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Fotógrafo Purista - Existe?


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69 respostas a este tópico

IT Partilhar Post #61 . H .

. H .

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Publicado 30 Janeiro 2013 - 17:23

Poderemos então dizer que fotógrafo purista é o que se concentra no uso exclusivo de um determinado processo fotográfico em detrimento de outros?

(É melhor não, a pergunta original ficava respondida e esta saudável e enriquecedora discussão terminava.)



Então o que dizes é que existem N tipos de purismo, pois nem todo fotógrafo usa o mesmo processo fotográfico. e o purismo em si não existiria sem a impureza do outro e vice-versa.
acredito então que a pureza do processo fotográfico habita em dois meios principais. a Ignorância e o Conhecimento.
os que ignoram fatos técnicos, e tornam-se puros pela inocência do ato simples de fazer uma foto. e os que dotados de técnica, tomam minuciosos cuidados para que a cena seja o mais fiel o possível.


H.ives


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agomes

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Publicado 31 Janeiro 2013 - 00:19

(...)
Sim, eu disse música, e não foi por acaso, já que, comparando a fotografia à música, gosto de estabelecer paralelismos entre os processos e equipamentos fotográficos, e instrumentos musicais. isto para dizer que, tal como acontece na música, em que uma mesma frase musical soará necessáriamente diferente se tocada num piano ou numa viola, não deixando no entanto de ser a mesma frase musical, também quanto aos processos e equipamentos fototográficos, podemos chegar às mesmas conclusões. (...)
(...)


Olá, boas

Nessa de música pareces estar para aí uma oitava acima...ou será ao lado?  
Fico na dúvida, mais pelo meu mau ouvido do que pelo teu conhecimento da escala ou da capacidade de leitura da pauta, pois estão fora de dúvida . Aliás, se bem que pareças alinhar por uma via atonal polifónica e um estilo de composição sincrética que não será fácil de compreender por qualquer um, tenho de tirar o chapéu ao virtuosismo demonstrado, que nos conduziu a esta espécie de andante cantabile em cujo libreto cada um pode escolher as estrofes que mais o satisfaçam.  :P

O início do tópico era simples e claro pelo que, indo de encontro ao exemplo musical, o que distinguiria o purista não seria nem a dúvida sobre a frase musical nem o instrumento utilizado para a tocar mas sim a possibilidade de alterar o respectivo som através de um equalizador, reverberação ou qualquer outro processo de modificação do som produzido e gravado sem quais quer efeito.

Assim, poderíamos ter um solo de violino acústico ou eléctrico ou a mesma frase musical saída das cordas de um violoncelo, com as suas diferenças intrínsecas, mas nunca poderíamos ter o violino a soar como uma viola ou o violoncelo a passar por aquele. E isto, aplicado à fotografia, também pode esclarecer porque razão um "purista" empedernido jamais poderia aceitar a transformação de B em A proposta pelo crocodilo no post #62.

(...)
Mas, excluindo dessa equação o fotógrafo e o equipamento, será que teremos ai a questão do purismo dos processos? Ou seja: cada processo permite explorar um tipo de "som" (leia-se imagem). Será isso o purismo? Mais uma vez, há o perigo dos paradoxos atrás referidos, mas penso que, reintroduzindo o fotógrafo na equação, de forma impura podemos estabelecer por aí um princípio, sendo o fotógrafo purista aquele que se dedica à exploração, não tanto de todas as possibilidades técnicas de determinado processo, mas da sua "sonoridade" geral e característica.
(...)


Como se pode constatar, todos estes desvios já nos trouxeram a um ponto em que se parece duvidar de que "purismo" estaremos a falar, mesmo que "reintroduzindo o fotógrafo na equação".

Por isso, não admira a última pergunta do crocodilo que, e no âmbito da questão original, estaria perfeitamente certa se em vez de "em detrimento de outros se dissesse "com exclusão de outros, ou que o autor do tópico faça o comentário, entre o pedido de esclarecimento e conclusão, com que lhe respondeu.

Talvez fosse bastante benéfico aceitar os contornos de um "purismo" definido à priori e responder a uma pergunta quase de "sim" ou "não" - existe ou não existe o "fotógrafo purista"?

Claro que a questão não é assim tão linear e poderá dar azo a discutir opiniões acerca das cambiantes entre o "fotógrafo purista" e o seu oposto, tal como até onde cada um aceita o ponto de afastamento a partir do qual também ele, que não se julga "purista", acha que começamos a questionar ainda existir "fotografia" ou já estar a entrar noutro "campo".

Parte já está sobre a mesa e nos argumentos esgrimidos por alguns, mas o continuar a considerar que isso se passa na confrontação entre o "puro" e o "impuro" talvez não seja a melhor maneira de debater a questão...que já pode ser outra, mas talvez até não seja problema continuar por aqui.

Boas  :photo: :photo:






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Picacuca

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Publicado 31 Janeiro 2013 - 15:48

[quote name="crocodilo" post="726333" date="1359549495"]
Poderemos então dizer que fotógrafo purista é o que se concentra no uso exclusivo de um determinado processo fotográfico em detrimento de outros?

(É melhor não, a pergunta original ficava respondida e esta saudável e enriquecedora discussão terminava.)

[/quote]

Para mim não será assim necessáriamente, mas mais que o hipotético purista, (se é que eles existem), será aquele que, servindo-se de um ou vários processos, explora as suas naturezas intrinsecas. Ou, como já comparei acima, explora as suas "sonoridades" características, de forma a obter desses processos imagens que, (mais uma vez respeitando as características do processo em que são produzidas), também possam enquadrar-se no género puramente fotográfico, ou seja, obtidas através de um único click e não posteriormente modificadas ao ponto de fugirem às características básicas e basilares, desse mesmo processo.

Como se vê, esta minha forma de ver a questão para se ser purista nada invalida que se façam fotos a P&b, mas nesse caso, talvez convenha que se usem filmes de P&b. E também se pode usar o processo digital, mas nesse caso, das duas uma: ou se fotografam assuntos que sejam por sua natureza em P&B (por exemplo fotografias P&B), ou para sermos "puristas", talvez devessemos investir num sensor monocromático caríssimo. Quam quer investir nisso? Eu não...  :D

Nessa de música pareces estar para aí uma oitava acima...ou será ao lado? 
Fico na dúvida, mais pelo meu mau ouvido do que pelo teu conhecimento da escala ou da capacidade de leitura da pauta, pois estão fora de dúvida .
[/quote]

Quanto ao teu ouvido não posso dizer nada, mas parece-me que os teus olhos não andam nos seus melhores dias, talvez estejas a precisar de óculos para ler, porque a minha comparação parece-me óbvia e clara. Ou para usar os mesmos termos, parece-me harmónica. :D

Até porque...

[quote]O início do tópico era simples e claro pelo que, indo de encontro ao exemplo musical, o que distinguiria o purista não seria nem a dúvida sobre a frase musical nem o instrumento utilizado para a tocar mas sim a possibilidade de alterar o respectivo som através de um equalizador, reverberação ou qualquer outro processo de modificação do som produzido e gravado sem quais quer efeito.[/quote]

... em nenhuma parte das minhas intervenções, deves ter lido algo em que eu dissesse o contrário do que aqui afirmas, como tentas demosntrar (sem sucesso), pretendendo-me contestar. O que eu queria dizer com as minhas comparações musicais, é que, devido às suas características técnicas, (com consequências para a forma como se obtêm e visionam as imagens), os diferentes processos fotográficos não dão necessáriamente os mesmos resultados finais. Em vez disso, têm cada um deles as suas características próprias, embora todos eles sejam igualmente processo fotográficos (tal como a frase musical é sempre a mesma, independentemente da forma diferente como soa nos vários instrumentos). E precisamente ao contrario do que pretendes que eu afirmei, o que eu disse foi que o purista será aquele que respeita (ou melhor: segue à risca) as características interinsecas do processo com que trabalhe, criando uma imagem que "soará" de acordo com esse processo e não como outro.

E quanto à pergunta inicial do tópico sobre se há ou não fotógrafos puristas: para começar, eu não sou um deles. :D E depois, penso que a pergunta inicialmente tinha a intenção de saber até onde se pode considerar que um fotógrafo é ou não purista, colocando-se num lado os que consideram que a imagem está finalizada com o click, e noutro lado, os que, ao contrário, lhe fazem todo o tipo de judiarias até a considerarem como sendo uma imagem fotográfica.

Claro que, se tomarmos somente estes dois extremos, poderemos considerar como purista, aquele fotógrafo que finaliza a sua imagem com o click, resta saber é se o seu purismos é por sabedoria ou ignorância, tal como bem lembrou o  H.Ives. Resta ainda saber a que assuntos, o tal purista faz o click. Por exemplo: se alguém fotografar um cartão cinzento neutro, de modo a que este objecto ocupe 100% do enquadramento do negativo e depois fazer uma prova com todos os controles de densidade e cor devidamente afinados e usar um suporte de papel com uma textura tal que o resultado final (a imagem) não seja distinguivel do original, estará a fazer uma fotografia de modo purista? Ou estará simplesmente a aferir as suas técnicas e os procedimentos para o processo que está a usar? Por outras palavras: uma fotografia rigorozamente feita a um assunto que não apresente imagem visível, é uma fotografia?  :humm:

Deixo a resposta em aberto, mas como se vê, para que nos possamos decidir sobre o que é ou não ser purista em fotografia, além da técnicas usadas, ou seja, da forma como se usam (manipulam) os equipamentos e processos, há também que entrar em linha de conta com aquilo que a imagem fotográfica representa ou não. E aí vêm todas aquelas questões da linguagem fotográfica, do que ela deve ou não representar, e da forma como deve ser contextualizada, tal como a forma como é descontextualizada. De tudo isso já tentei falar acima, não me vou repetir.   

Por outro lado, além desses dois extremos (fotógrafo "purista" no sentido que defino acima, ou fotógrafo "impurista" igualmente no sentido acima definido), há um número infinito de nuances (e não há contradição nenhuma neste infinito entre dois extremos, ele é semelhente ao infinito de números fraccionários que há entre o número 1 e o 2, por exemplo). Essas nuances tanto se podem manifestar nos métodos de trabalho, conduzindo (ou não) a "desvios" relativamente às características de cada processo e equipamento (igualmente no sentido já definido), como podem advir de nuances na interpretação dos assuntos que se pretendem fotografar, conduzindo essas diferentes interpretações a iguais desvios de contexto nas imagens finais, relativamente à realidade observada. E ainda, (o mais comum), é acontecer que todas essas formas de manipular imagens, aconteçam todas juntas numa só imagem.

Portanto, com tantas variáveis e nuances, reafirmo que não é fácil dar pureza ao termo "purista". E consequentemente, não se pode definir com suficiente grau de pureza, se um fotógrafo é puro ou impuro. Então, perante tal incerteza, para mim os fotógrafos serão todos impuros até prova em contrário. :D 


Picacuca



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Picacuca

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Publicado 05 Fevereiro 2013 - 01:14

Há pessoas que vêm uma foto no momento azul, e dizem que é photoshop (e logo, não presta)...

Defesa do purismo, é só para aqueles que não sabem mais...



Preto&Branco é tão puro como cores, e vice versa... a realidade também não se fica no espectro do vermelho ao violeta, também tem infra-vermelho (e mais curto) e ultra-violeta (e mais longo), comprimentos de onda que o filme a p&b, especialmente o mais antigo, apanha um pouco...



Talvez quisesses dizer "infra-vermelho (e mais longo)" assim como "ultra-violeta (e mais curto)? pelo menos é o que me parece... :D

Não me leves a mal a ironia, ela faz parte, e esse tipo de enganos são comuns, mas convém precisar. E sem ser esse pequeno engano, estou totalmente de acordo com o que pretendes dizer, embora tenha algumas reservas acerca da forma categórica com que avalias os defensores do purismo (mas concordo que há muito desses). Só para dar um exemplo, o Cartier-Bresson foi considerado um purista. E embora, a bem da verdade, ele mesmo reconhecesse que não era técnicamente brilhante (só porque não era a técnica o que lhe interessava na fotografia) não se pode dizer que não sabia de fotografia.  :sim:

É uma representação da realidade como outra qualquer, porque a luz tem intensidade, só que apenas é um meio mais limitado tecnicamente.


Igualmente de acordo quanto a esta questão do P&B representar uma realidade como outra qualquer. Só não o classificaria como "meio mais limitado", mas apenas diferente, ou capaz de representar uma realidade como se fosse uma espécie de espelho mais selectivo.


Picacuca



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Picacuca

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Publicado 06 Fevereiro 2013 - 00:02

Quanto ao HCB, acho que nos limitarmos a nós próprios, não é purismo, é fazer as coisas como nós gostamos. Para mim, um purista é aquele que vê mal nas técnicas dos outros, que são menos "puras", como uma "batota"...


Mais uma vez, não sei se o caso HCB será um bom exemplo de auto-limitação, mas sim, entendo o que dizes. Quanto aos "limitados" que ainda por cima acham que só eles é que estão certos e todos os outros errados, isso é um pouco como o soldado que vai no pelotão com o passo trocado e acha que todos os outros é que estão mal. Palas todos temos um pouco, que ninguém se pode gabar de ter uma visão universal, mas também há quem goste mesmo de só ver o que tem à frente do nariz e se contente com isso. Serão esses os puristas? Eu chamar-lhes-ia mais os limitados mesmo. :sim:

Eu disse "mais limitado" só porque podes passar de uma imagem a cores para uma a p&b, já o contrário, é difícil...


Ok, nesse aspecto, está bem. Mas olha que também podes fazer uma prova a cores, a partir de três negativos P&B, portanto, não é assim tão limitado, afinal de contas é só uma questão de gastar um pouco mais de filme. :D


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nbplopes

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Publicado 08 Fevereiro 2013 - 00:18

Esta conversa dos "purista" vs o "impuro" começa logo mal nos termos. Eu prefiro como fazem na música, os tais concertos unplugged vs os plugged. O que é engraçado é que os boas musicas soam bem em ambas as formas.

Esta história de que a minha música é melhor que a porque minha  foi totalmente composta ou tocada "unplugged" nao me convence. Ou mesmo, sim a tua esta melhor, mas a minha foi tocada unplugged logo é natural que não seja tão boa, .é a mesma coisa.

Até o Leiter chegou a pintar sobre os sue filmes por forma a alterar a tonalidade das cores.

Dito isto, a coisa deixa de ser fotografia e passa a ser outra forma de arte quando se introduzem objectos ou se retiram, alterando por completo a imagem, repito, objectos que não estavam no local ou cenário. Não é que ache mal fazer-se isso, até acho muito bem que se faça isso, mas passa a ser outra forma de expressão, que não a expressão por via da fotografia apenas, mas que usa a fotografia como ingrediente para as suas composições.


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nbplopes

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Publicado 08 Fevereiro 2013 - 10:40

Na música o "plugged" vs "unplugged" está entre tocar com uma cítara ou guitarra clássica sem qualquer suporte elétrico para além da mera amplificação por microfone. Por isso é que no unplugged os instrumentos usados são analógicos. Isto é, também existe uma fronteira entre o analógico e o digital.

Ninguém nesse contexto hoje fala em "puro" vs "impuro" dessa forma. Fala-se por exemplo de "Plágio" ou de "Covers", mas já vamos lá.

Não faz sentido algum dizer que a fotografia obtida com técnologias analógicas é mais pura do que a fotografia obtida por técnologias digitais porque ambas não deixam de ser tecnologias. Até porque quando o uso dos termos nesse contexto normalmente tem uma valorização implícita que é á partida impura (já vamos lá).

Do ponto de vista tecnológico não existe pureza ou impureza. É o mesmo que dizer que a luz de uma vela é mais pura do que a luz de uma lâmpada de halogênio. A luz é apenas diferente. Uma nunca terá o efeito da outra até porque o meio lhe dá qualidades/efeitos que outra nunca poderá dar, pese embora se possa aproximar. Pode-se no entanto gostar mais de uma de que de outra, mas isso é uma preferência pessoal. E isso das preferências pessoais não tem nada a haver com a pureza ou a qualidade.

O que faz sentido para mim, é dizer que existem objectivos "Puros" no sentido que não se pretende passar o resultado por aquilo que não é.  E abordagens "Puras" no sentido que o processo escolhido não entra em contradição com os objectivos (ou seja os meios não justificam os fins). Por exemplo, "vender" uma foto como se fosse um retrato espontâneo e no entanto o processo usou a encenação para o efeito, por muito espontâneo que seja o resultado, e por muito bom que seja o resultado final.

Penso que é este último ponto que o Picacuca pretendeu fazer.

Por exemplo, não se tentar passar o resultado como algo de maior qualidade ou mais isto ou aquilo, apenas porque a tecnologia escolhida foi o analógico, ou o processo X ou Y. Como na música, qualquer foto tirada por processo digitais teriam qualidade se fossem obtidas por processo analógicos, pese embora pudessem ter algumas diferenças como acontece na música (Ouvir Nirvana unplugged é tão bom como ouvir Nirvana Plugged, etc). Eu acredito que existe existe na fotografia, á semelhança com outros gêneros, uma qualidade intrínseca que transcende a tecnologia usada.

Ou por exemplo plagiar uma fotografia digital, tirando uma semelhante usando métodos analógicos, e vice versa, fazendo-se passar por algo totalmente diferente.

Nestes termos, para mim fazem muito mais sentido, a fotografia analógica pode ser tão impura com a digital.

Não é a "treta" do filtro usado em PP digital que determina isso. Mas sim a honestidade do fotógrafo em relação ao seu trabalho e ao trabalho dos outros.

Quanto á foto da cara do homem manipulada, é sem dúvida uma imagem. Não diria que é uma fotografia, mas uma composição de múltiplas fotografias. Uma foto-montagem. O trabalho é "Puro", pois ao autor foi honesto em relação ao propósito. Da mesma forma que as múltiplas exposições não são uma fotografia (uma fotografia, uma imagem) mas um composição de multíplas fotografias (várias fotografias, uma imagem), também uma foto-montagem. Agora ambas as coisas penso que podem estar no âmbito que é a Fotografia como meio de expressão humana pura, ou será que não?

Pessoalmente gosto, de uma fotografia, uma imagem. É isso que estou a fazer. Mas talvez mais tarde vá para várias fotografias uma imagem, não sei. Ou faça algo misto das duas.

É preciso perceber que uma imagem de um cachimbo não é um cachimbo, mesmo que seja obtida fotografando um cachimbo. É sempre a montagem de um cachimbo. Há quadros famosos exemplos disso. Existe sempre montagem na produção de uma imagem. Pode-se tentar que haja o mínimo de interferência entre o que é captado no click e a imagem final, mas argumentar que o uso do unsharp mask é "impuro" no sentido que não houve montagem é algo logo contraditório á nascença. Agora conforme o propósito devem se estabelecer padrões, e esses padrões devem ser respeitados. Os padrões servem para que o processo não entre em contradição com o propósito. Ou seaja que o processo seja "Puro" face ao propósito, mesmo que o propósito seja "Impuro" :)

Acho estranho que na fotografia não exista já uma dialética consensual nesta matéria.

Faço-me intender?

DISCLAIMER: Eu não sou ligado ás artes. Nunca fui. Trabalho em técnologias de informação. Apenas comecei a fotografar á menos de um ano. Isto para dizer que estas são apenas opiniões pessoais. Mas penso que o bom senso á algo que é ortogonal qualquer área de intervenção humana, tal como o mau-senso.


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Publicado 08 Fevereiro 2013 - 15:08


O que faz sentido para mim, é dizer que existem objectivos "Puros" no sentido que não se pretende passar o resultado por aquilo que não é.  E abordagens "Puras" no sentido que o processo escolhido não entra em contradição com os objectivos (ou seja os meios não justificam os fins). Por exemplo, "vender" uma foto como se fosse um retrato espontâneo e no entanto o processo usou a encenação para o efeito, por muito espontâneo que seja o resultado, e por muito bom que seja o resultado final.

Penso que é este último ponto que o Picacuca pretendeu fazer.


Precisamente, é mesmo nesse ponto que eu pretendo colocar a "fronteira" (se é que ela existe, ressalvo novamente) entre puro e impuro. A "pureza" ou "impureza", está muito mais na forma como os fins das imagens estão em consonância com a intenção (e honestidade) de quem as produz, que com os processos que usa. Nesse sentido, pretender fazer passar uma fotografia encenada por um instantâneo, é um processo impuro, tal como manipular uma foto de tal modo que não se perceba que foi manipulada, e depois fazê-la passar por imagem obtida por um único click.   


Acho estranho que na fotografia não exista já uma dialética consensual nesta matéria.


Tal como disse no meu primeiro post deste tópico, a fotografia é, por natureza, transversal a diversas formas de arte e ciências (ciência da comunicação incluída). E, tal como essas artes e ciências não são sempre concensuais entre si, talvez seja também essa "impureza", a verdadeira pureza da fotografia.
Isto também para dizer que, por mim, ainda bem que não se chegou ainda a um consenso definitivo sobre o papel (ou vários papeis) da fotografia, proque talvez isso a fizesse estagnar.


Picacuca



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RuyBerna

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Publicado 09 Fevereiro 2013 - 11:42

Na minha opinião,"fotógrafo purista", não tem nada a ver com técnicas, sejam convencionais ou digitais.

Fotografo purista,é aquele que exerce a profissão com honeidade, respeito e profissionalismo!


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Publicado 22 Julho 2013 - 21:13

João Rodrigues, não chegaria a tanto! São questão de gostos!

 

Eu por mim, tantos anos a fotografar em analógico, que só tenho mesmo, saudades dos cheiros! Das películas e dos líquidos de revelação!

 

A partir do momento em que se consegue fazer tudo o que se faz em analógico, em digital e muitas das vezes de forma mais fácil e mais barata e principalmente mais rápida, tudo resume-se a gosto, e em muitos casos a casmurrice!

 

Pseudopurismos é só para quem tem tempo/dinheiro, e não é o facto de o ser que melhora ou tem mais mérito pelo trabalho que faz! Só o  têm se tiver qualidade/n.º de fotos/ por motivo/ muito próximo do (1 foto/motivo) E como o Sebastião Salgado chega até a tirar mais de um rolo por motivo, e se pensarmos que ele é que manda imprimir mas o trabalho de laboratório nem é feito por ele, o dito mérito passa a ser repartido pela equipe de impressão, e não só por ele!

 

Ninguém na fotografia pode afirmar: Cada tiro cada melro! Portanto é impossível quantificar qualidade/género!