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Foto

Se o Photoshop fosse banido ....


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321 respostas a este tópico

Partilhar Post #41 deim

deim

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Publicado 02 Junho 2014 - 09:49

Penso que estão a perder objectividade daquilo que é dito. Aliás, penso que nem se quer estão a perceber a questão levantada pelo Eriwitt.

 

Outro fotóhgtafo que escreve mais a mesma coisa mas de forma diferente, Nem se quer fala do Photoshop.

 

“A photograph is not created by a photographer. What they does is just to open a little window and capture it. The world then writes itself on the film. The act of the photographer is closer to reading than it is to writing. .... ”

 

Ferdinando Scianna, Italian, b. 1943 

 

http://designyoutrust.com/wp-content/upl...

 

Por falar em figuras de estilo.

O fotógrafo não é uma figura passiva na escrita. Nunca poderá ser. 

A escolha de fotografar um momento em detrimento de outro, com um enquadramento em detrimento de outro, etc, torna o fotógrafo sempre num elemento activo na história.  Não há pureza em nenhuma imagem. Pode é haver uma inconsciência do papel do fotógrafo por parte do mesmo. 

O simples acto de congelar no tempo um momento único é em si uma distorção da realidade. 

Não há pureza na captura, e assim nunca poderá haver na imagem final. 

Um exemplo de como a fotografia mente sem precisar dos "photoshops"....
http://goodmood-gm.c...e-surroundings/




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IT Partilhar Post #42 nbplopes

nbplopes

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Publicado 02 Junho 2014 - 10:13

Honestamente Deim penso que perdeste o fio á miada. Não se trata, fotgrafia, realidade ou ficção.

 

Eles não defendem a passividade do fotógrafo na leitura. Aliás o que é argumentado neste último caso tanto quanto percebo é precisamente o contrário, é estimulada uma maior concentração na leitura do que na escrita. Nestes tempos, este era o papel principal do fotógrafo. O de lêr. Alguns deles até abdicavam da escrita (em papel ou em em outro medium qualquer).

 

E diga-se passagem, na minha opinião pessoal, nota-se cada vez mais os efeitos desta transferência de poderes na fotografia de massas. Da leitura/criatividade do fotógrafo no momento do click para o trabalho de escrita/criatividade no Photoshop.

 

Isto na minha opinião tem um impacto profundo no resultado final. 

 

Tanto que hoje, um desnível de 0.002 no horizonte aqui no forum já "estraga" a foto. Já ví isso a ser argumentado. Epa isso só estraga a foto se ela for uma bela treta de foto! 

 

Eu não sou contra de todo ao nivelamento nada disso em PP se essa for a opção. Mas se o desnivelamento estraga a foto, algo está mal logo á partida, Não há volta a dar, está mal logo á partida. Nem vale a pena nivelar.

 

Se um ligeiro desfoque, ou motion blur estraga a foto, está mal logo á partida. Não há volta a dar, não tem interesse algum logo á partida.

 

Se para a foto ter algum interesse visual e emocional é preciso retirar objectos, a foto não tem interesse alguim, Está mal, foi mal visto pelo fotógrafo,

 

Se em PP é preciso estoirar com as coisas, levando contrastes ao extremo para a foto ficar boa algo está mal logo á partida está mal.


Editado por nbplopes, 02 Junho 2014 - 10:52 .



Partilhar Post #43 Samwise

Samwise

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Publicado 02 Junho 2014 - 10:51

Penso que estão a perder objectividade daquilo que é dito. Aliás, penso que nem se quer estão a perceber a questão levantada pelo Eriwitt.

 

Outro fotóhgtafo que escreve mais a mesma coisa mas de forma diferente, Nem se quer fala do Photoshop.

 

“A photograph is not created by a photographer. What they does is just to open a little window and capture it. The world then writes itself on the film. The act of the photographer is closer to reading than it is to writing. .... ”

 

Substitui, se pretenderes, "Photoshop" por "manipulação digital". 

 

O que eu penso que se esteja a passar, e se estou a ler a coisas bem, são alguns senhores a meterem o nariz no trabalho dos outros porque começam a ver o mundo deles a ficar para trás, submergido por uma "onda manipulatória" que é utilizada de forma generalizada — pior do que isso, é aceite de forma generalizada. A questionarem a definição de "fotografia" e a reclamarem-na só para si a única e verdadeira acepção do termo (como se tal coisa existisse), baseando-se nas suas opiniões prórprias. Têm o mérito de levantar um debate, mas a partir do momento em que começam pretender criar dogmas...

 

Um caso recente, o vencedor do World Press Photo do ano passado, e mais a polémica da manipulação digital (tudo a ver com o que se anda a discutir aqui), aqui com contexto da "verdade" a ganhar muito mais importância:

 

http://www.bjp-onlin...arch-for-truth/

 

Sublinhei algumas partes que me pareceram interessantes.

 

 

World Press Photo controversy: Objectivity, manipulation and the search for truth
Beyond the attacks leveraged against Paul Hansen's winning World Press Photo, the recent controversy over image toning is symptomatic of the current state of photojournalism and its place in a society that has learned not to trust what it sees. Photojournalists, photography directors and post-producers speak to Olivier Laurent, and ask whether objectivity in photojournalism is actually attainable

World Press Photo of the Year 2012's winning image by Paul Hansen, Sweden, Dagens Nyheter. Two-year-old Suhaib Hijazi and her big brother Muhammad, who soon was to be four years old, were killed when their house was destroyed by an Israeli missile strike on Monday evening. Their father, Fouad, was also killed. Their mother is in intensive care at Al-Shifa Hospital. In accordance with their religion, the dead are buried quickly. The badly mangled body of Fouad is put on a stretcher and his brothers carry his dead children to the mosque for the burial ceremony. When darkness fell over Gaza on this day, at least 26 new victims were to be buried. That makes the total more than 140 dead so far since the beginning of the bombardment. Approximately half of the dead are women and children. The picture was taken on 20 November 2012 in Gaza City, Palestinian Territories

 

There’s nothing worse for a photojournalist than to have his or her integrity questioned. As the most recent debate about Paul Hansen’s winning World Press Photo image has shown, rumours, speculation and misinformation travels far quicker than the truth. Last week’s exposé by Extreme Tech, ‘How the 2013 World Press Photo of the Year was faked with Photoshop’, was shared 17,000 times on Facebook and more than 2500 times on Twitter, while World Press Photo’s clarification clocks only 130 shares on Facebook.

 

The intense debate forced World Press Photo to appoint a panel of forensic analysts to study Hansen’s image. One of these analysts found that, when comparing the raw file with the prize-winning version, “I can indeed see that there has been a fair amount of post-production, in the sense that some areas have been made lighter and others darker,” writes Eduard de Kam, a digital photography expert at the Dutch Institute for Digital Photography. “But regarding the positions of each pixel, all of them are exactly in the same place in the JPEG – the prize-winning image – as they are in the raw file. I would therefore rule out any question of a composite image.”

 

As far as World Press Photo is concerned, Hansen’s image is authentic – but questions remain. “Why did he do it at all?” asks Roger Tooth, head of photography at The Guardian. “I guess the answer is: because he can. The tools are there to do it. I guess, in the professional world, what’s actually changed is that photographers now have the raw files of their images, whereas, if we go back to the pre-digital era, they would have handed the film on to someone like me and I would have got a darkroom printer to do a decent print of it.”

 

Yet the idea of post-processing being a recent innovation is fundamentally wrong. Before digital, photographers made the same decisions about how their images should look. But, as Ashley Gilbertson argues, these decisions were made at B&H, when “we were buying these different film stocks and filters”. For the VII photographer, today’s situation isn’t different from what happened in the early 1990s in Bosnia, when “we had four photographers photographing the same thing on a street corner, where one guy was shooting with a tungsten filter, one guy was shooting with Kodachrome and a warm filter, another guy was shooting on black-and-white film, and another was shooting on colour negative,” he says. “You had four completely different images, four different perceptions of reality, four very different looks, but all very relevant.”

 

What has changed, adds Santiago Lyon, director of photography at the Associated Press and this year’s chair of the World Press Photo jury, is that previously “the aesthetic was proprietary, in the sense that it was a look that was produced from a film that was owned by a filmmaking company”, he says. “So, to a certain extent, you bought the aesthetic that you liked. Now technology allows us to create an aesthetic of our own choosing – people can go after a certain look if they like it.”

 

Gilbertson concurs. “We all have the same-looking raw file now. It’s when we go back to our hotel room that we make the decision of how our image is going to look.” But is it wrong to do so, as many commentators have argued in the case of Hansen’s image?

 

“I think there have always been different aesthetics in photography – whether it’s black-and-white, different colour temperatures, different kinds of film, with people preferring a Kodachrome look over an Ektachrome look or a colour negative. I don’t think that’s anything new,” says Lyon. “And, most recently, 10B [a post-production photographic lab in Italy] has produced a look that some photographers find so appealing they imitate it. In the end, it’s the photographer’s choice.”

 

Two years ago, Gilbertson was strongly against the idea of sending one of his frames to a lab such as 10B, “because I knew how it would come back, and I knew it would not look like the reality I saw,” he tells BJP. “Two years ago, I was only shooting in colour because I felt that black-and-white wasn’t real. But now I’m of a completely different mind and, to be honest, I love the toning of Hansen’s picture. It looks beautiful. A lot of my friends strongly disagree with me on that point; maybe, in five years, I will want to take 50 percent saturation out of my pictures because I’ll think it looks amazing.”

Yet, Gilbertson adds, photographers can’t hide from the fact that an increasing portion of the population is skeptical of the images they see. “The photographic process has become a lot more complicated ever since digital, but I think it goes beyond that,” he says. “Twenty years ago, the public trusted the blueish images they saw in Newsweek, the warm images in Time, the black-and-white images in The New York Times, and the straight images in Life magazine. I think the level of trust in the media from a public standpoint has dropped so dramatically that everything that’s presented now is questioned. People are looking for faults and reasons for things to be factually incorrect.” But, he continues, “When Alex Majoli presents a picture, when Philip Blenkinsop presents a picture, and when I present a picture, you get three really different styles and interpretations – and the word ‘interpretation’ is key here. It’s all about what we saw, how we envision it, and what we’re trying to say. Photographers are a lot more opinion-driven than reporters.

 

And that should be at the heart of this debate, says Magnum Photos member Christopher Anderson. “It is beside the point to argue about the degree to which facts have been altered, because all photography does that,” he tells BJP in an email conversation. “I could care less whether or not a photographer uses HDR techniques to produce melodramatic, hyperbolic alterations of the facts. I am more interested in the truth in what they have to say, even though I know it is subjective. I don’t need an algorithm to know that I am looking at a lie. I know because the world we live in does not look like that. My mind knows it, my heart [knows it]. When a suburban kid in garage in New York is retouched to look like he is in a burned out alley in Aleppo, I don’t have to examine the raw file to know that the photographer has created something that has nothing at all to do with facts.

 

He adds: “My point is that facts do not exist, but truth does. And truth is paramount. Authenticity and integrity in the image is something I think we understand intuitively. When we come to grips with the fact that all photography is a lie, the question is not whether or not it is factual, the question is whether or not it is true. It is not the technique that makes it true or not, therefore it is pointless to argue about how much retouching should be acceptable. But, as a general rule, heavy handed retouching makes me doubt the photograph’s intention towards truth.”

 

Anderson is quick to point out that he too retouches his images and alters the colour palette to his liking. “I am not making a claim to some integrity in that regard,” he says. “But I also do not make claims to factual, objective photography anymore. My goal is truth, not fact, but it is my own personal subjective truth. That is all I can offer, and I no longer enter contests for that reason.”

 

For Anderson, the question of photojournalism’s integrity is on the table because of the “perpetuation of the myth that photography is objective,” he says. “I think journalism and the public will be better served when we acknowledge that photography is subjective, but it can also be ‘true’ – and that truth is a personal truth.” Yet, he argues, the aesthetics as seen in Hansen’s image might not help. “The intention in creating these colours is different, and this is where the truth begins to break down. The intention is to alter the reality to make it look otherworldly. This is an insult to intelligence because we know the world does not look like that. And somewhere in the back of the public’s mind, even if it is not a conscious thought, a question is raised: ‘Can I believe what I am looking at? Why is the person who is delivering this message trying to fool me? Why does it look like an airbrushed cartoon?’”

 

For 10B, which helped popularise this ‘look’ with the work of photographers such as Yuri Kozyrev among many others [full list here], these questions are influenced by a sort of technophobia. “It is appalling how today’s criticism of digital photojournalism overlooks the simple historical fact that in the days of analogue, the big ethical dilemmas and the responsibility of photojournalists were just the same,” says Francesco Zizola, a Noor photographer who co-founded 10B. “Disapproving of the ‘look’ is necessary, if this ‘look’ is the result of manipulation. But disapproving of the use of new technologies that improve and amplify perception – the real thing represented in the image in full compliance with the strict rules of photojournalism – requires us to be acquainted with the history of photography and its technology.”

 

He adds: “The general public is experiencing a new relationship with photography, in terms of numbers and purpose. The global spread of mobile devices is changing the relationship between image and society. This in turn is having important consequences on a number of social and cultural processes: how identities are formed; how information and knowledge are transmitted; the relationship between memory and historical documents; the value of images as historical evidence, etc. We live in an age where the picture on our ID document is not enough to prove our identity, yet photos are still accepted in law courts as evidence of a crime, or as evidence of a discovery in a scientific environment, without mentioning certain sophisticated technologies that enable doctors to take very complex images inside our bodies. Journalistic and documentary photography will have to rediscover the underlying reasons of their essence.”

 

Zizola welcomes the public criticism. “It’s very useful, especially if it gives us a chance to reflect on the political importance of photographs. What is of fundamental importance is to keep interrogating ourselves on our personal and collective responsibility as witnesses, and on the purpose of the images we produce. Technology has a huge impact on our visual language, but it doesn’t necessarily alter its credibility.”

In the case of Hansen’s “unnatural colours”, Zizola argues that they appear as such “because they are different from what we are used to seeing since the appearance of the first colour photograph of the modern era, in 1935, with the invention of the Kodachrome slide. The question is: when was the representation of reality ever natural? Certainly not when one photographs in black-and-white; in that representation, all colour data disappears. Today, when a photojournalist photographs an event in black-and-white, no one contests it and no one asks for his or her exclusion from a competition for having falsified reality.”

 

That might be because black-and-white is closely associated with the history of photojournalism, says Gilbertson. “Black-and-white is regarded as arty. There’s a tradition behind it but, in actual fact, if we are to talk about the manipulation of colours, that is the most violent you can be.”

The question remains: what should World Press Photo in particular, and the photojournalism community as a whole, do to regain the public’s trust? “World Press Photo and other contest organisers need to think about the predominance they have in today’s world of photography,” Lyon argues. “They have an important role in defining what is acceptable, and I would encourage them to take an active role in defining these things. If that means they should request the raw file from all entrants, I personally think it would be a very good thing because it would make photographers aware that their images are going to be compared and contrasted to the original files. That level of transparency would be very useful and powerful, and would serve to encourage photographers to attempt to display their work as closely as possible to what they saw in the first place.”

 

This, however, would be the start of another debate: “What did the photographer see, or what does he remember seeing? Does he remember a particular colour being vibrant? And when that photographer sees his image, it might be at odds with his memory of it,” says Lyon. “Memory plays into it. And sometimes your memory plays tricks on you.”

 

For Anderson, there’s no point in coming up with new rules. Instead, “we could create a dogma for contests that illustrates the pointlessness of trying to perpetuate the myth of photographic objectivity: no black-and-white (the world is not black-and-white); no wide-angle or telephoto lenses (the eye does not see in that way); no retouching at all. But then we would have to include everything that makes a photo subjective,” he adds. “The photographer cannot choose the moment to press the shutter, but instead must just randomly and repeatedly press the button. And no framing – you can’t even look through the viewfinder. These would constitute choices to include or exclude moments, events or subjects, and that, of course, means altering the objective truth. And, of course, the photographer could not choose the image that is submitted to the contest. Only through a silly dogma like this can we ensure objective photojournalism in the contests.”

 

“I think that we have to learn to understand the context,” adds Zizola, “draw barriers, ask questions, look carefully, think consequently. This is the only healthy attitude with respect to the truthfulness of images, avoiding such excesses as believing that all is fake and nothing is true, or the opposite – that photography is nothing but the exact representation of reality.”




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Samwise

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Publicado 02 Junho 2014 - 11:00

Eles não defendem a passividade do fotógrafo na leitura. Aliás o que é argumentado neste último caso tanto quanto percebo é precisamente o contrário, é estimulada uma maior concentração na leitura do que na escrita. Nestes tempos, este era o papel principal do fotógrafo. O de lêr. Alguns deles até abdicavam da escrita (em papel ou em em outro medium qualquer).

 

E diga-se passagem, na minha opinião pessoal, nota-se cada vez mais os efeitos desta transferência de poderes na fotografia de massas. Da leitura/criatividade do fotógrafo no momento do click para o trabalho de escrita/criatividade no Photoshop.

 

Mas em todo o caso a complementaridade (e dependência) entre "leitura" e "escrita" mantém-se. E o papel do "fotógrafo" enquanto "editor" da imagem, em PP, também.

 

E esta mundança de peso entre estas duas componentes, como estás a apontar, da escrita para a leitura, é má por que razão?




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Publicado 02 Junho 2014 - 11:13

Oi Samwise.

 

"“I think that we have to learn to understand the context,” adds Zizola, “draw barriers, ask questions, look carefully, think consequently. This is the only healthy attitude with respect to the truthfulness of images, avoiding such excesses as believing that all is fake and nothing is true, or the opposite – that photography is nothing but the exact representation of reality.”




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Publicado 02 Junho 2014 - 11:26

E esta mundança de peso entre estas duas componentes, como estás a apontar, da escrita para a leitura, é má por que razão?

Duas belas imagens:

http://500px.com/pho...-mecuro-b-cotto

http://ic.pics.livej...16/original.jpg

Como exercício fotográfico a primeira é para mim um acto falhado. Não existe dimensão poética da fotografia. Há uma pintura digital e é aí que a dimensão poética do autor se revela nesta imagem. É no entanto uma bela imagem digna de ser apreciada.

A segunda é o oposto, mas resulta também numa bela imagem digna de ser apreciada.

Nenhuma das duas é um representação da realidade ao nível atómico.

http://en.wikipedia....iki/Digital_art

Apenas digo que esta transferência de poderes não é bom no sentido em que tenho a sensação que a segunda é cada vez mais rara, mas para mim muito mais autêntica, credível como fotografia. Também se encontra, mas é cada vez mais rara. A primeira é muito mais comum ver-se hoje. E para mim a segunda tem uma dimensão poética muito mais profunda do que a primeira.

O processo que se chega a uma e outra são totalmente diferentes! O skillset necessário é totalmente diferente. Diria mesmo o estado de espírito para a fotografia de uma imagem e outra é totalmente diferente.

Honestamente, não sei explicar melhor o meu ponto de vista.

A criatividade não tem barreiras ou constrangimentos (ou não deve ter). Mas também é verdade que nada se faz de bom sem elas. Não acredito que se possa produzir excelente fotografia sem necessidades ou restrições técnicas. Até porque a necessidade faz o engenho. Porque se não, qualquer dia a gente mete as máquinas a fazer fotos e depois nós fazemos o trabalho de PP. o que achas? É que já faltou mais.

Editado por nbplopes, 02 Junho 2014 - 12:05 .



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Samwise

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Publicado 02 Junho 2014 - 12:52

Oi Samwise.

 

"“I think that we have to learn to understand the context,” adds Zizola, “draw barriers, ask questions, look carefully, think consequently. This is the only healthy attitude with respect to the truthfulness of images, avoiding such excesses as believing that all is fake and nothing is true, or the opposite – that photography is nothing but the exact representation of reality.”

 

Do msmo Zizola, uns parágrafos antes:

 

 

“It is appalling how today’s criticism of digital photojournalism overlooks the simple historical fact that in the days of analogue, the big ethical dilemmas and the responsibility of photojournalists were just the same,” says Francesco Zizola, a Noor photographer who co-founded 10B. “Disapproving of the ‘look’ is necessary, if this ‘look’ is the result of manipulation. But disapproving of the use of new technologies that improve and amplify perception – the real thing represented in the image in full compliance with the strict rules of photojournalism – requires us to be acquainted with the history of photography and its technology.”

 

Penso que o contexto, aqui, tem fundamental importância, e o que estes profissionais do fotojornalismo estão a defender, para o seu caso pessoal, é que não estão a abdicar de todo do processo de "escrita" apesar de estarem a pensar também, se calhar mais intensamente, na "leitura" - nos "efeitos especiais" que depois mudam o aspecto do "look".

 

----

 

 

Apenas digo que esta transferência de poderes não é bom no sentido em que tenho a sensação que a segunda é cada vez mais rara, mas para mim muito mais autêntica, credível como fotografia. Também se encontra, mas é cada vez mais rara. A primeira é muito mais comum ver-se hoje. E para mim a segunda tem uma dimensão poética muito mais profunda do que a primeira.

O processo que se chega a uma e outra são totalmente diferentes! O skillset necessário é totalmente diferente. Diria mesmo o estado de espírito para a fotografia de uma imagem e outra é totalmente diferente.

 

Não sei se concordo que o segundo género seja cada vez mais raro. Concordo é que o primeiro é cada vez mais vulgar - o que não significa bem a mesma coisa. Quanto à dimensão poética alcançada, e à credibilidade da mesma, também não concordo. No caso destas fotos que mostras, sim, mas não generalizemos a partir deles.

 

 

A criatividade não tem barreiras ou constrangimentos (ou não deve ter). Mas também é verdade que nada se faz de bom sem elas. Não acredito que se possa produzir excelente fotografia sem necessidades ou restrições técnicas. Até porque a necessidade faz o engenho. Porque se não, qualquer dia a gente mete as máquinas a fazer fotos e depois nós fazemos o trabalho de PP. o que achas? É que já faltou mais.

 

Mas de que "necessidade" estás aqui a falar? A necessidade de manifestação artística depende apenas do ego, mas a possibildade de concretizar essa manifestação pode depender também das tecnologias ao dispor. Num exemplo muito simples, quantos realizadores de cinema não adiam projectos porque os efeitos especiais ainda não estão suficientemente desenvolvidos para mostrar aquilo que pretendem de forma "credível"?




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nbplopes

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Publicado 02 Junho 2014 - 13:27

Do msmo Zizola, uns parágrafos antes:

 

 

Penso que o contexto, aqui, tem fundamental importância, e o que estes profissionais do fotojornalismo estão a defender, para o seu caso pessoal, é que não estão a abdicar de todo do processo de "escrita" apesar de estarem a pensar também, se calhar mais intensamente, na "leitura" - nos "efeitos especiais" que depois mudam o aspecto do "look".

 

----

 

 

Não sei se concordo que o segundo género seja cada vez mais raro. Concordo é que o primeiro é cada vez mais vulgar - o que não significa bem a mesma coisa. Quanto à dimensão poética alcançada, e à credibilidade da mesma, também não concordo. No caso destas fotos que mostras, sim, mas não generalizemos a partir deles.

 

 

Mas de que "necessidade" estás aqui a falar? A necessidade de manifestação artística depende apenas do ego, mas a possibildade de concretizar essa manifestação pode depender também das tecnologias ao dispor. Num exemplo muito simples, quantos realizadores de cinema não adiam projectos porque os efeitos especiais ainda não estão suficientemente desenvolvidos para mostrar aquilo que pretendem de forma "credível"?

 

Penso que esses profissionais estão a dizer está em total conformidade com o que é advogado pelo Erwitt e outros. Um exemplo claro disso è por exemplo a relação de figure to ground, algo básico em fotografia, Esta relação é tanto mais importante quando se fala em fotografia a preto e branco, Sempre houve essa necessidade. O de fotografar para a imagem final de acordo com resultado pretendido e as restrições técnicas que se impõe.

 

"O princípio de negativo", título meu, não pretende alienar o trabalho de pós produção. Longe disso. Mas quando o trabalho após o click deixa de ser pós produção e passa a ser produção/manipulação/criação cabe cada um avaliar. Mas penso que é relativamente simples visualizar isso na grande maioria das imagens (já aqui partilhei uma imagem minha que para mim cai nesse espectro).

 

Quanto ao ultimo comentário não percebi a comparação. A manifestação artistística, ou melhor o, a expressão pela imagem não se esgota na fotografia. Porque razão qualquer imagem que tenha como base uma ou várias fotos compostas em PP têm que ser considerada uma foto é que não percebo de todo. Até parece que a palavra foto lhe confere uma atenticidade superior como forma de expressão artistica. Eu acho que não. No entanto a insistência por vêzes é tanta nessa necessidade que me leva a querer o que está subjacente é outra coisa   ;).

 

Ou seja é procurar uma validação tácita que a fotohgrafia oferece ao homem comum com total liberdade criativa no PP, ou melhor em muitos casos deixa-se de ser PP e passa  Produção. Coisa que não tem nada a haver com aspectos criativos, mas simbólicos junto do observador. Simbolísmo esse, que podemos estar aqui a intelectualizar como false percepção, isto ou aquilo, com base em alguns exemplos, mas que é um simbolísmo que nasce de expectatvas históricas com base na maioria das fotos daqueles tempos e no pensamento da grande maioria dos fotógrafos da altura. Tanto que a descoberta dessas anomalias resultaram em escandalos com alguma dimensão.

 

Ora este valor que tem como base estas expectativas históticas (o simbolismo da fotografia junto do home comum) foram alimentadas pelo Erwitt, Gageiro e muitos outros,  e agora qualquer um se quer colar ao mesmo tempo que advogam total liberdade em PP, chegando ao despeito já demonstrado em alguns comentários aqui. Penso que totalmente impensados e desproposittados.

 

De facto é preciso perceber um pouco de história. Mas nem é preciso perceber muito. Basta mostrar uma fotografia a qualquer pessoa e vêr a reacção dela. Qual é a sua expectativa face ao retratado? E assim valores básicos da fotografia, quase animalescos, vão sofrendo a sua erosão a favor da virtualiazção do acto.

 

PS: Eu perceber até percebo.


Editado por nbplopes, 02 Junho 2014 - 14:22 .



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Samwise

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Publicado 02 Junho 2014 - 18:24

"O princípio de negativo", título meu, não pretende alienar o trabalho de pós produção. Longe disso. Mas quando o trabalho após o click deixa de ser pós produção e passa a ser produção/manipulação/criação cabe cada um avaliar. Mas penso que é relativamente simples visualizar isso na grande maioria das imagens (já aqui partilhei uma imagem minha que para mim cai nesse espectro).

 

Mas não cabe a cada um avaliar tudo em relação a tudo? Até naquilo que cabe dentro da definição de "fotografia"?

 

 

A manifestação artistística, ou melhor, a expressão pela imagem não se esgota na fotografia. Porque razão qualquer imagem que tenha como base uma ou várias fotos compostas em PP têm que ser considerada uma foto é que não percebo de todo. Até parece que a palavra foto lhe confere uma atenticidade superior como forma de expressão artistica. Eu acho que não. No entanto a insistência por vêzes é tanta nessa necessidade que me leva a querer o que está subjacente é outra coisa   ;).

 

Mas onde está a fronteira entre aquilo que é "fotografia" (e não "uma fotografia") e aquilo que deixa de ser (por efeitos da manipulação)? E quem estipula as "regras" para essa fronteira? E, de outra vertente, por que razão há essa implicância toda com o que outras pessoas apelidam de fotografia? Diminui de alguma forma o trabalho próprio?

 

 

Ou seja é procurar uma validação tácita que a fotohgrafia oferece ao homem comum com total liberdade criativa no PP, ou melhor em muitos casos deixa-se de ser PP e passa  Produção. Coisa que não tem nada a haver com aspectos criativos, mas simbólicos junto do observador. Simbolísmo esse, que podemos estar aqui a intelectualizar como false percepção, isto ou aquilo, com base em alguns exemplos, mas que é um simbolísmo que nasce de expectatvas históricas com base na maioria das fotos daqueles tempos e no pensamento da grande maioria dos fotógrafos da altura. Tanto que a descoberta dessas anomalias resultaram em escandalos com alguma dimensão.

 

Aqui não concordo com dois dos caminhos que apontas no teu raciocínio. Um deles é a generalização da ideias de que o PP não tem nada a ver com aspectos criativos, mas sim simbólicos. Não creio que estejam sequer relacionados. Acolho a ideia do simbolismo histórico e contextual da mesma forma que tu, mas isso não faz com que a criatividade tenha de ficar necessariamente refém. A criatividade, neste contexto, significa conseguir inovar mantendo o apego às "expectativas  históricas" (usando a tua terminologia). O outro caminho argumentativo com o qual não concordo é o facto de apenas considerares a parte do PP/Produção como um caminho para a satisfação dessas expectativas junto do observador. Então e a parte da captura da fotografia propriamente dita, também não sofre desse mesmo "enviesamento"? O que há aqui a diferenciar, em termos de comportamento do autor, entre fotografia (acto de captura) e PP/produção adicional?

 

 

Ora este valor que tem como base estas expectativas históticas (o simbolismo da fotografia junto do home comum) foram alimentadas pelo Erwitt, Gageiro e muitos outros,  e agora qualquer um se quer colar ao mesmo tempo que advogam total liberdade em PP, chegando ao despeito já demonstrado em alguns comentários aqui. Penso que totalmente impensados e desproposittados.

 

De facto é preciso perceber um pouco de história. Mas nem é preciso perceber muito. Basta mostrar uma fotografia a qualquer pessoa e vêr a reacção dela. Qual é a sua expectativa face ao retratado? E assim valores básicos da fotografia, quase animalescos, vão sofrendo a sua erosão a favor da virtualiazção do acto.

 

Acho que haverá sempre autores mais interessados em satisfazer os seus "observadores" e outros mais interessados no seu próprio umbigo. Creio que estas duas condições opostas, e tudo o que se encontra entre elas, nada têm que ver com as hipoteses mirabolantes que o PP oferece à fotografia.




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Publicado 02 Junho 2014 - 19:44

Como disse não considero em termos lato que o PP desvirtua a fotografia. Penso até que é um trabalho necessário, nem que seja para a transformação sempre necessária de acordo com o meio de apresentação. Quer este seja num monitor de computador quer seja em folha de papel, que neste ultimo até o material e a dimensão da folha pode ser algo que influencie esse trabalho.

O que disse é que não acredito que a satisfação da expectativa tácita do homem comum tem sobre o termo FOTO possa ser mantida se a liberdade criativa for total sobre o trabalho realizado em PP. Coisa que tem sido argumentada aqui vezes sem conta colocando esta compreensão de lado. Exemplo disso temos aqui no forum imagens consideradas fotos, de edifícios que levam uma forte intervenção e manipulação em PP. Podem ser belas imagens, cheias de criatividade e mestria técnica como arte digital, mas estão longe de ser fotos como o são compreendidas historicamente pelo homem comum, e não só. E que só são intendidas como fotos justificando a coisa de uma forma extremamente complexa e ambígua que nos remete para "mentiras" no passados (falsas fotos fabricadas em PP), e reivindicando uma liberdade artística que se consagra totalmente fora do momento, fora do click.. Isto porque o resultado do click em muitos caso são imagens bastante sofríveis a menos do trabalho em PP.

Não estou a dizer que não são boas imagens. Estou a dizer que para mim não são fotos. Enquadro-as mais num contexto mais vasto que é a arte digital que vai muito para além da fotografia. Mas com fotos são péssimo exemplos. Mas ainda bem que são aqui partilhadas e o conhecimento generoso também, porque muita gente que entra no caminho da expressão visual entram pela mão da fotografia.

Diria mesmo, que definir esse tipo de trabalhos como fotos, pode ser em muitos casos depreciativo da arte que ali se manifesta.

Há razões históricas para a simbiose da fotografia e processos de produção artística em cima do negativo, e mais tarde com o aparecimento do digital em cima do raw. Era útil que o produto fosse há mesma denominado de foto, ou uma fotografia. Nomeadamente porque a fotografia sempre foi um bocado o parente pobre da Arte. Quem não sabia desenhar ou pintar no meio artístico ia fazer fotografia ... Mas fotografia como objecto de arte temos por exemplo os trabalhos o do Gurski que para mim tem feito muito mais por essa batalha do que faz a arte digital. Muita coisa haveria para dizer sobre o que penso sobre isso mas não me parece que seja útil nesta discussão.

Repara, isto é apenas a minha opinião. Mas não se pense que é um opinião a olhar para o meu umbigo ou para os "observadores". Penso que a sustentação que lhe dou assim o demonstra.

Editado por nbplopes, 02 Junho 2014 - 20:33 .



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Publicado 02 Junho 2014 - 21:43

Penso que estão a perder objectividade daquilo que é dito. Aliás, penso que nem se quer estão a perceber a questão levantada pelo Eriwitt.

 

Outro fotóhgtafo que escreve mais a mesma coisa mas de forma diferente, Nem se quer fala do Photoshop.

 

“A photograph is not created by a photographer. What they does is just to open a little window and capture it. The world then writes itself on the film. The act of the photographer is closer to reading than it is to writing. .... ”

 

Ferdinando Scianna, Italian, b. 1943 

 

http://designyoutrust.com/wp-content/upl...

 

Por falar em figuras de estilo.

 

Uma foto é apenas uma interpretação da realidade por parte do fotógrafo. A sua experiência e sensibilidade afectam o resultado final. Por isso, discordo quando se diz que o papel do fotógrafo é apenas ler.




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Publicado 03 Junho 2014 - 00:51

O que disse é que não acredito que a satisfação da expectativa tácita do homem comum tem sobre o termo FOTO possa ser mantida se a liberdade criativa for total sobre o trabalho realizado em PP. Coisa que tem sido argumentada aqui vezes sem conta colocando esta compreensão de lado. Exemplo disso temos aqui no forum imagens consideradas fotos, de edifícios que levam uma forte intervenção e manipulação em PP. Podem ser belas imagens, cheias de criatividade e mestria técnica como arte digital, mas estão longe de ser fotos como o são compreendidas historicamente pelo homem comum, e não só. E que só são intendidas como fotos justificando a coisa de uma forma extremamente complexa e ambígua que nos remete para "mentiras" no passados (falsas fotos fabricadas em PP), e reivindicando uma liberdade artística que se consagra totalmente fora do momento, fora do click.. Isto porque o resultado do click em muitos caso são imagens bastante sofríveis a menos do trabalho em PP.

Não estou a dizer que não são boas imagens. Estou a dizer que para mim não são fotos. Enquadro-as mais num contexto mais vasto que é a arte digital que vai muito para além da fotografia. Mas com fotos são péssimo exemplos. Mas ainda bem que são aqui partilhadas e o conhecimento generoso também, porque muita gente que entra no caminho da expressão visual entram pela mão da fotografia.

Diria mesmo, que definir esse tipo de trabalhos como fotos, pode ser em muitos casos depreciativo da arte que ali se manifesta.

 

Eu percebo o que estás a dizer, mas interrogo-me se haverá alguma mais-valia prática que seja em separar as águas entre aquilo que consideras ser estritamente fotografia e o que será para ti edição/manipulação digital, para qualquer um dos lados.

 

Por exemplo, esta fotografia, esta fotografia e esta fotografia.

 

Chamar-lhes fotografias ou objectos de "arte digital" altera em alguma coisa o seu valor ou reduz a satisfação decorrente da interiorização artística que possamos fazer delas?

 

Importa para alguma coisa que isto possa alterar a "satisfação da expectativa tácita do homem comum tem sobre o termo FOTO"?

 

Dizer que são "fotos" é depreciativo para o trabalho que estes artistas tiveram no PP?

 

São péssimos exemplos de fotos?

 

A minha resposta a tudo isto, a minha opinião, é um objectivo "não".




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Publicado 03 Junho 2014 - 01:28

Eu não sei o que ele quer dizer, em maior ou menor grau a fotografia sempre foi uma mentira, ainda por cima ele refere-se especificamente ao Ps quando no analógico fazia-se muito coisa que o Ps hoje em dia faz, mesmo que não fosse Erwitt a fazer as suas revelações e provas decerto que sabia como se faziam e o que se podia fazer. Ou seja, isto parece-me mais um aviso a eventuais excessos no ps e por tabela na fotografia actual, da massificação da mesma e das suas consequências mais imediatas do que propriamente uma preocupação com a realidade da fotografia ou da credibilidade da mesma.  

 

 

Essa ideia é completamente errada e tão veiculada que parece realidade. No filme faziam-se uns truques... Nada do que se pode fazer hoje com o PS...




IT Partilhar Post #54 nbplopes

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Publicado 03 Junho 2014 - 08:04

Chamar-lhes fotografias ou objectos de "arte digital" altera em alguma coisa o seu valor ou reduz a satisfação decorrente da interiorização artística que possamos fazer delas?

Se chamar a algo filme, fotografia livro, pintura, jogo de computador, martelo, mesa ou papel higiénico a algo não altera o seu valor emocional para o observador (é assim que interpretei "interiorização artística). Ou seja, nomes não dão ou tiram o valor das coisas no mundo perfeito. Mas a realidade é bem diferente. Há portas que se abrem apresentando um mero título.

Ou seja é uma falsa questão no mundo perfeito mas não no mundo real. Mesmo nesse mundo perfeito de abstração questão mais pertinente seria ...

Há uma mais valia na percepção tácita dos termos (quando não existe uma intepretação formal rigorosa) tanto quanto possivel dos objectos ou actos que servem de interpretação dos termos. É um prática bastante comum.

Importa para alguma coisa que isto possa alterar a "satisfação da expectativa tácita do homem comum tem sobre o termo FOTO"?

Sim é muito importante. Aliás já está alterar-se de uma forma muito evidente, nem é preciso ir para esses exemplos.

Há uns anos fizeram um estudo nas crianças, não me recordo se foi nos EUA ou UK, mas pediram para desenhar uma galinha. A grande maioria ou desenhou ou um peito de frango, um bife de galinha ou um frango no talho. E voltaram a pedir para desenhar uma gainha, Poucos sabiam o que era uma galinha.

Isto para dizer, a Arte é acima de tudo a busca pela verdade. Não numa perspectiva Socrática mas numa Perspectica Sofista.

Esta breve história pode ser maravilhosa pelo seu surrealismo mas tem um problema (tema para uma pintura interessante). Não é surrealista de todo. O artista tem um controle absiluto consciente ou intuitivo sobre a peça que está ou vai fazer (antes tomava-se LSD por acreditava-se que dava ás pessoas um controle superior sobre a expressão). Estas crianças não tinham qualquer controle. Ou seja, trata-se de uma tragédia dos tempos modernos e não de uma manifestação artística.

Dizer que são "fotos" é depreciativo para o trabalho que estes artistas tiveram no PP?

Penso que isso cabe ao autor avaliar. Eu por exemplo não gostaria que chamassem as minhas fotos de "arte digital". Nem é uma questão de ser ou não ser depreciativo.


São péssimos exemplos de fotos?

Sim são péssimos exemplos de fotos. É como desenhar um peito de frango como exemplo de uma galinha.

A minha resposta a tudo isto, a minha opinião, é um objectivo "não".

Parece-me uma opinião impensada mas óbviamente aceito-a. Face há minha explicação da opinião contrária a palavra "objectivamente" parece-me objectivamente despropositada :)

No mês passado paguei para ver um Workshop do Martin Parr, que até foi sugerido por um nosso colega aqui no forum. Foi muito interessante. A determinada altura chegou o momento das, pessoas apresentarem os seus trabalhos. Apareceu uma mulher na melhor das suas intenções, apresenta as fotos. E há uma foto, penso que logo das primeiras que o Martin Parr diz "ora essa é uma foto interessante, fala-me dela". E senhora descreve o contexto e a determinada altura diz que "havia uma pessoa nesta posição que foi retirada por questões de composição" ... Uma foto perfeitamente inofensiva. O Martin Parr interrompe e diz, "tiraste a pessoa?" Sim pareceu-me que ficava melhor. E ele pergunta "O que achas disso?". Ela ficou um bocado sem palavras, penso que a pergunta apanhou-a um bocado de surpresa. O Martin não fez nenhum juízo de valor explicito, mas pediu para as pessoa meditarem um pouco sobre esse assunto interiormente. Este facilíssimo tem mais tarde ou mais cedo influência na forma de fotografar. Ela foi lá para aprender a melhorar a sua fotografia e não Photoshop.

Óbviamente este pedido não faria sentido algum se o Workshop fosse sobre Photoshop ou mesmo Arte no sentido mais lato do termo.

Editado por nbplopes, 03 Junho 2014 - 09:15 .



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Publicado 03 Junho 2014 - 09:14

Essa ideia é completamente errada e tão veiculada que parece realidade. No filme faziam-se uns truques... Nada do que se pode fazer hoje com o PS...

É "completamente errada"? Faz lá então o favor de explicar porquê?

 

Se reparares, eu disse "fazia-se muita coisa que o Ps hoje em dia faz" , nem falo em reenquadramentos, máscaras, ajuste de contraste, etc..., mas se te disser que por exemplo Gustave Le Gray já fazia "hdr´s" em 1867 com dois negativos (um exposto para o céu outro para a água) que depois juntava, ou, e até te ajudo, que o analógico não permitia, como o digital, trabalhar as cores separadamente, mas até havia um processo, o "dye transfer" em que se podia separar as cores.

Excusas é de vir com conversas fiadas de que o filme tem maior amplitude que o digital, sem sequer saberes que as películas a partir do final dos anos sessenta têm uma emulsão muito mais fina e de menor qualidade e que por isso já não têm as caraceterísticas das películas que "ouviste falar"... :)




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Publicado 03 Junho 2014 - 09:28

Eu não sei o que ele quer dizer, em maior ou menor grau a fotografia sempre foi uma mentira, ainda por cima ele refere-se especificamente ao Ps quando no analógico fazia-se muito coisa que o Ps hoje em dia faz, mesmo que não fosse Erwitt a fazer as suas revelações e provas decerto que sabia como se faziam e o que se podia fazer. Ou seja, isto parece-me mais um aviso a eventuais excessos no ps e por tabela na fotografia actual, da massificação da mesma e das suas consequências mais imediatas do que propriamente uma preocupação com a realidade da fotografia ou da credibilidade da mesma.

Sim, é completamente errada tanto quanto consigo perceber o que li. Não é que não tenha frases acertadas, como o que muito do que se faz hoje em Photoshop no Digital já muito o faziam com o Analógico, mas todo o enquadramento é na minha opinião errado. Eu também lí o livro da Sontag mas penso que temos interpretações diferentes do mesmo.

Até porque se a compreensão tácita de uma foto sempre fosse a da mentira não faria sentido algum falar em credibilidade e fotografia como registo de memória e muitas outras coisas. Podes ir ver os exemplo que a Susan apresenta como fotos mentirosas e não me recordo de mencionar HDRs.

"“All photographs are memento mori. To take a photograph is to participate in another person’s (or thing’s) mortality, vulnerability, mutability. Precisely by slicing out this moment and freezing it, all photographs testify to time’s relentless melt.” - Susan Sontag

Editado por nbplopes, 03 Junho 2014 - 09:57 .



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Publicado 03 Junho 2014 - 11:07

Tem calma, Lopes, que eu estava a responder ao lloper... :)

Neste fase, estranho ainda estar-te a dizer isto, mas eu não sei o que é "compreensão tácita de uma foto" de todo o modo, desde sempre que houve essa compração inevitável entre fotografia e realidade, talvez porque seja dos meios que mais se aproxima dessa alegada realidade, mas todos sabemos quão mentirosa pode ser uma fotografia, não nos casos mais flagrantes como o enquadramento ou o momento, mas em coisas bem mais simples como uma alteração de temperatura de cor ou de exposição. É tudo uma manipulação da realidade, seja por processos analógicos ou digitais, em maior ou menor grau e se é uma manipulação da realidade é uma mentira.

Falaste também em "registo da memória" e isso sim pode ser uma boa definição,  pois é um registo da memória não é o registo de uma realidade que existiu. :)    


Editado por diogon, 03 Junho 2014 - 11:08 .



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Publicado 03 Junho 2014 - 13:15

Se chamar a algo filme, fotografia livro, pintura, jogo de computador, martelo, mesa ou papel higiénico a algo não altera o seu valor emocional para o observador (é assim que interpretei "interiorização artística). Ou seja, nomes não dão ou tiram o valor das coisas no mundo perfeito. Mas a realidade é bem diferente. Há portas que se abrem apresentando um mero título.

Ou seja é uma falsa questão no mundo perfeito mas não no mundo real. Mesmo nesse mundo perfeito de abstração questão mais pertinente seria ...

Há uma mais valia na percepção tácita dos termos (quando não existe uma intepretação formal rigorosa) tanto quanto possivel dos objectos ou actos que servem de interpretação dos termos. É um prática bastante comum.

 

 

Parece-me uma opinião impensada mas óbviamente aceito-a. Face há minha explicação da opinião contrária a palavra "objectivamente" parece-me objectivamente despropositada :)

 

Não é tão impensada como te possa parecer — e a  mim parece-me muito mais pragmática do que a tua quando contextualizada no mundo real, em que a tendência é mesmo a de fazer caber a "arte digital" na gaveta da definição de "fotografia". Ou seja, mesmo concordando contigo que os bois devam ser chamados pelo nome, parece-me que o mundo em geral pretende adoptar o termo "fotografia" também no contexto da "arte digital", e é essa adopção que a mim não me faz a mais pequena diferença.

 

Quanto ao "objectivamente", tens razão. Não podia ter aplicado o termo naquela frase, ainda para mais precedido de "na minha opinião". :lol:

 

 

Sim é muito importante. Aliás já está alterar-se de uma forma muito evidente, nem é preciso ir para esses exemplos.

Há uns anos fizeram um estudo nas crianças, não me recordo se foi nos EUA ou UK, mas pediram para desenhar uma galinha. A grande maioria ou desenhou ou um peito de frango, um bife de galinha ou um frango no talho. E voltaram a pedir para desenhar uma gainha, Poucos sabiam o que era uma galinha.

 

...

Ou seja, trata-se de uma tragédia dos tempos modernos e não de uma manifestação artística.

 

 

Que se esteja a alterar, sim, de acordo, que isso seja importante, também, que seja grave, neste contexto da fotografia, não. Não consigo é estabelecer uma ligação à questão da ignorância das crianças em relação ao que é uma galinha. Digamos que não há, nem nunca há-de haver, uma tendência de adopção, pelo termo "galinha" de um "peito de frango" — nem de forma localizada, nem de forma generalizada, e mais importante que isso, nem de forma comummente aceite. Já no outro caso...

 

 

Isto para dizer, a Arte é acima de tudo a busca pela verdade. Não numa perspectiva Socrática mas numa Perspectica Sofista.
 

 

Bom, estava a ver quando é que este assunto vinha à baila, e ainda bem que foi desta forma. Apesar de muitas convictas e dedicadas tentativas, a Arte não tem uma definição consensual (recomendo que leias o interessantíssimo ensaio de Tolstoi sobre o assunto: O que é a Arte? — mais do que oferecer uma resposta, oferece hipóteses para uma profunda reflexão sobre crenças e costumes — e onde de certa forma é abordada a questão da socrática e da sofística). Uma busca pela verdade, dizes tu, mas isso sera não só e apenas uma opinião pessoal que tens (uma que provavelmente orienta a tua expressão artística), mas também uma ínfima parte de uma equação muito mais complexa e subjectiva. Contudo não fica por dizer que para mim a Arte (uma parte da equação) também passa por aí, pela "busca de uma verdade", mas de uma forma estritamente pessoal, e consequentemente subjectiva.

 

 

No mês passado paguei para ver um Workshop do Martin Parr, que até foi sugerido por um nosso colega aqui no forum. Foi muito interessante. A determinada altura chegou o momento das, pessoas apresentarem os seus trabalhos. Apareceu uma mulher na melhor das suas intenções, apresenta as fotos. E há uma foto, penso que logo das primeiras que o Martin Parr diz "ora essa é uma foto interessante, fala-me dela". E senhora descreve o contexto e a determinada altura diz que "havia uma pessoa nesta posição que foi retirada por questões de composição" ... Uma foto perfeitamente inofensiva. O Martin Parr interrompe e diz, "tiraste a pessoa?" Sim pareceu-me que ficava melhor. E ele pergunta "O que achas disso?". Ela ficou um bocado sem palavras, penso que a pergunta apanhou-a um bocado de surpresa. O Martin não fez nenhum juízo de valor explicito, mas pediu para as pessoa meditarem um pouco sobre esse assunto interiormente. Este facilíssimo tem mais tarde ou mais cedo influência na forma de fotografar. Ela foi lá para aprender a melhorar a sua fotografia e não Photoshop.

 

Estou 100% do lado da mulher. Se para ela fazia sentido, na sua fotografia, retirar uma pessoa, não vejo absolutamente nenhuma razão para que não o tivesse feito. Que pena ele não me ter feito a pergunta "o que achas disso?" a mim. :D

Está correcto expor o assunto para debate, mas não está correcto indiciar que essa manipulação é de alguma forma pouco ética ou contrária à fotografia. Para mim são coisas complementares. Naturalmente complementares.


Editado por Samwise, 03 Junho 2014 - 13:17 .



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Publicado 03 Junho 2014 - 13:49

@Diogon,

A dualidade entre a realidade e ficção existe em qualquer narrativa. Não é algo que venha especificamemte da fotografia. A fotografia para o homem comum como objecto não é mais do que a comunicação de um conjunto selecionado de informação,sobre um evento tal como é uma Notícia. Só que em vez de ser em palavras é como uma imagem. Esta é a percepção do homem comum. Quer estejamos a falar de Jornalismo, Casamento, Retratos, Paisagem seja do que for.

 

Como já foi demonstrado por muito fotógrafos é possivel mesmo com estes parâmetros fazer verdadeiras obras de Arte.

 

@Samwise,

Pois, temos critérios totalmente diferentes de fotografia como forma de comunicação e expressão. 

Quanto ao mundo estar a caminhar para essa visão da fotografia ... o mundo está a caminhar para muita coisa e não sei se esta é a visão que está a caminhar relativamente aqulo que caracteriza uma FOTO. Sim, num mundo do instanteneo do facebook, flickr, intagram e afins, pode ser que esteja.

 

Mas no mundo da fotografia premiada as coisas não ocorrem bem assim. Nem no mundo da National Geographic, Magnum e coisas afins. Não digo que não acontece. O facto é que uma "mentira" só é "mentira" quando apanhada. Até lá é sempre verdade. Pode-se sempre jogar com a sorte, mas não vale a pena penso eu. 

 

http://yourshot.nati...oto-guidelines/

 

Como diria um "amigo meu". Se a casa arder o que vais salvar primeiro, as fotos do casamento ou essas imagens que apresentaste? Mesmo que sejam feitas por ti.

Penso que no fundo, lá no fundo do teu pragmatismo ambos sabemos do que estamos a falar. É preciso é ter coragem quando falamos entre nós.

Epa se achas que essas imagens vendem mais como FOTO do que Arte Digital, força nisso.


Editado por nbplopes, 03 Junho 2014 - 15:35 .



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Iloper

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Publicado 03 Junho 2014 - 14:10

Diogon, le o que escrevi

Enviado do meu Huawei.