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Foto

O que faz uma fotografia ser boa


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97 respostas a este tópico

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O que achas mais importante numa fotografia?

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Partilhar Post #41 diogon

diogon

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Publicado 20 Novembro 2012 - 16:40

Ou seja, uma MUITO pequena minoria determina então o que deve ser "consensual"...


São os que têm as ferramentas...

Mas não diria determinar, e também é melhor não dizer "guiar" :) mas podemo-nos ficar pelo "triar". :)




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Partilhar Post #42 Ego Zarolho

Ego Zarolho

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Publicado 20 Novembro 2012 - 16:58

Por este andar daqui a pouco vamos estar no debate entre "arte erudita", acessível e apreciável apenas pelos estudiosos, educados e iluminados, e "arte popular", destinada e consumida às/pelas massas. Qual o papel da arte, qual a sua função e posição na sociedade?

Acho essa discussão um poço sem fundo.

Têm sido ditas por aqui coisas muitos boas, umas mais sensatas, outras mais elevadas. A distinção de opiniões e culturas é enriquecedora. Este deve ser dos melhores threads que por aqui temos tido. Ou, em vez de "melhores", deveria dizer "mais interessantes"?

:D


Partilhar Post #43 Samwise

Samwise

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Publicado 20 Novembro 2012 - 17:34

São os que têm as ferramentas...

Mas não diria determinar, e também é melhor não dizer "guiar" :) mas podemo-nos ficar pelo "triar". :)


Hmm... sei onde queres chegar mas não estou convencido.  :P Os verbos escolhidos para identificar a acção, por mais que atenuem, não mudam o fundamento da ideia.

Quem tem as ferramentas são os artistas/criadores (esses que entram frequentemente em discórdia acesa com os historiadores de arte, críticos de arte, curadores, etc, quando o objecto em avaliação é da sua autoria - ver Mickey Spillane... :lol:).

Os outros todos têm "capacidade de interpretação". Diferentes capacidades de interpretação. O que não é necessariamente igual a diferentes níveis de razão avaliadora - ou melhor: é necessariamente diferente.

É importante ouvir os "especialistas"? Para uns é fundamental, para outros é um gosto, para outros ainda é um desgosto (porque os consideram pedantes). Mas o que sobra no final é a mesmíssima coisa: uma avaliação em função do "eu". Ou, pelo menos, era o que devia sobrar. Por mais que goste de ler o que escrevem os críticos/especialistas, etc. (e é de facto uma coisa que me dá uma enorme satisfação), não tenho como pensar que são eles que devem contribuir mais do que os outros para a formação de um nota de "qualidade social geral" (que para mim não existe - ou, a existir, eu não acredito nela - a minha "religião" é outra).

Qual o papel da arte, qual a sua função e posição na sociedade?

Acho essa discussão um poço sem fundo.


Não sei porquê, mas acredito que o al-farrob estava ciente de que as coisas pudessem tomar este rumo logo quando abriu o tópico.  Mas está tudo umbilicalmente relacionado, penso.  :)



Partilhar Post #44 APAF

APAF

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Publicado 20 Novembro 2012 - 18:05

Como alguém escreveu talvez seja dos tópicos mais interessantes que têm aparecido e até agora o debate tem sido interessante com opiniões diversas. Parabéns ao al-farrob

Eu não tomo aqui o caminho da consensualidade. Podemos todos ser consensuais no menor denominador comum. Talvez a arte mais acessível seja a menos erudita e com isto não estamos a falar de qualquer qualificação qualitativa. Mas podemos cair nela, e facilmente. É fácil fazer arte para agradar a maiorias, a consensos, sem pensar na qualidade. Já se fez isso na música, na pintura, porque não na fotografia? Basta ver a confusão entre uma estética mais comercial e mais autoral. Basta ver muitos fotógrafos a fazerem imagens com uma estética de bilhete postal, ótimas para um trabalho comercial e não compreenderem porque é que aquilo não entra numa galeria. Ou também o inverso. Alguns artistas que não acertam num trabalho fotográfico em que é preciso maior domínio técnico. E com isto não desminto as novas tendências que hoje estão a surgir além fronteiras, onde uma fotografia de publicidade pode estar numa galeria e vice-versa.

Por outro lado tocou-se aqui na questão dos críticos de arte e este é um ponto importante, até porque muitas vezes se fabrica uma falsa qualidade com as opiniões que se escrevem. Primeiro porque é difícil ser isento, e é um esforço que é necessário manter em todas as situações, não pactuando com cedências. Depois porque quando se analisa uma obra e se escreve logo a seguir, a verdade é que se emite uma opinião que, dias depois, pode ser retificada. Também por isto defendo a separação do gosto pessoal do tentar vislumbrar a qualidade, numa tentativa de neutralidade. Que não é fácil.


IT Partilhar Post #45 al-Farrob

al-Farrob

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Publicado 20 Novembro 2012 - 18:19

Como alguém escreveu talvez seja dos tópicos mais interessantes que têm aparecido e até agora o debate tem sido interessante com opiniões diversas. Parabéns ao al-farrob
(...)


Agradeço. Mas o meu papel foi apenas de despoletar a polémica, como faço muitas vezes. Algumas com mais sucesso outras menos. Mas tento sempre, por achar que a Fotografia tem a ganhar com o debate de ideias, e não sou homem de desistir :) .

Quanto ao nível do debate, deve-se a quem o eleva. Também tento contribuir, mas apenas com a minha humilde parte.

Bem hajam!

(...)
Não sei porquê, mas acredito que o al-farrob estava ciente de que as coisas pudessem tomar este rumo logo quando abriu o tópico.  Mas está tudo umbilicalmente relacionado, penso.  :)



Não me comprometas :)


Partilhar Post #46 diogon

diogon

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Publicado 20 Novembro 2012 - 19:56

Sim os artistas/criadores também têm ou podem ter essas ferramentas, pois também têm algumas competências necessárias. Falando de competências para analisar de forma rigorosa, não necessitando de ser as "máximas" também, parece-me, não se devem ficar pelas mínimas ou até pela ausência delas.

No que respeita a uma "capacidade de interpretação", ela é importante para um dado momento, ainda que a "qualidade" também se apoia numa dada consistência sequencial, mas depois é com a chamada "prova do tempo" que essa qualidade alcança outros patamares, porque já houve uma transversalidade de críticos, já foi objecto cuidado de estudo de historiadores e curadores, etc... E o bom exemplo é o caso dos mestres de pintura falados, em que essa qualidade foi devidamente caucionada ao longo dos tempos. Por eles, mas também por nós. :D

Descendo outra vez à "consensualidade" a palavra foi devidamente pesada, além da ideia de concordância ou uniformidade de opiniões, e o Al-Farrob já aflorou este ponto, pressupõe também um compromisso entre as partes envolvidas. O que se traduz que dentro desse universo específico, existiu e existirá sempre opiniões diferentes e divergentes, embora sempre num quadro de existência das necessárias competências.




Partilhar Post #47 Samwise

Samwise

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Publicado 20 Novembro 2012 - 20:29

Sem dúvida que é um assunto que aborda uma infinidade de variáveis difíceis de relacionar de forma coesa. É o emotivo contra o racional, é o individual contra o colectivo, é o ponto de vista do criador contra o ponto de vista do apreciador, é instantâneo contra o duradouro, é o especialista contra o ignorante, é o gosto contra a qualidade (ou a favor dela  :D), etc, etc, etc.

Para além da discussão, isto dá muito que pensar - sobretudo no sentido de perceber como é que nós próprios interpretamos aquilo que vemos.  :wacko:

Diogon, a propósito do "consensual", eu olho para o termo de duas maneiras que podem significar quase o oposto. Exemplificando, pode-se chegar a um consenso entre partes que não se entendem (com os tais sacrifícios mútuos), ou pode haver um consenso imediato porque as partes concordam em tudo sem terem de abdicar um milímetro da sua posição. O pior é quando se consente por "hábito social", porque já há um estatuto que vem de longe contra o qual pouco ou nada podemos (e que pode ser uma mistura das duas hipóteses anteriores).

Quando tu falaste em "qualidade consensualmente atribuída", eu interpretei de forma semelhante à de um dogma: é assim porque o teste do tempo e uma série de gente importante  determinou ao longo desse tempo que tinha de ser assim. Ou seja, é consensual porque não passa pela cabeça de ninguém questionar que determinado objecto artístico tem qualidade (sob pena de se passar por idiota) e não se faz sequer um esforço para perceber se essa sentença encontra uma ressonância de verdade em nós  - se gostamos mesmo dela, e se lhe atribuímos valor para além de, ou de acordo com, aquilo que se diz. O que é facto é que a nossa educação está toda orientada para que gostemos dos "clássicos" sem fazermos perguntas, e se torcemos o nariz por alguma razão, a reposta invariável é "quando cresceres vais ver as coisas de outra forma".  :P

---

Al-farrob, conseguiste tirar as tuas dúvidas, ou ainda ficaste com mais?   :cheers:

Para ti, o que é que faz uma "boa fotografia"?




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diogon

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Publicado 20 Novembro 2012 - 20:44

Samwise eu entendo o que queres dizer e partilho essa "inquietude" do questionar.

E também acredito, que um bom ponto de partida para qualquer nova análise/reanálise seja desde logo questionar o que já foi analisado. Depois se vê a o que é que essa análise conduz...

A vantagem do teste do tempo, é que como o espaço de tempo é alargado, comporta uma considerável quantidade e diversidade de análises, feitas em contextos históricos, económico, sociais, artísticos, igualmente diversos.



IT Partilhar Post #49 al-Farrob

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Publicado 20 Novembro 2012 - 21:40

(...)
Al-farrob, conseguiste tirar as tuas dúvidas, ou ainda ficaste com mais?   :cheers:

Para ti, o que é que faz uma "boa fotografia"?




Eu faço parte dos que têm cada vez mais dúvidas :)


Samwise eu entendo o que queres dizer e partilho essa "inquietude" do questionar.

E também acredito, que um bom ponto de partida para qualquer nova análise/reanálise seja desde logo questionar o que já foi analisado. Depois se vê a o que é que essa análise conduz...

A vantagem do teste do tempo, é que como o espaço de tempo é alargado, comporta uma considerável quantidade e diversidade de análises, feitas em contextos históricos, económico, sociais, artísticos, igualmente diversos.



Ah, o teste do tempo, com tudo o que isso acarreta.  :th_up:


Partilhar Post #50 johnny_wakka

johnny_wakka

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Publicado 21 Novembro 2012 - 11:03

Para mim:
Motivo
Nitidez
Gama dinâmica



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Publicado 21 Novembro 2012 - 13:03

Para mim:
Motivo
Nitidez
Gama dinâmica


depois de tudo o que aqui foi dito não consegues alargar os horizontes a mais nada?


Partilhar Post #52 Samwise

Samwise

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Publicado 21 Novembro 2012 - 13:55

A vantagem do teste do tempo, é que como o espaço de tempo é alargado, comporta uma considerável quantidade e diversidade de análises, feitas em contextos históricos, económico, sociais, artísticos, igualmente diversos.


Uma obra/foto para ser boa necessita de um público que o reconheça, ou pode ser boa mesmo sem ser mostrada a ninguém? Ou ainda, pode ser boa apesar de mal recebida pelo público? Importa mais o impulso criador ou o reconhecimento desse impulso por terceiros? O momento, ou a eternidade?

--

Não estou a perguntar só por perguntar - há uma razão que liga as perguntas à citação...







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diogon

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Publicado 21 Novembro 2012 - 14:20

Uma obra/foto para ser boa necessita de um público que o reconheça, ou pode ser boa mesmo sem ser mostrada a ninguém? Ou ainda, pode ser boa apesar de mal recebida pelo público? Importa mais o impulso criador ou o reconhecimento desse impulso por terceiros? O momento, ou a eternidade?

--

Não estou a perguntar só por perguntar - há uma razão que liga as perguntas à citação...







Queres conversa. :lol:

Podem ser todas as opções. E conjugadas. Sem ordem de importância.
A única diferença é que nunca o poderemos saber... :)



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johnny_wakka

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Publicado 21 Novembro 2012 - 17:02

depois de tudo o que aqui foi dito não consegues alargar os horizontes a mais nada?


Bem. Reina em ti a simpatia e boa educação.

1. Eu não tive tempo de ler "tudo o que aqui foi dito"
2. Apenas indiquei a minha escolha.
3. É óbvio que é redutor indicar apenas 3 aspetos. Não é uma questão de horizontes!
4. Eu ia passar a explicar a minha escolha mas, tendo em conta o génio fotográfico que tu és e representas, torna-se desnecessário.


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APAF

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Publicado 21 Novembro 2012 - 20:48

Bem. Reina em ti a simpatia e boa educação.

1. Eu não tive tempo de ler "tudo o que aqui foi dito"
2. Apenas indiquei a minha escolha.
3. É óbvio que é redutor indicar apenas 3 aspetos. Não é uma questão de horizontes!
4. Eu ia passar a explicar a minha escolha mas, tendo em conta o génio fotográfico que tu és e representas, torna-se desnecessário.


Não comento.


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johnny_wakka

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Publicado 22 Novembro 2012 - 11:16

Sabe, acho que neste fórum, onde aprendi muito e gostaria de continuar a aprender, sempre fui correto e colaborei também sempre que pude para tentar ajudar quem precisava de ajuda.
Acho que quando não temos a humildade necessária para lidar com os outros perdemos o sentido da nossa aprendizagem.
Infelizmente tive algum tempo afastado. Agora que voltei a ter algum tempo vim aqui, saltou-me à vista esta interessante reflexão que o al-Farrob gerou (como de resto ele sempre nos habituou). Mas qual não é o meu espanto quando sou confrontado com um comentário, a meu ver nitidamente desnecessário. Como é óbvio eu tenho e iria dizer muito mais que 3 linhas. Apenas optei por deixar primeiro a minha votação. Penso que não é caso para entrar logo nesses propósitos. Participava com alguma regularidade nos tópicos do al-Farrob e tenho-o como uma pessoa extremamente correta como tive a oportunidade de constatar inclusivamente e, portanto, para terminar queria pedir-lhe desculpa por me estar a desviar do tema.


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Samwise

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Publicado 22 Novembro 2012 - 13:21

Queres conversa. :lol:


Se ela está tão boa, para quê interromper?  :happy:

Podem ser todas as opções. E conjugadas. Sem ordem de importância.
A única diferença é que nunca o poderemos saber... :)


Desmancha prazeres!  :D


Vou manter o meu registo de pragmatismo e sugerir que sem público não pode haver boa ou má arte, uma vez que o "bom", o "mau" e outros quaisquer qualificativos são implicações directas de uma apreciação. Espero também não estar a interpretar mal o post do al-farrob sobre os "consensos" ao entender que uma obra de arte estaciona-se num espaço intelectual imaginário entre o criador e o apreciador, e que o resultado dessa troca de experiências é o que dá uma medida de valor a esse objecto.

Agora se é arte ou não é arte quando não é publicada? Não sei - é a tal coisa: se ninguém a vê, tanto faz que seja ou não seja, uma vez que não se geram consequências.

Estou naturalmente a excluir a auto-avaliação feita pelo criador, que é o primeiro e mais "competente" interpretador daquilo que produziu (é mesmo o único que pode entender o que significa na exactidão a arte que criou), mas por outro lado entendo que o seu papel no circuito como que termina (às vezes com grande alívio :D) no momento em que a obra está concluída. Partindo também do pressuposto que tal obra não foi realizada com nenhuma intenção funcional específica (ou então não é arte).





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al-Farrob

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Publicado 22 Novembro 2012 - 14:40

Se ela está tão boa, para quê interromper?  :happy:

Desmancha prazeres!  :D


Vou manter o meu registo de pragmatismo e sugerir que sem público não pode haver boa ou má arte, uma vez que o "bom", o "mau" e outros quaisquer qualificativos são implicações directas de uma apreciação. Espero também não estar a interpretar mal o post do al-farrob sobre os "consensos" ao entender que uma obra de arte estaciona-se num espaço intelectual imaginário entre o criador e o apreciador, e que o resultado dessa troca de experiências é o que dá uma medida de valor a esse objecto.



Bem, o que eu quis dizer sobre os consensos é que é necessário ter alguma referência para efeitos de avaliação. Não sendo possível ter a objectividade como referência por esta ser humanamente inantingível, é preciso recorrer a isso que se pode chamar consenso, mas que convém aclarar do que estamos a falar. O diogon, quanto a mim já forneceu matéria para nos situar. O tempo. Os valores decantados ao longo de gerações e gerações, de correntes diversas, de épocas marcadas por diversas  correlações sociais, e por aí fora. Aquilo que sobreviveu a tudo isso pode-se considerar bom. Como referência fiável.

Se a obra pode existir e ser boa independente de tudo isso. Pode. Até pode ser boa sem ser conhecida por ninguém. Pode existir objectivamente. A diferença é que não sabemos que está lá, logo não nos é possível pronunciarmos sobre ela.

Também se pode dar o caso de a obra não poder ser comparada com a referência, pode estar situada fora dos parâmetros de comparação. Pode ser inovadora. O tempo, com tudo o que isso acarreta, terá que vir a resolver a contradição entre a existência da obra e a dificuldade de a avaliar. Esse tempo pode ser longo, mas também pode ser curto. O tempo histórico não é linear, como todos sabemos. Tantas vezes as grandes tranformações se fazem bruscamente.


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Samwise

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Publicado 22 Novembro 2012 - 15:12

Sim, de acordo. Esqueci-me de fazer a ponte entre o que pretendi dizer e o "teste do tempo": o "teste do tempo" pressupõe que as obras foram apreciadas e interpretadas por terceiros - indica que a arte, sem a parte do "Eye of the Beholder", não é nada.




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Publicado 22 Novembro 2012 - 15:36

Sim, de acordo. Esqueci-me de fazer a ponte entre o que pretendi dizer e o "teste do tempo": o "teste do tempo" pressupõe que as obras foram apreciadas e interpretadas por terceiros - indica que a arte, sem a parte do "Eye of the Beholder", não é nada.





Se a obra pode existir e ser boa independente de tudo isso. Pode. Até pode ser boa sem ser conhecida por ninguém. Pode existir objectivamente. A diferença é que não sabemos que está lá, logo não nos é possível pronunciarmos sobre ela.


Tens que ler com mais atenção :)