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Foto

Fotógrafo Purista - Existe?


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69 respostas a este tópico

Partilhar Post #41 RuyBerna

RuyBerna

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Publicado 27 Janeiro 2013 - 01:09

Fotógrafo "Purista"? Claro que existe!

Fotografo purista é aquele que fotografa "um copo de água com corante vermelho" e apresenta uma "imagem de vinho tinto....puro"!

Bebo à vossa saúde ....
Cumprimentos de um "impuro"  :D

RB


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Partilhar Post #42 R3volution

R3volution

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Publicado 27 Janeiro 2013 - 01:31

Não é à toa que em muitos concursos sejam desclassificadas fotos porque vão muito além do que uma simples PP. Acho que muita gente confunde arte digital com fotografia propriamente dita. Essa de que hoje em dia as máquinas já fazem um PP automático, em parte é verdade. Praticamente já não se pode fugir a isso. Agora há muitos indivíduos que são mais artistas do Photoshop do que propriamente fotógrafos.
Porque por ex tirar uma foto ao mar, em que o céu não está grande coisa, então vão a uma foto da semana passada em que até lá está um céu jeitoso, corta daqui e cola para ali e pumba, uma "foto" do caraças!


Partilhar Post #43 Ego Zarolho

Ego Zarolho

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Publicado 27 Janeiro 2013 - 09:36

Não é à toa que em muitos concursos sejam desclassificadas fotos porque vão muito além do que uma simples PP. Acho que muita gente confunde arte digital com fotografia propriamente dita.


Bem dito, concordo. Mas... onde se situa as fronteiras entre o ajuste necessário (revelação digital), ajuste criativo (mudar a cor de um céu, retirar um poste) e arte digital (montagens, manipulações, etc.)? É muito difícil, se não impossível, distinguir onde termina uma e começa outra. Mas, concordo que conforme progredimos na escala, nos vamos afastando da fotografia e entrando na... "arte digital"? Aqueles tipos que abrem o Photoshop com o canvas em branco e começam a desenhar e colar elementos até terminarem com uma maravilhosa imagem que "parece" uma fotografia de uma cena impossível, como se chama e classifica isso? Pelo facto de algures começar ou não com um disparo de obturador, ou uma imagem real e física? E como se distingue o tipo de fotografias abstractas tiradas com uma máquina, daquelas artes digitais também criadas do zero, mas que através de desenho, brushes e whatnot chegam a resultados tão ou mais fantásticos e abstractos?

Ou seja, a fotografia distingue-se por começar com uma captura, ou por terminar com uma imagem?

Fotógrafos puristas? Não. Há diferentes métodos, gostos e limitações de trabalho. Apenas isso.


Partilhar Post #44 Ego Zarolho

Ego Zarolho

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Publicado 27 Janeiro 2013 - 09:42

Dou um exemplo de fronteira:

http://www.flickr.co.../in/photostream

Está lá a explicação como esta imagem foi criada. Agora, aquilo ainda é uma fotografia?


Partilhar Post #45 R3volution

R3volution

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Publicado 27 Janeiro 2013 - 15:31

Interesting shot. Long exposure against a wall, while moving the eyeballs to blur them. Then doing a fake symmetry from half the face (copy, flip, paste). Makes me a bit weirder.


É isso que não concordo numa fotografia, ou seja, seria possível criá-la só com a máquina? Não! A realidade foi distorcida através do PP. Se o resultado foi bom? Sim, mas defino-a como um trabalho digital.
Concordo que aquilo que está aqui em causa é a tal fronteira que distingue quando uma coisa acaba e outra começa.




Partilhar Post #46 al-Farrob

al-Farrob

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Publicado 27 Janeiro 2013 - 22:15


Com que altura se deixa de ser alto para se passar a ser baixo e vice-versa?



Eu também não sei. No entanto.
Alguém tem dúvidas que o José Torres era um homem alto?
Alguém tem dúvidas que o Marques Mendes é um homem baixo?





Partilhar Post #47 R3volution

R3volution

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Publicado 27 Janeiro 2013 - 22:23

Imagem Colocada

qual a verdadeira realidade?  :lol:


Partilhar Post #48 dmarquizz

dmarquizz

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Publicado 27 Janeiro 2013 - 22:49

Fantástica síntese. Posso citá-la?


A frase não é lá grande churiço, mas podes.


Em relação à foto do flick, na minha opinião já passou a fase da fotografia.


Mas por exemplo, em fotos que vemos várias vezes aqui no fórum, de longas exposições no mar, por exemplo, em que há uma exposição para o céu e uma diferente para o 1º plano e depois se juntam, sendo que muitas vezes o resultado é irreal pois o céu está estático e as ondas completamente arrastadas. Como é isto considerado?


IT Partilhar Post #49 . H .

. H .

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Publicado 27 Janeiro 2013 - 23:38

Com que altura se deixa de ser alto para se passar a ser baixo e vice-versa?


:clap: amei esta citação.


Partilhar Post #50 agomes

agomes

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Publicado 28 Janeiro 2013 - 01:15

Olá, boas

Com que altura se deixa de ser alto para se passar a ser baixo e vice-versa?

(...)
Alguém tem dúvidas que o Marques Mendes é um homem baixo?


O compadre já equacionou ir perguntar a um pigmeu?  :humm: :humm:

Parece que nos estamos a afastar demasiado do assunto do tópico, por muito interessante que fosse discutir estes novos aspectos pois a questão era a da existência, ou não, do tal fotógrafo purista.

E, parece que o crocodilo tem uma certeza sobre isso mas a argumentação, ao apontar a relatividade a que limita o problema, acaba por justificar que o tal purista possa mesmo existir pois basta que os seus gostos e métodos se mantenham dentro dos limites da "pureza" que ele invoque como requisitos admissíveis para produzir fotografias.

Quanto à "fronteira", o al-Farrob coloca bem a questão ao trazer a relatividade da "altura" mas, de qualquer modo, o exemplo para que aponta o link do crocodilo talvez esteja muito para além dela e do que pode considerar uma fotografia, mesmo que admitamos o maior grau de liberdade para a edição electrónica do registro original.

Na verdade, a imagem não se limita à edição do original e, usando camadas, transformou uma das partes de modo a substituir a outra, criando a simetria de um rosto inexistente e que, por isso, nunca foi fotografado no sentido de ser captado pela máquina fotográfica e de quando R. Barthes afirmava que a fotografia afirmava "isto foi".

Entramos aqui no campo da "colagem" e o facto de, tal como nos casos de outras imagens em que o digital permite substituições de céus e outros elementos, talvez nos leve a ter de diferenciar entre o sentido tradicional de "Fotografia" enquanto resultado de uma exposição fotográfica e o da "imagem fotográfica", se quisermos incluir os compósitos de várias exposições ou as permutas como a verificada neste "retrato".

Já no caso da questão do R3volution o problema é bem mais simples:  a "verdadeira realidade" não existe em Fotografia pois, quanto muito, ela apenas nos pode dar uma "representação" da realidade e, mesmo assim, com todos os problemas do enquadramento temporal em que consideremos a realidade e/ou a sua relação com o momento em que foi efectuado o registro fotográfico.

Todavia, este tipo de preocupações poderão nada ter a ver com o "fotógrafo purista", e se ele as tiver situar-se-ão num plano que não tem necessariamente de interferir com os seus conceitos acerca dos limites admissíveis para a produção de fotografias, tal como um fotógrafo não purista pode admitir a maior das liberdades na alteração electrónica das imagens e, no entanto, continuar a reclamar a aderência das suas imagens à realidade.

Boas  :photo: :photo:

Nota: Não sendo sobre Fotografia, deixo aqui um link sobre uma emblemática e reconhecida obra de Arte que foi recusada como tal e cujo original desapareceu, ficando dels apenas um registo fotográfico, num tempo em que não havia edição digital. O curioso é que mais tarde o "autor" foi principescamente pago para vender uma "cópia" a um famoso museu, a qual, e para além da assinatura do Duchamp, poderia ser comprada numa qualquer loja de sanitários.

Claro que foi ele o autor da provocação inicial e era a ideia que estava a ser paga, mas o texto é bem curioso no seu relato de factos e associações insólitas e faz-nos pensar nas questões da realidade, em relação em a um objecto do qual, como verdadeira, só resta uma representação sob a forma de fotografia produzida por um autor que hoje talvez se pudesse reclamar de "purista".


Partilhar Post #51 El Cavera

El Cavera

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Publicado 28 Janeiro 2013 - 12:52

Uma fotografia deve começar e acabar na nossa cabeça, a camera fotográfica é apenas uma ferramenta que nos permite chegar a essa imagem.
Para mim uma foto de um céu interessante colada num primeiro plano, não deixa de ser fotografia, porque na realidade são duas fotografias, isto é, imagens captadas por intermédio de uma camera fotográfica, fundidas numa só.
Agora se se afasta do verdadeiro conceito da fotografia original? Sim, acho que sim, mas isso é como a musica, que antes era feita com instrumentos reais, e ao longo do tempo começaram a entrar os sintetizadores ao barulho... deixou de ser música, para passar a ser som digital, ou ainda é considerada música?
Com a evolução dos tempos as coisas tendem a mudar, penso eu de que hehe
Depois disto tudo pergunto uma coisa que me surjiu aqui de repente: Quem fotografa a preto e branco deverá ser considerado Purista ou Impurista, visto que a realidade tal como a maioria conhece é colorida, e como tal, ao removermos a cor, não estaremos a adulterar a realidade que fotografamos?  :D


Partilhar Post #52 Picacuca

Picacuca

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Publicado 28 Janeiro 2013 - 16:15

Bem dito, concordo. Mas... onde se situa as fronteiras entre o ajuste necessário (revelação digital), ajuste criativo (mudar a cor de um céu, retirar um poste) e arte digital (montagens, manipulações, etc.)?


Essa é a pergunta que vale ouro na fotografia. Para mim, e falando puramente nos aspectos formais e não de linguagem, a fronteira entre uma imagem que se possa enquadrar 100% no género fotográfico e outro qualquer tipo de imagem, mesmo que hibrido, estará entre o que o crocodilo aqui define como "ajuste necessário" e "ajuste criativo".
Mas lá está, essa fronteira não é uma linha recta nem tampouco absolutamente definida, pode-se considerar mais como difusa ou, para usar teminologia científica, será mais como uma núvem de probabilidades estatísticas. Já que, mesmo no denominado "ajuste necessário", há uma alteração de cor e contrtaste relativamente ao captado pela câmara. Que por sua vez, também já tinha efectuado alterações relativamente à imagem "real"... Que por sua vez, não é vista da mesma forma por todos. :D
Além disso, tal como todos sabemos, o simples acto de ajuste criativo dos mais elementares comandos da câmara (obturador e diafragma), além do aproveitamento das condições de luz, podeão levar a uma captação criativa da imagem, proporcionando um resultado que, sem qualquer edição posterior, afastará da realidade captada a sensação visual obtida pela pela visualização da imagem final obtida. E isso já para não (voltar a) falar da descontextualização, tema de que tanto gosto. :D  

Ou seja, a fotografia distingue-se por começar com uma captura, ou por terminar com uma imagem?


Um grande pensador da fotografia, produziu em tempos a seguinte frase: " (...) com a fotografia não nos é possivel continuar a pensar a imagem separada do acto que a faz ser (...)" (Philippe Dubois In: "O Acto Fotográfico").

Gosto muito de citar este senhor, aliás, para mim é uma verdadeira referência, quando se trate de estabelecer a metalinguagem fotográfica. Mas se este autor defende que a fotografia acaba no olhar de quem a frui, também defende que ela começa no acto de fazer click. E nesse aspecto, talvez não concorde assim tanto, já que acho que a fotografia começa no acto visual/mental/cultural, que nos leva precisamente a um determinado click e não a outro.  

Fotógrafos puristas? Não. Há diferentes métodos, gostos e limitações de trabalho. Apenas isso.


Portanto, e continuando a citar o mesmo interveniente embora alguns outros tenham produzido observação igualmente interessantes, reafirmo o meu total acordo com a frase acima citada, acrescentando apenas que, fotógrafos puristas serão talvez aqueles que seguem de modo puro, os seus "métodos, gostos e limitações de trabalho".
Ou seja, na prática estarei a dizer que, puristas serão todos aqueles que forem honestos consigo mesmos, independentemente do que fizerem. E se isso parece ser contraditório com a frase do crocodilo que aqui cito dizendo que concordo com ela, essa contradição será apenas uma ilusão de óptica, provocada pelo usio criativo da linguagem. :D

PS: não respondi a intervenientes que me pediram para citar frases minhas, por isso as minhas desculpas, mas se não o fiz foi apenas por esquecimento. De modo que, como quem cala consente, por mim estão todos à vontade. Não sou escritor nem alguém que pretenda viver do que diz, portanto, as frases deixam de ser minhas assim que as partilho.

Picacuca


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diogon

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Publicado 28 Janeiro 2013 - 16:51

Depois disto tudo pergunto uma coisa que me surjiu aqui de repente: Quem fotografa a preto e branco deverá ser considerado Purista ou Impurista, visto que a realidade tal como a maioria conhece é colorida, e como tal, ao removermos a cor, não estaremos a adulterar a realidade que fotografamos?  :D


Além disso, tal como todos sabemos, o simples acto de ajuste criativo dos mais elementares comandos da câmara (obturador e diafragma), além do aproveitamento das condições de luz, podeão levar a uma captação criativa da imagem, proporcionando um resultado que, sem qualquer edição posterior, afastará da realidade captada a sensação visual obtida pela pela visualização da imagem final obtida. E isso já para não (voltar a) falar da descontextualização, tema de que tanto gosto. :D 

Picacuca


Pegando nestas duas citações deixo aqui mais uma do Filipe (Philippe Dubois) :D  :

"O século XIX tinha uma concepção da fotografia que chamo de
discurso da mimese, um conceito daquela época. As imagens
eram vistas como uma reprodução do mundo como ele é. Era
uma noção icônica. É certo que o século XIX foi marcado por
essa visão de semelhança, mas ela não desapareceu, é ainda
uma crença contemporânea, um ponto de vista hoje muito
frequente. Com esforço, alguns teóricos do início do século XX
demonstraram que a imagem fotográfica não era um espelho
neutro, mas um instrumento de interpretação do real. Alguns
exemplos dessa transposição foram percebidos: o preto-e-branco
contrastando com a realidade em cores, a imagem fixa e o mundo
constantemente mudando, a imagem bidimensional advinda da
realidade tridimensional, o puramente visual excluindo qualquer
outra sensação auditiva, olfativa, tátil ou gustativa. Portanto a
fotografia não é como o mundo, ela transforma o mundo"(DUBOIS,
2003).


Partilhar Post #54 agomes

agomes

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Publicado 28 Janeiro 2013 - 21:31

Olá, boas

O pessoal insiste em se afastar do assunto central deste tópico, confundindo o "purismo" dos processos com os conceitos sobre Arte e ideias do hipotético "fotógrafo purista" coisas que não têm, necessariamente, de se conjugar para enformar o pensamento do mesmo.

Uma fotografia deve começar e acabar na nossa cabeça, a camera fotográfica é apenas uma ferramenta que nos permite chegar a essa imagem.
Para mim uma foto de um céu interessante colada num primeiro plano, não deixa de ser fotografia, porque na realidade são duas fotografias, isto é, imagens captadas por intermédio de uma camera fotográfica, fundidas numa só.
(...)


Vejamos esta citação: o primeiro parágrafo poderia muito bem ser o lema do "nosso" fotógrafo purista pois permite-lhe "chegar a essa imagem" sem qualquer dos artifícios do parágrafo seguinte, que ele abomina e considera não terem já nada a ver com a Fotografia.

(,,,)
Agora se se afasta do verdadeiro conceito da fotografia original? Sim, acho que sim, mas isso é como a musica, que antes era feita com instrumentos reais, e ao longo do tempo começaram a entrar os sintetizadores ao barulho... deixou de ser música, para passar a ser som digital, ou ainda é considerada música?
Com a evolução dos tempos as coisas tendem a mudar, penso eu de que hehe
(...)


Com esta parte do post a "coisa" complica-se na medida em que, enquanto no segundo parágrafo tínhamos um conceito de fotografia diametralmente oposto ao do fotógrafo purista mas se admitia que, na realidade, até se tinham duas fotografias que, no entanto, permitiam dizer tratar-se ainda de fotografia. Agora passou-se para um nível em que, a coberto da "mudança" se aparenta admitir caminhar para um ponto em que isso é/será a Fotografia actual, herdeira evolutiva da "fotografia original".

Receio bem que isto acabe por mostrar um espírito "conservador" sob uma capa "modernista", na medida em que, apesar de todas as mudanças e do ponto de chegada já se ter afastado muito do de partida, se continua a não querer abdicar da definição "original", como se pode depreender do exemplo da música.

No mundo do som, sempre houve distinção entre música e outros tipos de sons, muito antes do aparecimento do digital e, por muito que este tenha alterado a situação há dois aspectos que não mudaram: a escala de notas musicais e a necessidade da deslocação de uma massa de ar para percebermos o som, pois ainda nos não é possível ouvir sem sair do campo digital e há uma grande diferença entre a geração, gravação e armazenamento digital do som/música e a sua percepção sem que o nosso ouvido médio funcione normalmente.

(...)
Depois disto tudo pergunto uma coisa que me surjiu aqui de repente: Quem fotografa a preto e branco deverá ser considerado Purista ou Impurista, visto que a realidade tal como a maioria conhece é colorida, e como tal, ao removermos a cor, não estaremos a adulterar a realidade que fotografamos?  :D


Eu diria mesmo mais, depois disto tudo, quem fotografa a preto e branco tanto pode ser "Purista ou "Impurista tudo dependendo dos processos que empregar, na medida em que, tanto com filme como com digital, há suportes (filme) e meios (sensores) que o permitem fazer sem ferir nenhum dos requisitos exigidos pelo "Purista" e sem que o "Impurista" fique limitado na concretização dos seus desejos de manipular os processos.

Além disso, e para terminar, eu não seria tão seguro e radical ao considerar que a "realidade" seja "colorida" e que fotografar a preto e branco implique "remover a cor", já que basta não a registar.

E, depois, o que é a cor?

Os objectos têm mesmo cor ou apenas reflectem a luz de uma forma que permite que o nosso cérebro os "interprete" assim?

Quando um daltónico olha para um objecto vermelho e só cinzento está a "remover" a cor?

Os sensores digitais a preto e branco (PhaseOne e Leica) removem a cor ou apenas registam os sinais da luminância em tons de cinzento?

Um objecto vermelho numa noite escura e "visto" por uma máquina com um sensor de IR perde a cor? Será por isso que os aparelhos militares de visão nocturna só mostram cinzentos ou esverdeados?

Isto da "realidade", se começarmos a especular, talvez tenha muito que se lhe diga e poderá mesmo contrariar o "purismo" de alguns "fotógrafos impuristas" sobre ela.

Ao fim e ao cabo no mundo da Fotografia talvez haja lugar para todos, "puristas" e "impuristas", e já que não se conseguem entender ao menos que admitam a existência uns dos outros.  :sim: :sim:

Boas  :photo: :photo:




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Publicado 28 Janeiro 2013 - 23:19

A questao tambem se pode por de outra forma. Será que existem fotógrafos "impuristas"?
Ou seja, quem tem conhecimentos tão bons de edição de imagem, a ponto de conseguir disfarçar, em PP, os seus erros no ato do click...será que as competencias desta pessoa são mesmo as de um fotografo?...ou será que se encaixa mais numa area que pode ser a de editor de imagem, ou ilustrador, ou designer grafico, etc?
Nesta linha de pensamento, podia entao afirmar que os unicos fotógrafos que existem, são os  "puristas". Pois todos os outros apoiam a sua base de conhecimentos, noutras areas. Assim como os fotógrafos, não sao editores de imagem "impuristas", ou designers "impuristas".


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Publicado 29 Janeiro 2013 - 07:43

Se um fotógrafo tira uma foto bem composta de forma A de uma paisagem, e o tipo mesmo ao lado tira composta de forma B, mas depois vai ao Photoshop e acaba por alterar para uma composição A até sair o resultado igual ao do primeiro tipo, isso faz dele um mau fotógrafo? Ou um fotógrafo que tentou mais coisas, usou outras ferramentas, mas no fim acabou por fazer a mesma leitura e decisão estética? O facto é que chegam ambos ao fim com imagens semelhantes, e o que conta na fotografia é a imagem final, não como se chega lá.

O processo fotográfico não vale nada por si, é apenas fonte de orgulho e prazer para o fotógrafo.

Muitas pessoas encaram a PP como, acima de tudo, uma maneira de corrigir erros. Eu vejo-a primariamente como uma ferramenta para ampliar as escolhas e em muitos casos simplificar o processo fotográfico até a imagem desejada ser acessível. É mais fácil apagar um camião do canto de uma foto do de que encontrar o condutor e pedir-lhe para sair, ou alterar uma composição fabulosa para uma menos boa, só para esconder aquele elemento indesejado. Escolhas.


Partilhar Post #57 Picacuca

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Publicado 29 Janeiro 2013 - 12:57

Olá, boas

O pessoal insiste em se afastar do assunto central deste tópico, confundindo o "purismo" dos processos com os conceitos sobre Arte e ideias do hipotético "fotógrafo purista" coisas que não têm, necessariamente, de se conjugar para enformar o pensamento do mesmo.


Essa é a forma clássica de classificar o conceito de "purista" na fotografia, ou seja, purista será aquele que segue à risca os procedimentos e características intrinsecas, dos processos fotográficos que usa. Mas falta aí definir o que serão, afinal, essas características intrinsecas desses mesmos processos fotográficos... E já se vê que, esse caminho também terá inúmeros cruzamentos e entroncamentos, isso já para não falar dos paradoxos. :D
Por exemplo, no caso do processo digital, poderiamos chegar à conclusão que o fotógrafo purista será aquele que trabalha com todo o género de montagens fotográficas e edições criativas, de modo a alterar totalmente a imagem  relativamente ao captado na câmara. Pois se o processo digital, não só permite como facilita essas acções... :D Mas, como os processos ditos analógicos também permitem um certo (e bem elevado) grau de montagens fotográficas, então também poderiamos argumentar que os "mestres" russos do regime Stalinista, eram os mais puros dos fotógrafos. E aí, onde fica a fotografia? Ou por outras palavras: em que a fotografia se demarcaria das restantes formas de representação? É que, mesmo admitindo que a fotografia é uma forma de interpretação do real, mais uma vez bem nos avisa o Philippe Dubois, que "não nos é possivel continuar a pensar a imagem separada do acto que a faz ser". Ou seja (segundo o mesmo autor), do momento do click. E daí o paradoxo, porque, ao penetrarmos somente pelo purismo dos processos, poderemos enveredar por uma concepção de fotógrafo "purista", que de fotografo já pouco ou nada terá.  

Portanto, se nem a definição de "purista" poderá ser purista, como poderá ser este debate? :D


Picacuca


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agomes

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Publicado 29 Janeiro 2013 - 23:10

(...)
Portanto, se nem a definição de "purista" poderá ser purista, como poderá ser este debate? :D
(...)


Olá, boas

Não consegues mesmo resistir à tentação de utilizar o "ferrãozito", não é?!  :P  :D

Antes de te entregar a "taça" ( :winner: ) digamos que, não obstante, deverá existir ainda uma considerável diferença entre "purismo dos processos" e "purismo nos processos", e nessa diferença pode residir o nexo da tese que defendes no post de origem da citação da qual, se me permites, me inclino a discordar.

Porquê? Bem, antes de tudo porque a definição de "purista" de que penso estar aqui a tratar era uma premissa colocada pelo autor do tópico, logo na sua abertura. E, se não bastasse isso, mesmo uma leitura apressada dos meus posts anteriores afastariam a hipótese de também "apadrinhar" esta tua teoria.

De qualquer modo, o "purismo dos processos" deixa na mão do "fotógrafo purista" o dizer quais são os processos "puros" e os "espúrios" enquanto que o "purismo nos processos", esse sim, implicaria a atitude que aqui aduziste em relação aos "processos fotográficos que usa".

Por isso, pela surpreendente conclusão a que os teus argumentos levaram e embora creio que definiste muitíssimo bem o que seria um fotógrafo "puramente impuro", logo nas antípodas do fotógrafo "purista", aqui tens o prometido    :winner:  ...ou será que nos deveríamos limitar, mais uma vez, a constatar quão traiçoeira é a língua portuguesa?  :D :D

Mas também referiste os casos de manipulação dos tempos de Estaline, que fez "desaparecer" das fotos "oficiais" alguns personagem que já tinha "sumido" da cena política, se bem que não creio que ele alguma vez tenha registado a patente ou processado alguém por também ter utilizado os mesmos "algoritmos", que os houve.

Mas, pode-mo-nos ficar por coisas de melhor aceitação por nomes sonantes da Fotografia como, por exemplo, Ansel Adams (veja-se o caso de Moonrise, Hernandez, Novo Mexico, 1941) ou Sebastião Salgado com os seus Gorilas da Montanha (Ruanda) a mostrar bem até que ponto a execução das estratégias de impressão podem influir no aspecto final das imagens e a importância da escolha do impressor.

Mas. do lado dos "puristas" poderíamos invocar a fotografia com "máquinas" pine hole e exposição directa sobre papel, que nem envolve o uso de negativo.

Ou, o exemplo de alguns profissionais que exercem a sua actividade à vista do cliente como se pode  ver aqui.

Mas, o pessoal já só pensa na fotografia digital e, por isso, não admira que o pessoal se concentre neste.


(...)
O processo fotográfico não vale nada por si, é apenas fonte de orgulho e prazer para o fotógrafo.
(...)


Não me parece que se possa reduzir o "processo fotográfico" apenas ao que dizes, tal como me parece que não faça grande sentido a continuação das disputas sobre a edição electrónica da imagem, tal como se andou a arrastar durante anos a luta "analógico versus digital", qualquer que seja o lado da "barreira" em cada um se posicione.

Mas, a discussão não é pacífica nem simples, tal como é perigoso tentar generalizar o uso das mesmas ferramentas a todo o tipo de fotografia, independentemente das reais razões que poderão estar por detrás de alguns casos em que fotógrafos foram despedidos por ter "apenas" aumentado o contraste e saturação de uma parte de uma imagem, como o fotojornalista da Reuters com a imagem de Beirute, ou casos em que foram retirados prémios por apagar ou escurecer pequenas partes duma foto, como neste caso,a mostrar que às vezes mais valia pedir ao motorista para tirar o camião.  :sim: :sim:

Mas, voltando ao foco deste tópico e se existirá algo como o "fotógrafo purista" nos dias da fotografia digital e, na verdade, os tempos actuais até podem obrigar alguns profissionais a ser "puristas" por exigências da "ética" do mercado, como no caso do fotojornalismo, ou por pressão do imediatismo exigido pela concorrência, como no caso do desporto em que os fotógrafos enviam as imagens por wi-fi, sem terem tempo para as ver devidamente e sem controlo sobre a forma como elas serão apresentadas (aqui o "purismo" residirá mais no editor do mídia).

Boas  :photo: :photo:


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Picacuca

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Publicado 30 Janeiro 2013 - 12:28

Por isso, pela surpreendente conclusão a que os teus argumentos levaram e embora creio que definiste muitíssimo bem o que seria um fotógrafo "puramente impuro", logo nas antípodas do fotógrafo "purista", aqui tens o prometido    :winner:  ...ou será que nos deveríamos limitar, mais uma vez, a constatar quão traiçoeira é a língua portuguesa?  :D :D


Do meu ponto de vista, não se trata aqui de nenhuma competição (até porque não aprecio grandemente competições), mas de um debate de ideias. Como tal, por mim escolho a segunda hipótese que aqui apresentas, descontruindo-a também, para dizer que a língua traiçoeira é muito Portuguesa. :lol:

O processo fotográfico não vale nada por si, é apenas fonte de orgulho e prazer para o fotógrafo.


Não me tinha apercebido desta frase do crocodilo, mas ainda vou a tempo de comentar. E é assim: concordo com a primeira parte da frase, ou seja, de facto, os processos por si só de nada valem, tal como um livro numa prateleira de pouco mais serve que para ganhar pó, ou o memo se passa com uma câmara fotográfica no estojo (que pode não ganhar pó, mas possivelmente ganhará fungos).
Os processos fotográficos (assim como qualquer outra tecnologia ou ferramenta inventada pelo homem), só têm valor para este, se usados para expressar/realizar a obra que pretende e para a qual foram criados. Isso parece-me óbvio.
No entanto, parece-me um pouco (muito) redutora a segunda parte da mesma frase do crocodilo, já que, a utilidade do processo para o utilizador, não se resume à simples função de proporcionar-lhe prazer e torná-lo orgulhoso no seu feito. Ou pelo menos, não devia ser assim, embora alguns (e nem tão poucos) fotógrafos, se limitem ao orgulho e prazer proporcionado pela exploração virtuosa das técnicas que praticam, esquecendo totalmente 8ou quase), a "música" que de facto estão a compor.

Sim, eu disse música, e não foi por acaso, já que, comparando a fotografia à música, gosto de estabelecer paralelismos entre os processos e equipamentos fotográficos, e instrumentos musicais. isto para dizer que, tal como acontece na música, em que uma mesma frase musical soará necessáriamente diferente se tocada num piano ou numa viola, não deixando no entanto de ser a mesma frase musical, também quanto aos processos e equipamentos fototográficos, podemos chegar às mesmas conclusões. Um retrato é um retrato, seja ele produzido por processo digitais, químicos, ou outros. Quer seja fotografado com uma teleobjectiva ou uma GA. Mas a "sonoridade" que se obterá desse retrato, será diferente consoante o processo, equipamento, e fotógrafo que se use. :D

Mas, excluindo dessa equação o fotógrafo e o equipamento, será que teremos ai a questão do purismo dos processos? Ou seja: cada processo permite explorar um tipo de "som" (leia-se imagem). Será isso o purismo? Mais uma vez, há o perigo dos paradoxos atrás referidos, mas penso que, reintroduzindo o fotógrafo na equação, de forma impura podemos estabelecer por aí um princípio, sendo o fotógrafo purista aquele que se dedica à exploração, não tanto de todas as possibilidades técnicas de determinado processo, mas da sua "sonoridade" geral e característica.


Picacuca


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Ego Zarolho

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Publicado 30 Janeiro 2013 - 12:38

Poderemos então dizer que fotógrafo purista é o que se concentra no uso exclusivo de um determinado processo fotográfico em detrimento de outros?

(É melhor não, a pergunta original ficava respondida e esta saudável e enriquecedora discussão terminava.)