais provável é haver chatice.
Ganância de um lado e estupidez(ou ingenuidade/desconhecimento) do outro, normalmente dá asneira
(Não estou a dizer que tenha sido este caso específico atenção!!!)

Nada como sentar á mesa explicar e mostrar o que se faz, e do outro lado ouvir o que se espera.....e obviamente nunca ninguém se levantar antes de estar tudo esclarecido....seja verbalmente seja redigido num contrato.


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duffy

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Publicado 03 Maio 2019 - 15:58

Desculpa desenterrar este tópico mas deves ter arranjado o mesmo "fotografo" (chamar fotografo a alguém que tem esta postura é denegrir uma classe profissional) que eu.

 

Tínhamos um contrato em que entregava tudo em 40 dias úteis, andei 1 ano e 3 meses após esse período "atrás" dele para conseguir alguma coisa até ao dia em que me bloqueia o número e de seguida recebo um email de uma advogada a ameaçar-me para o deixar em paz senão processava-me  :mellow:

 

Tive de meter advogados, mas incrivelmente, a advogada dele também não responde aos meus advogados ou quando responde, demora 1 a 2 meses a fazê-lo. Consegui um álbum impresso que parece que foi feito por uma criança de 5 anos e continuo à espera das fotos e vídeos.... Já lá vão 2 anos e picos  :(

 

Já agora, para que outros não caiam no mesmo erro que eu, estou a falar do Mário Monteiro de Coimbra 


Editado por duffy, 03 Maio 2019 - 15:59 .



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_jn_

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Publicado 03 Maio 2019 - 17:11

Histórias estranhas! Não quero por em causa a veracidade dos relatos mas que são estranhas são memso!

 

Como contrataste o fotógrao? Não foste a casa, escritório ou estúdio do fotógrafo quando o contrataste?

 

Já pagaste tudo?

 

Assinaste contrato? Se sim, o que diz ele em relação a essa situação?

 

Agradeço a resposta para conseguir perceber o que falhou e servir de ajuda para quem vai passar por situação de contratar pessoas para fazer um serviço.




Partilhar Post #39 duffy

duffy

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Publicado 07 Maio 2019 - 10:03

Histórias estranhas! Não quero por em causa a veracidade dos relatos mas que são estranhas são memso!

 

Como contrataste o fotógrao? Não foste a casa, escritório ou estúdio do fotógrafo quando o contrataste?

 

Já pagaste tudo?

 

Assinaste contrato? Se sim, o que diz ele em relação a essa situação?

 

Agradeço a resposta para conseguir perceber o que falhou e servir de ajuda para quem vai passar por situação de contratar pessoas para fazer um serviço.

 

Sim é verdade, parece uma novela mexicana mas é tudo real, tenho todos os emails e sms em que ele assume que está atrasado, com mil e uma desculpas de erro informático, internamentos e com promessas atrás de promessas que é na próxima semana que entrega tudo.

O contrato não está assinado, ficou acordado que a transferência de um montante serviria para honrar o mesmo, como já fiz isto com outros assuntos, não me pareceu descabido, afinal ele tem porta aberta em Coimbra e achava eu que tinha alguma dignidade pela reputação que herdou do pai.

 

Legalmente, o contrato como está é como se fosse um acordo verbal, por isso vale o que vale. 

 

Neste momento já só queria os ficheiros RAW para poder fazer eu o trabalho pelo qual paguei.

 

Infelizmente, só quando isto me começou a cheirar muito a esturro é que fui vasculhar muito na web e parece que já não é a primeira vez que o faz, para tentar que não haja rasto, vai mudando o nome comercial, eu contratei como LovePhoto, mas já foi EstudioM e neste momento é Mario Monteiro Photography.

 

Deixo o link de uma história igualzinha à minha mas nesta operava como EstudioM.

http://web.archive.o...otografo-alerta

 

Perceber o que passou nesta história, não dá para perceber, basicamente é alguém que se apanha com o dinheiro do lado dele, tem uma amiga advogada que manda uns emails com ameaças de processos e as pessoas com esta história toda e como já têm as recordações daquele dia praticamente estragadas, acabam por desistir.

 

 

 




Partilhar Post #40 kiak

kiak

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Publicado 20 Maio 2019 - 23:47

              Dar opinião sem conhecer os detalhes reais é complicado!!!   Usar o bom senso para resolver e uma ida a Fátima a pé também não será mau de todo, sempre ajuda a ter fé.