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Foto

Porquê os estrangeirismos?


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73 respostas a este tópico

Partilhar Post #61 Calinga

Calinga

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Publicado 27 Março 2015 - 01:03

'Clarão' é um nome giro para Flash.  ^_^

 

e.g.,

«Eia, tenho de mudar as pilhas do clarão outra vez.»

 

O chato da tradução de termos técnicos como estes, é sempre o mesmo: ou se traduz tudo, ou não se traduz nada. 

 

Eu cá prefiro o meio termo - o de não considerar ignorante quem lê, e deixar para o senso comum desse mesmo leitor (à partida interessado, e minimamente versado em tal matéria técnica) a compreensão da mensagem.




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Partilhar Post #62 agomes

agomes

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Publicado 27 Março 2015 - 02:32

'Clarão' é um nome giro para Flash.  ^_^

 

e.g.,

«Eia, tenho de mudar as pilhas do clarão outra vez.»

 

O chato da tradução de termos técnicos como estes, é sempre o mesmo: ou se traduz tudo, ou não se traduz nada. 

 

Eu cá prefiro o meio termo - o de não considerar ignorante quem lê, e deixar para o senso comum desse mesmo leitor (à partida interessado, e minimamente versado em tal matéria técnica) a compreensão da mensagem.

 

Claro que, e tu como tradutor de profissão bem o sabes, podes traduzir a palavra inglesa "flash" para português como "clarão", só que serão precisas bem mais do que as tuas aptidões profissionais para conseguires "mudar as pilhas" ao teu "clarão".

 

E, é pelo menos um factor de elevação do ego de qualquer mortal a quem seja dado ler as tuas traduções o saber que lhe concedes o crédito de ter a capacidade para compreender o que lhe transmites, porque não queres considerá-lo ignorante ao ponto de não ser capaz de o fazer. O diabo é que o pobre, no caso de não ser capaz de processar a tua mensagem de forma inteligível, pode acabar a ter uma crise por pensar ser, realmente, muito burro e o pior de tudo é saber que de nada lhe valerá chegar ao pé de ti e pedir " por caridade, senhor tradutor, explique-me lá isto como se eu fosse muito burro" porque a resposta que esperaria ("deixo isso ao seus senso comum") ainda o iria afundar mais.  :)

 

O termo que apontei no post anterior não é da minha lavra e deixei bem claro: "flache é já a forma registada no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa".

 

É sabido que este Dicionário até levantou alguma polémica, como é natural em obras destas que mexam com algumas coisas estabelecidas, e a maior parte das publicações do género considera "flash" como uma forma já assimilada e parte do léxico português, pelo que, a seguir essa opinião, nem estarias a fazer uma tradução.

 

Por outro lado, tens algumas obras, como é o caso do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, que adoptam os dois vocábulos como sinónimos, ou fontes estrangeiras que te traduzem a palavra inglesa como "flashe" em português (vê, por exemplo, aqui e ao fim da página, no ponto 3 da secção "translation" o que eles indicam para "flashlight": http://www.thefreedictionary.com/Flash ) .

 

Ao correr a longa lista dos sinónimos e aplicações da palavra "flash" compreendo como é difícil a tua profissão de tradutor e porque não será tão estranho como isso o dito "Traduttore, traditore" e, tendo já passado os tempos em que se usava sem problemas "relâmpago electrónico", nem consigo calcular bem o problema com que te debaterias se tivesses de traduzir do chinês tradicional, sem saber como decidir se devias usar flash, flache, flashe ou se manterias o original e deixarias ao nosso bom senso como interpretar  手電筒.  :)

 

Ah!, não sei bem se me deva arriscar a dizer isso mas, no meio de tantos usos para "flash", se quiseres mudar a pilha talvez te devas limitar ao "flashlight" de que o nosso "flash" é apenas uma versão abreviada...mas, claro, isso sabes tu bem demais e talvez esteja a fazer a figura de "quem quer ensinar o padre-nosso ao vigário".  :hmm:


Editado por agomes, 27 Março 2015 - 12:10 .



Partilhar Post #63 nbplopes

nbplopes

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Publicado 27 Março 2015 - 08:23

O termo flash penso ser um mau exemplo para explicar alguma dificuldade de compreensão de quem lê frases onde são usados estrangeirismos, na minha opinião. Eu mesmo antes de estar interessado em fotografia, já sabia o que significava no contexto de uma máquina fotográfica.

 

No meu contexto pessoal, quando comecei a ler umas coisas sobre fotografia em Inglês e deparava-me com um texto em Português que usava todos os termos técnicos possíveis nessa língua, para mim era chinês. Não conseguia processar facilmente. O mesmo acontecia com alguns textos brasileiros. Isto adicionado ao facto de que estava mesmo a aprender o ABC só complicava, pelo que decidi optar apenas por textos numa língua e numa segunda fase, quando o ABC está mais interiorizado, preocupar-me então com a transposição de termos entre narrativas de línguas diferentes.


Editado por nbplopes, 28 Março 2015 - 10:17 .



Partilhar Post #64 agomes

agomes

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Publicado 30 Março 2015 - 02:37

e já agora, muitas das siglas que usamos são estrangeirismos, só para citar alguns exemplos:

 

SLR, AEL, HDR, ND, TLR, EVF, OVF, TTL, RGB...

 

 

 

Bokeh

High key

Bulb

Tilt/Shift

STOP

...

 

Depois de uns dias sem actividade, vamos a ver estes "desafios" adicionais:

 

1. SIGLAS

 

Por natureza, as siglas não podem ter tradução pois isso está reservado para as palavras que elas representam. 

 

Posto isto, e caso se aceitem as traduções destas palavras, o que dizer das siglas?

 

Aqui poderemos ter três vertentes, a partir de dois casos: (1) Forma-mo-las com base nas palavras em português; (2) Usamos as siglas estrangeiras porque se tornaram mais ou menos universais, e quando escrever-mos o seu extenso fazê-mo-lo em português; (3) idem, mas usamos o extenso estrangeiro (e, ainda poderíamos distinguir entre os que estão inteiramente cientes do seu significado e os que o fazem "porque sim, e talvez".

 

SLR

 

Máquina fotográfica reflexa, assim chamada porque vemos, focamos e enquadramos a imagem reflectida num écran onde a cena é reflectida através dum espelho colocado, num certo ângulo, entre a objectiva e o plano do filme (sensor), e deste modo eliminando o erro de paralaxe apresentado pelas máquinas com visor óptico directo e, em menor medida, das máquinas reflexas com uma objectiva apenas destinada a preencher aquelas funções e colocada por cima da que obtém a imagem a captar.

 

Ao contrário da imagem que nos vem imediatamente à mente, as reflexas iniciais não são as que deram origem às actuais reflexas digitais, que nos possibilitam ver a cena tal como ela é (em sentido de orientação), o que só é possível porque entre o espelho e o écran de focagem existe um prisma que inverte a imagem transmitida por aquele (prisma que nos modelos das gamas mais baixas é substituído por um jogo de espelhos que produzem o mesmo efeito de um prisma de cristal único, a que em inglês se designa por "penta-mirror" (prisma pentagonal de espelhos))**. 

 

Como exemplos mais conhecidos das reflex de uma só objectiva que não têm, forçosamente, um prisma e oferecem uma imagem invertida no écran de focagem temos as máquinas dos chamados formatos médios, como as Hasselblad ou as Bronica. No entanto, devido ao seu tipo modular, é possível adaptar-lhes prisma para mostrar a imagem com o alinhamento "natural".

 

No formato 35mm, existe uma disputa acerca de qual foi a primeira reflex de objectiva simples, entre o inventor russo do conceito e a tida geralmente como tal, a Exacta lançada em 1936 e que ainda mostrava a imagem invertida (estive para comprar uma coisa destas, quase de certeza que não das fabricadas nas primeira fornadas, há uns três/quatro anos, numa feira de velharias em Oeiras), mas logo em 1937 a Zeiss lançou a primeira máquina com prisma e que corresponde à imagem que nós temos hoje deste tipo de equipamento. 

 

Dito isto, quando se usa a sigla SLR (que até será das mais toleráveis, pela sua divulgação) será que se está a significar algo preciso ou, mesmo na língua original, o seu uso generalizado já peca por inexactidão?

 

De qualquer modo, não será por impossibilidade de tradução que não se poderão arranjar equivalentes na nossa língua, como: RLU (para reflexa de lente única) ou R (para reflexa, como fórmula o mais simplista possível).

 

AEL

 

"Automatic exposure lock" não é tão difícil de traduzir assim: Fixação da Exposição Automática (e não Fixação Automática da Exposição, o que teria um sentido diferente).

 

​Por isso, se quiséssemos usar as respectivas iniciais também não era impossível: FEA

 

AFL

E, mesmo que tal não figure na lista acima, o mesmo se poderia aplicar para AFL, com tradução do extenso 

para Fixação da Focagem Automática e a respectiva FFA.

 

AF-on

O mesmo se poderia fazer para AF-on, com Accionamento da Focagem Automáticaa-FA.

 

HDR

 

"High Dynamic Range" -  sendo um processo que pretende fixar gradações de tons entre o mínimo das sombras  e o máximo das altas luzes captadas pelos sensores digitais, logo do que se chama a "dynamic range" destes, não parece ser impossível encontrar termos para o definir na nossa língua.

 

Em fotografia, e por simplificação, costuma-se usar isso com referência a um sistema de oito bites (2), cuja representação gráfica (histograma) apresenta um eixo dos X com valores de 0 a 255.

 

O "HDR" aparece-nos via computação gráfica e permite-nos trabalhar, ao combinar imagens captadas com tempos de exposições diferentes, com processos que vão fazer cálculos com base num sistema de 32 bites e, depois, fazer algumas manipulações e voltar a reduzir a "base numérica" de volta ao nível inicial, para permitir a sua visualização nos écrans normais ou impressão.

 

Neste contexto, a tradução literal para Alta Gama Dinâmica não escandalizaria nem pareceria, certamente, "tosca", tal como a formação duma sigla representativa destas palavras (AGD), havendo também quem traduza para Grande Alcance Dinâmico, o que daria outra ordenação às letras da sigla.

 

E, note-se que, na prática, o que se obtém é uma Gama Dinâmica Estendida e não o que verdadeiramente se passa em termos das bases dos sistemas numéricos utilizados no processo, mas esta designação já é utilizada para a utilização de exposições diferentes em camadas ("layers") para a utilização selectiva das zonas de sombras e altas luzes durante a edição digital, obtendo uma imagem final com uma gama de tons superior ao de qualquer das gravadas nos ficheiros utilizados.

 

ND

 

Este é dos que surpreende ser incluído na "família das traduções impossíveis", pois, sendo a sigla para designar os "Neutral Density Filters" a sua tradução literal parece óbvia: Filtros de Densidade Neutra, o que, se também for simplificado como no inglês, daria DN (eu sei que o Diário de Notícias também usa essa sigla :-) , mas o que se trata aqui não é bem do uso mas da possibilidade de arranjar "tradução" para as originais ).

 

TLR

 

"Twin Lens Reflex" - já as referi quando falei nas reflex e também não parece impossível traduzir este nome, quer seja como Reflex de Dupla Objectiva ou até Reflex de Objectivas Gémeas, embora pense que "Twin Lens" é "muito inglês" mas que em português bastaria dizer "duas" porque ninguém iria pensar que se iriam usar objectivas diferentes, uma para avaliar e outra para captar a mesma imagem.

 

Se assim fosse, talvez não seja difícil ver qual seria a sigla no nosso idioma.

 

(Como curiosidade - este tipo de máquina até foi a primeira reflex em que pus as mãos, por generosidade dum amigo, fotógrafo profissional, que fazia a gentileza de me deixar "dar umas voltinhas")

 

EVF e OVF

 

"Electronic Viewfinder"  e "Optical viewfinder"

 

Nisto de visores, e ao contrário de muitas outras coisas, nós até simplificamos mais do que o inglês e basta-nos dizer visor e não necessitamos de estar a dizer que ele é um "encontrador" seja lá do que fôr...

por isso, Visor Electrónico e Visor óptico parecem ser traduções inquestionáveis, tal como, se as quiséssemos usar, VE e VO, respectivamente.

 

TTL

 

Significando "Through the lens metering", cuja tradução é Medição (da Luz) Através da Objectiva, também não parece mostrar uma impossibilidade, podendo até ser escolhido MAO ou, se quisermos descartar a palavra "medição" como é feito em inglês, AO.

 

RGB

 

Esta sigla, na verdade, corresponde a uma norma de transmissão de sinais e, como tal, poderia dizer-se que não seria necessário a sua tradução. No entanto, não é isso que se passa noutros países e, por exemplo em Espanha, a Real Academia Espanhola recomenda o uso da sigla RVA (note-se que estas recomendações podem acabar por se estender a 21 países), e também em França se usa RVB.

 

Por isso, será assim tão estranho ou "manhoso" que se considere uma sigla correspondente à forma com as três cores primárias se chamam em português?

 

Red = Vermelho ou Encarnado

Green = Verde

Blue = Azul

 

Não poderia dar EVA para evitar a repetição de uma letra em VVA (sigla também possível, apesar disso)?

 

O uso de estrangeirismos em siglas, independentemente das razões porque isso acontece, não parece que seja devido à impossibilidade de nos expressarmos na nossa língua. Dizer que é por "provincianismo", por preguiça, porque são convenções estabelecidas (serão?), ou qualquer outro motivo, já é outra história.

 

Bolas, já se fez tarde como tudo e ainda não passei das siglas! Por isso, vou ficar por aqui e talvez volte para as "palavras difíceis" que constavam da citação (isto não é uma ameaça :) )

 

Boas  :foto:  :foto:

 

----------------------------------

Notas:

(1) Aqui podem ver uma comparação: 

 

(2) Bit já entrou nos nossos dicionários por via da informática, sendo um acrónimo de "Binary Digit", que é o nosso Dígito Binário (zero ou um).


Editado por agomes, 30 Março 2015 - 02:43 .



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ternopil

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Publicado 30 Março 2015 - 09:46

Isto é como usar o photoshop em inglês, e do nada passar para o português. Aposto que vais estar bem confuso. 




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agomes

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Publicado 30 Março 2015 - 10:46

Isto é como usar o photoshop em inglês, e do nada passar para o português. Aposto que vais estar bem confuso. 

 

Isso é uma coisa completamente diferente e o que dizes é tão comparável com esta questão como, para muita gente,  o estar a escrever em português e "do nada" passar para inglês.

 

Para evitar isso, continuas a falar/escrever em português e esperas que o senso comum do "bife" interprete o que tu dizes/escreves? Ou, para falar inglês e não ficar confuso, continuas a meter "buchas" em português?

 

Isso faz-me lembrar uma história relacionada com os muitos "cajados" que temos tido na nossa expressão oral, continuamente renovados enquanto outros passam de moda, e os introduzirmos quando comunicamos com um falante do inglês, na sua língua materna. Como por exemplo temos o "prontos," que já foi, ou o ainda mais antigo "pá" que, sobretudo pelos lisboetas, eram metidos a torto e a direito na conversação coloquial. Ora, um conhecido meu não estava pelas meias medidas e, volta não volta, quando estava a falar com ingleses metia os seus "pás" em tudo quanto era frase, para espanto dos seus interlocutores (até houve alguns que,de princípio, me referiram isso sem entender bem a razão ou o significado de tão estranho "som", mas a dificultar-lhes o entendimento).

 

Quanto ao photoshop (palavra que até é uma marca registada e não um estrangeirismo :-) ), por essas e outras é que continuo a usar as versões em inglês. Não só porque foi com as que comecei como as versões "em português" nos vinham por via indirecta e nos levavam a "salvar" ficheiros e a usar outras palavras que também não eram as nossas.

 

Como já referi, isso é outra história e este assunto não veio à baila por algum português falar inglês ou preferir a versão inglesa dum programa. Mas, podes crer que ainda há muitos portugueses que ainda ficam bem mais confusos se tiverem de usar o photoshop em inglês.  :)

 

E, nota que o autor do tópico nem tão-pouco é absolutamente contra o uso de todo e qualquer estrangeirismo tal como não o começou com o fim de defender a sua total erradicação.


Editado por agomes, 30 Março 2015 - 11:10 .



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lesteves

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Publicado 30 Março 2015 - 20:47

Eu tento ver estes termos não como estrangeirismos mas sim como uma forma da comunidade mundial estar mais uniformizada, eu posso ver aqui um comentário com os ditos estrangeirismos e se já souber o que é posso comparar diretamente a informação com outros sítios mas se forem traduzidos, caso ninguém me diga nada estou limitado à informação (online) em português que é bastante mas comparada com a em inglês não é nada.




Partilhar Post #68 agomes

agomes

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Publicado 31 Março 2015 - 01:21

Eu tento ver estes termos não como estrangeirismos mas sim como uma forma da comunidade mundial estar mais uniformizada, eu posso ver aqui um comentário com os ditos estrangeirismos e se já souber o que é posso comparar diretamente a informação com outros sítios mas se forem traduzidos, caso ninguém me diga nada estou limitado à informação (online) em português que é bastante mas comparada com a em inglês não é nada.

 

Desculpa mas, por um lado,  parece que estás a confundir um tanto ou quanto as coisas e, por outro, não deves estar a avaliar muito bem o que chamas de "uma forma da comunidade mundial estar mais uniformizada".

 

Não há absolutamente nada de errado nesses termos ou em os utilizares nas plataformas ou ocasiões em que a comunicação seja estabelecida na língua a que os mesmos pertencem e o problema só pode começar quando eles são tudo o que possuis para usar quando tenhas de utilizar a tua língua materna, encaixando-os nas tuas exposições como se fossem algo que toda a gente tenha de entender.

 

O vocabulário da língua portuguesa, como os de muitas outras, é formado por palavras de muitas origens, que ao longo dos tempos foram sendo adaptadas e assimiladas.

 

Mas, a língua não é apenas um meio de comunicação e tem outras vertentes importantes pelo que uma língua que, em certo momento histórico, não seja capaz de encontrar formas de expressão autónomas corre certos riscos de iniciar um percurso a caminho de se tornar uma língua morta, subjugada pelas capacidades dominantes de uma língua que, para além dos termos das técnicas e tecnologias, imponha os modos de estar, cultura e ideologia de que é veículo.

 

E, quer por estes motivos quer pelo desaparecimento progressivos de falantes, há muitas línguas menores a extinguir-se ou em risco de isso acontecer, a nível mundial.

 

Por isso, há uma grande diferença entre estar e interagir numa comunidade mundial mais globalizada e perder a identidade a um ponto em que isso acarrete uma descaracterização uniformizada a nível global.

 

Para essa interacção numa comunidade mundial tens toda a vantagem em te expressar numa língua que te permita abranger uma grande percentagem da mesma e, para felicidade dos ingleses e americanos, cuja "queda" para falar outras línguas é notória, o Império Britânico e depois a supremacia dos EUA após o "eclipse" daquele (algo que só os ingleses parece ainda não terem notado :-) ), alavancada pelo desenvolvimento tecnológico depois da II Guerra Mundial, acontece que o inglês está a desempenhar essa tarefa na área geo-estratégica em que estamos incluídos.

 

Mas, o inglês não só não é a língua com mais falantes nativos (à frente estão o mandarim e o espanhol) como a nossa língua até se encontra entre as mais usadas a nível mundial (http://en.wikipedia....native_speakers), e mesmo na internet (http://www.internetworldstats.com/stats7.htm ). 

 

Para usares uma língua de forma eficaz necessitas de te sintonizar de modo a que os teus raciocínios também se "efectuem" de acordo com ela e seres capaz de "fazer a agulha" quando mudares para outra. Se numa dela não encontrares formas de te exprimir e tiveres de encaixar demasiadas palavras da outra, para mais sendo a tua língua nativa, das duas uma: ou não dominas os conceitos tão bem como pensas ou, então, começas a deixar de a dominar como seria de desejar.

 

Claro que defender a abolição completa do uso de estrangeirismos seria uma rematada palermice, como também o é utiliza-los em demasia, mesmo quando não haja razão para tal e, repito, não só é essa a posição do iniciador do tópico como creio que será a atitude mais razoável.

 

Sobretudo quando se trata de falar ou escrever para portugueses não familiarizados com assuntos demasiado específicos, atirar-lhes com uma "chuva" de siglas e palavras estrangeiras não só não é a melhor maneira para eles apreenderem o que se lhes está a dizer como, mesmo sendo em inglês, nunca sabemos se, para muitos, isso não será..."chinês".

 

Por tudo isto, é sempre bom lembra-mo-nos que outros, como por exemplo os franceses, não têm complexos com estas questões e, para eles, RGB (red-green-blue) é RVB porque as suas cores primárias são "rouge", "vert" e "bleu", mesmo estando a falar duma norma estabelecida para a transmissão de sinais.




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irreal

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Publicado 01 Abril 2015 - 12:49

Obrigado pela explicação sobre iliteracia, mas sendo o Inglês a minha língua materna acho que não tenho grandes dificuldades de compreensão.

 

 

 

Hummmm... Não expliquei o que era iliteracia em inglês. Mas como o português não é a tua língua materna eu desculpo-te a confusão.

 

 

O post não passou de humor, algo sarcástico, deixa-me explicar:

 

Chamares hater a alguém não é humor sarcástico! É chamares um nome (ofensivo porque o termo, em si, acarreta uma característica muito redutora de uma pessoa: alguém básico e sem argumentos)  porque não concordas com essa pessoa.

 

>Alguém posta tópico mostrando-se indignado com estrangeirismos

>Eu posto um comentário cujo conteúdo é um estrangeirismo a criticar alguém que fica indignado com alguma coisa

 

Indignado não é o mesmo que irritado (e só fico irritado quando a utilização é feita, tal como foi referido, com abusos parolos)

 

 

>Profit? 

 

Reflexão, reflection, réflexion, etc. E isso já conta. E bastante. 

 

 

E "à lá facebook" qual quê, isto existe antes do facebook pensar em existir.

 

Isto o quê? As frases feitas? Os estrangeirismos? A teoria da deriva continental? O Universo? 




IT Partilhar Post #70 irreal

irreal

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Publicado 01 Abril 2015 - 12:51

Depois de alguns dias afastado do mundo cibernético verifico, com agrado, que uma parte significativa dos participantes percebeu aquilo que eu pretendia "discutir" e existiram contributos muito preciosos (em especial o serviço público, como foi referido pelo Marco, por parte do agomes - que referiu várias vezes o facto de eu não ser contra o uso absoluto de "inglesismos" - o que, tal como foi dito, seria uma palermice) para o assunto em causa.

 

Bem, tenho de ir fazer um cleaning ao meu sensor que está cheio de pontos blacks que me irritam ainda more que o abuso de estrangeirices.  :)




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agomes

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Publicado 01 Abril 2015 - 16:28

e já agora, (...)

 

Bokeh

High key

Bulb

Tilt/Shift

STOP

...

 

Pegando no "e já agora" do reclycle, termino o que tinha iniciado com as abreviaturas:

 

Bokeh

 

Este é um dos mais curiosos estrangeirismos, por um lado porque a palavra não existe nos dicionários ingleses (experimentem pedir o significado à versão online do Oxford English Dictionary) e, por outro, porque não passa da segunda versão da sugestão de pronúncia correcta para os falantes de língua inglesa, feita nos anos 90 (do sec. XX) pelo editor de uma revista de fotografia.

 

Inicialmente, a proposta foi "Boke" e só mais tarde apareceu o nosso Bokeh...não sei se, porventura, tivessem receio dos escoceses não gostarem da coisa pois, em linguagem popular, por aquelas paragens "boke" também se usa com o significado de vómito.  :D

 

Portanto, ao usar a palavra Bokeh (termo que, de facto, se tem generalizado nas publicações e artigos sobre fotografia), não estamos a fazer mais do que a transcrição fonética do que alguém achou que era o que melhor se adaptava para os falantes de língua inglesa usarem uma palavra japonesa para desfocagem (boke), a qual, por sua vez, já era uma simplificação para definir a qualidade da desfocagem (boke-aji).

 

Ora, como nós também não somos japoneses, se quisermos usar a transcrição fonética da palavra deles também poderíamos arranjar uma versão adaptada ao português, mas acabamos por empregar a versão dos ingleses e pronunciar "buquê", quando o som do que eles usam é mais "bouque" ou "bouquei" (desculpem a adaptação "liberal" do modo de transcrição fonética).

 

Ou seja, escrevemos o "som" deles e pronunciamos com o nosso mas consideramos que não é possível usar uma palavra que o reflicta...curioso, não é?

 

O que se pretende exprimir é o sentido de "boke-aji" (qualidade da desfocagem) e este é bastante subjectivo e difícil de resumir numa só palavra nas línguas ocidentais e, daí, usar-se a palavra japonesa "boke" como simplificação. A razão disto advém do facto da escrita do japonês tradicional ser ideográfica e estas palavras já serem uma "tradução" dos respectivos ideogramas.

 

Para além do "problema" linguístico, e dado o carácter subjectivo do conceito, ainda pode haver alguma confusão acerca do que se está a falar quando a ele nos referimos, havendo quem se lhe refira para designar a desfocagem em vez da "qualidade" desta nas zonas desfocadas da imagem, e sobretudo de como avaliar essa "qualidade".

 

Sobre isso, fica aqui um artigo, simples e interessante: https://photographyl...m/what-is-bokeh

 

High-Key

 

Este é, realmente, um termo que se vulgarizou mas que, no entanto, não impede que haja quem o traduza e, até, use essas traduções a nível de ensino, como podem ver aqui: http://homepage.cem....riales/LKHK.pdf

 

Haveria várias traduções possíveis, e talvez melhores do que as equivalentes Chaves Altas do exemplo anterior, como, por exemplo, Registro em Altas Luminosidades ou Registro em Altas (para simplificar) pois, mesmo este não sendo um dos estrangeirismo mais "ofensivos", não é de esperar que seja de apreensão imediata para todas as audiências.

 

A propósito: mesmo se pode aplicar a Low-Key.

 

Bulb

 

Em relação a esta palavra, importa especificar se estamos a falar de iluminação ou de exposição pois são dois dos usos que tem em fotografia.

 

Para o primeiro caso, a tradução por lâmpada ou foco (luminoso) parece óbvia e dispensar estrangeirismos.

 

Mas, muito provavelmente, o que se queria designar era o modo de exposição que nos aparece nos visores das máquinas digitais quando os tempos de exposição são mais longos do que elas são capazes de fazer em modo automático.

 

Primeiro, vamos às origens:

 

Durante algum tempo a exposição fotográfica era controlada retirando uma tampa da objectiva, deixando entrar a luz considerada como necessária e voltando a colocar a tampa para terminar a exposição. 

 

Depois, apareceram os obturadores e, com o aumento da sensibilidade dos materiais sensíveis e o desenvolvimento destes, a possibilidade de regular tempos de exposição cada vez mais curtos e, ao mesmo tempo, arranjar forma de efectuar exposições longas, também chamadas de pose.

 

Os primeiros acessórios para efectuar as poses longas eram constituídas por um bolbo (ou bulbo) de borracha ligado a um tubo do mesmo material que, quando pressionado, accionava o obturador por um processo pneumático que também o fechavam quando aquele era solto e voltava a receber de volta o ar, dando origem à denominação de Pose de bolbo ou Pose-B.

 

As palavras bolbo ou bulbo podem ser usadas em português para os objectos cuja forma sugira as que se podem encontrar na natureza, normalmente seguida da sua qualificação, como aqui o "bolbo de borracha".

 

Os avanços tecnológicos permitiram o aparecimento de obturadores que, quando armados, permitiam a exposição pelos tempos pré-determinados e, para as poses mais longas do que o máximo que eles temporizavam, o uso de uma bicha metálica que os abriam enquanto se premia e fechavam o obturador quando se aliviava a pressão.

 

Algumas destas bichas tinham até um sistema de parafuso que permitia manter o obturado aberto sem estar a carregar e o fechavam quando se aliviava o aperto do parafuso. Provavelmente para facilitar a operação e obter o mesmo resultado, apareceram obturadores que permitiam exposições ditas temporizadas, mas que não passavam dum sistema que accionava o obturador quando se premia a primeira vez e fechavam o diafragma ao fazer isso uma segundo. Aparecia, assim, a pose temporizada ou

Pose-T.

 

Com a introdução da electrónica, os visores das máquinas passaram a mostrar a palavra "Bulb" e quase desapareceu a regulação de Pose-T, salvo algumas excepções recentes em que, com o aparecimento de estilos retro, voltaram opções desse tipo, como é o caso das Fuji X100, S e T.

 

Por isso, não devemos ter qualquer complexos, se e quando se quiser, em usar os termos portugueses ou, o que talvez fosse ainda mais apropriado, a designações de Pose-B ou Pose-T.

 

Tilt/Shift

 

Estas são formas de expressão inglesa para designar certas funcionalidades das câmeras com movimentos (de fole e/ou das placas traseira e frontal)** e, mais tarde, das objectivas*** que também permitem alguns deles, neste caso os de "Tilt" e "Shift".

 

Este termo deve suscitar,  sobretudo, a lembrança das objectivas, mas duvido que quando isso acontece estes termos ingleses sejam tão intuitivos para a maioria não ter qualquer dúvida sobre o que são o "tilt" e o "shift" e como acertar a objectiva de acordo.

 

No entanto, eles não designam mais do que movimentos em relação ao plano do filme/sensor e o uso de termos portugueses até pode facilitar as coisas, não só para comunicar com pessoas menos familiarizadas com o tema como, até, para muitos os que pretendem usar tais lentes (que me perdoem os que não têm qualquer problema, mas eu ainda não estou totalmente isento disso e sinto-o mais quando leio do que quando uso a que possuo).

 

Assim, temos: tilt = inclinação; shift = desvio e tilt/shift = inclinação/desvio. Pelo que o uso da designação em inglês poderá ser uma escolha mas não se deve a dificuldades ou deficiências do léxico português.

 

Estas objectivas também são designadas por Objectivas com controlo de perspectiva, designação que, aliás,  é igualmente usada em inglês ( Perspective control lens).

 

STOP

 

Jugo que não se refer ao STOP dos sinais de trânsito, nos quais já é usado por convenção internacional, mas sim ao termo no âmbito das aberturas das objectivas, e aqui esta palavra não passa duma simplificação de F-stop a qual, por sua vez, agrega duas coisas: o F, enquanto abreviatura para designar uma relação ente a distancia focal da objectiva, e stop, para designar cada uma das regulações que permite duplicar ou diminuir a entrada de luz em relação às imediatamente anterior e posterior, respectivamente.

 

O F, como sabem, é calculado dividindo a distância focal da objectiva pelo diâmetro da íris, ou diafragma, e os "stops" não são mais do que os pontos ou passos do diafragma que, nas objectivas com anel de diafragmas mecânicos, correspondiam a posições que ofereciam uma certa resistência (embora mínima) que nos permitem "sentir" quando há a mudança, o que era obtido através dum conjunto de ressaltos internos e duma esfera que "sinalizava" quando entrava neles.

 

Mais tarde (?), começaram a ser vulgares objectivas em que os "estalidos" ( ou "clicks", se preferirem o estrangeirismo) se verificavam para valores mais aproximados, designados como meio ponto ou um terço de ponto de abertura do diafragma.

 

Se repararem nos anéis frontais de muitas objectivas da Canon, Nikon ou Pentax (por exemplo) a indicação da abertura máxima é de 1:2.8 ou 1:4 (simplificação de F 1:2.8 ou F 1:4) e não F2.8 como é vulgar ver em muitos textos, na internet e até usado por algumas marcas****. E, este tipo de designação não é mais do que uma replicação da fórmula de cálculo do F.

 

Por isso, em português poder-se-á indicar pura e simplesmente F, pontos (ou passos) de diafragma ou pontos-F se quisermos seguir a lógica da denominação inglesa, já que uma tradução literal nos daria algo F-pontos por eles inverterem a ordem dos termos.

 

Para terminar, não será por impossibilidade de tradução que nos vemos forçados a usar estrangeirismos, sobretudo quando esse uso atinge as proporções, e nas condições, que levaram o irreal a iniciar este tópico.

 

Boas  :foto:  :foto:

 

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NOTAS:

 

Para os menos familiarizados com este tipo de equipamentos aqui ficam ligações para páginas (em inglês) em que o assunto é tratado, caso a curiosidade o justifique:

 

**  -  http://en.wikipedia....iki/View_camera

 

*** - http://en.wikipedia....ve_control_lens

 

---------------------------------------

**** - Claro que não refiro o caso dos zoom de abertura variável, onde isto é mais normal para evitar indicações longas e até a correr o risco de imprecisão, dada a forma como o valor de F varia e a distância focal real corresponde ao acerto no anel da objectiva.


Editado por agomes, 01 Abril 2015 - 16:41 .



Partilhar Post #72 Paulo de Almeida

Paulo de Almeida

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Publicado 01 Abril 2015 - 17:48

Assumo a minha culpa, mas nao o faco por uma questao de pedantismo, como foi sugerido.

 

Lido com fotografia ha relativamente pouco tempo (pouco mais de 2 anos) e tudo o que aprendi foi em ingles. Nao sei a traducao de muita coisa, tento faze-lo enquanto escrevo mas muitas vezes ate me atrapalha o raciocinio, por isso, creio que se torna mais facil - ao menos para mim - escrever da forma que se aprende.

A mim, ao contrario, faz-me alguma confusao ouvir (ou ler) profundidade de campo em vez de depth-of-field, so para dar um exemplo... Nem sequer conhecia o termo antes de o ver escrito aqui no forum (ou sera forun?)...

 

Creio que, infelizmente, o topico mostra a (ainda muito) retraida mentalidade portuguesa. E por favor, nao me falem dos espanhois (ou franceses). Passem algum tempo em Espanha - eu fi-lo ha uns anos atras - e tentem ver filmes com actores e actrizes (e as suas vozes), dobrados 'for the sake of it'... 




Partilhar Post #73 Paulo de Almeida

Paulo de Almeida

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Publicado 01 Abril 2015 - 17:49

Eu acho que muitas vezes é porque tanto o Gajo Novo como o Jójó ou o Xico, pura e simplesmente, não sabem os termos em português!  Nunca aprenderam, lêem coisas em inglês, vêm aqui ao fórum ou ao Facebook e levam com os mesmos estrangeirismos e por isso nunca chegam a aprender que Sharp, diz-se Nitidez, DOF é profundidade de campo, Shutter é obturador, Wide é angular (ou amplo? esta nem eu sei, ehehe), etc, etc.

 

 

 

Exactamente!

 

Ah... Obturador; ha tanto tempo que procurava o termo... Hehehe

 

;)


Editado por Paulo de Almeida, 01 Abril 2015 - 17:51 .



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agomes

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Publicado 01 Abril 2015 - 20:03

 

(...)

A mim, ao contrario, faz-me alguma confusao ouvir (ou ler) profundidade de campo em vez de depth-of-field, so para dar um exemplo... Nem sequer conhecia o termo antes de o ver escrito aqui no forum (ou sera forun?)...

 

Creio que, infelizmente, o topico mostra a (ainda muito) retraida mentalidade portuguesa. E por favor, nao me falem dos espanhois (ou franceses). Passem algum tempo em Espanha - eu fi-lo ha uns anos atras - e tentem ver filmes com actores e actrizes (e as suas vozes), dobrados 'for the sake of it'... 

 

"aqui no forum (ou sera forun?" - Essa, por acaso, não é das mais fáceis mas uma coisa de posso, desde já, garantir: não é forun.

 

Pode ser que daqui a alguns anos estas coisas sejam mais fáceis para as novas gerações, se o aumento do ensino do latim for avante. :-)

 

Esta palavra vem do latim forum, plural fora. O significado disto era praça pública e se quiseres botar figura a citar do latim tens o teu problema resolvido.

 

Em português, a raiz latina evoluiu para fórum e, num maior "aportuguesamento", foro

Há quem prefira esta forma por ser mais fácil fazer o plural ( foros ), enquanto o da outra fórmula dará fóruns. Mas, mesmo sem ser o  "legítimo", também nada te impede de usar o singular fórum e foros o plural pois também há quem defenda isso.

 

Esse teu exemplo da dobragem de filmes nada tem a ver com este debate apesar de haver muita gente por cá que já tenha tentado seguir o exemplo, que está longe de ser exclusivo de qualquer dos dois países que referiste e só pode ser entendido como uma tentativa bacoca de defesa da língua local, umas vezes por nacionalismo exacerbado e outra por razões política, já que assim podem controlar não só o que é exibido como a "correcção política" dos diálogos

.

 

O problema da dobragem é que, com excepção dos documentários em que isso não se passa sempre com o mesmo grau de importância, as peças (filmes, séries ou peças de teatro) são obras de que  som faz parte integral e, por melhores que os actores intervenientes e as técnicas utilizadas, a interpretação é sempre amputada nesse processo. E, para além do ridículo de ouvir o "John Wayne" dizer "manitas arriba!" com uma voz "fininha" ainda corremos o risco de ouvir muitos mais actores originais a falar com a "mesma voz".

 

Se não fosse a integridade artística da obra e da interpretação dos actores , tal como as interpretações ao vivo de um mesmo actor, que são únicas, os argumentos a favor da dobragem até têm o seu valor pois creio que quase toda a gente se lembra de muito boa gente a soletrar legendas em voz suficientemente alta para ser audível para quem está perto e, mesmo assim, sem conseguir fazer isso com a velocidade suficiente para apreender todo o diálogo.

 

Mas, por cá não há muitas vozes contra contra a dobragem de peças infantis e toda a gente sabe que a facilidade de aprendizagem de línguas estrangeiras na primeira infância é maior, tal como não parece que, a não ser para pessoas que andem a estudar a língua em causa, a legendagem tenha levado, só por si, muita gente a falar línguas estrangeiras. Basta pensares o que os espectadores portugueses aprenderam de sueco com os filmes do Bergman ou com séries televisivas que nos venham da Escandinávia ou Alemanha, faladas nas respectivas línguas.

 

E, isto digo eu que nunca passei longos períodos em Espanha mas fui criado suficientemente perto da fronteira para estar exposto às emissões de rádio e televisão que de lá vinham. 


Editado por agomes, 02 Abril 2015 - 02:01 .