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Pode uma má fotografia ser uma boa fotografia, e premiada?


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140 respostas a este tópico

Partilhar Post #41 agomes

agomes

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Publicado 06 Agosto 2011 - 22:44

Olá, boas

Curiosos assuntos que foram chamados a esta discussão.

No que respeita à imagem do Peleja, começa pela interessante nota de que o concurso não permitia edição das imagens...e levantam-se-me, desde logo, dúvidas se isso impedia a utilização de ficheiros RAW ou obrigava a que as máquinas estivesse com as regulações de parametrização nos valores de "default". Coisas estranhas para as bandas do Campo Branco.

Quanto à imagem premiada, na realidade a distinção só se poderá justificar por via de uma sensibilidade local que levasse o júri a tribuir determinado significado a uma tabuleta de anúncio de venda de uma propriedade arruinada, do género do que foi, aliás, adiantado.

No que respeita às imagens do Picacuca, bem executadas, volta-se a colocar o mesmo problema pois, na primeira há os restos da ligação de um prédio demolido, que me aventuraria a situar num parque de estacionamento em Torres Vedras, e o segundo mostra um espaço vazio mas que, por outro lado, tanto poderia ser o de uma loja fechada por motivos da crise como ainda por inaugurar.

Depois desta tirada de verdadeiro advogado do diabo, resta-me adiantar que o faço apenas para referir a questão da(s) leitura(s) das imagens fotográficas; da realidade "objectiva" e da sensibilidade "subjectiva", tal como das definições de "coisas", "objectos" e "símbolos" avançada por John Deely, em 1944, e que são importantes para a análise daquelas objectividade e subjectividade.  Mas, isto levar-nos-ia longe e por caminhos que não quero trilhar, para evitar voltar a ser acusado de estar a mandar patacoadas ininteligíveis.  :D

Por outro lado, a atitude dos organizadores do concurso vem na linha de alguns eventos contra a edição das imagens, enquanto tentativa de aparentemente procurar restaurar a "credibilidade absoluta" na imagem fotográfica, como se o digital fosse a árvore do Mal em relação a essa credibilidade e se pudéssemos voltar aos tempos em que o Sr. Talbot fotografava os seus "Objectos da China" e advogava que essas imagens fariam prova irrefutável em tribunal.

Dito isto, terminava dizendo que não foi minha intenção fazer qualquer juízo negativo em relação às imagens referidas e de que as hipóteses de interpretação avançadas são, no quadro das possíveis, perfeitamente legítimas.

Boas  :photo: :photo:


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Partilhar Post #42 meiros

meiros

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Publicado 07 Agosto 2011 - 11:43

Gosto da imagem tal como está. A vela reforça a mensagem, dá-lhe mais significado expiritual. Na realidade sem muito trabalho de Photoshop até se tirava a vela, mas não fazia sentido.




Partilhar Post #43 Peleja

Peleja

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Publicado 07 Agosto 2011 - 14:13

No concurso era proibido utilizar ficheiros RAW tudo o que se pretendia era uma foto fixada  no local, sem trabalho posterior de edição. Eu pessoalmente não sou contra a utilização de Photoshop mas sou contra os excessos que na maior parte dos casos existe, a foto é o registo fiel a captação de um momento o congelar de uma imagem, real. Não vejo pois qual o interesse de alterar todo este sentido, ao chegar a certos locais que conheço por fotografia e não conseguir reconhece-los dado a fantasia que estava escondida por detrás do photoshop, cores nada naturais, postes que se arrancam (apagam) elementos que sujam a fotografia, como se diz, e se retiram, etc.... Tudo bem então eu chamaria a isso fotografia artística pois tem a mão do autor foi trabalhada, alterada. A outra simplesmente com recurso aos funcionamentos normais de uma câmara, velocidade, abertura, iso essa para mim é a mais pura, que não encerra truques, apenas o engenho de cada um e da máquina, sem ser necessário recorrer a edição electrónica para se tornar num bom registo.


Partilhar Post #44 diogon

diogon

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Publicado 07 Agosto 2011 - 14:51

apenas o engenho de cada um e da máquina, sem ser necessário recorrer a edição electrónica para se tornar num bom registo.


Apenas mais uma derivação ao "espírito" inicial do tópico, para dizer o que já tanto foi dito: mas é só para relembrar e situar: :)
- Manipulações sempre houve, quase contemporâneas ao aparecimento da fotografia.
- Registo fiel ou "autêntico" ou ainda pior "verdadeiro", em termos absolutos, não existe em fotografia.

Sabendo nós isto, e pegando no excerto acima citado, já estamos a falar de, salvo intenção expressa e assumida, de "remendos" tendentes a mascarar algo que à partida não ficou bom ou então a "adornar" algo a gosto...

Como estamos em tempo de férias, hedonisticamente, podemos falar do 1.ª caso (o dos remendos) de um prato em que a matéria-prima não é boa, mas que se tenta disfarçar recorrendo a têmperos, especiarias, de forma a torná-lo mais apetitoso, o esforço  pode ser mal sucedido, mais ou menos bem sucedido, mas nunca totalmente sucedido.

No que respeita ao "adornar a gosto", é mais complicado, porque estamos a falar disso mesmo: gostos, mas mantendo-me pela gastronomia, há quem goste de um vinho saboroso, fácil, guloso, com muito fogo de artifício no imediato, e há quem prefira um vinho não tão óbvio, mais subtil, mais complexo com diferentes nuances ao longo da prova. Claro que também depende da ocasião e da finalidade, mas neste caso falo só do valor absoluto e intrínseco.

Para dar um pouco de música ambiente à coisa, há quem se fique por um qualquer hit pop do momento e há quem fique, com segurança e confortavelmente, com, por exemplo, Keith Jarrett...

Para dizer que cabe a cada um situar-se onde quiser, ou decidir o caminho que quer seguir...  


Partilhar Post #45 Picacuca

Picacuca

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Publicado 07 Agosto 2011 - 16:23

(...)
No que respeita à imagem do Peleja, começa pela interessante nota de que o concurso não permitia edição das imagens...e levantam-se-me, desde logo, dúvidas se isso impedia a utilização de ficheiros RAW ou obrigava a que as máquinas estivesse com as regulações de parametrização nos valores de "default". Coisas estranhas para as bandas do Campo Branco.

Quanto à imagem premiada, na realidade a distinção só se poderá justificar por via de uma sensibilidade local que levasse o júri a tribuir determinado significado a uma tabuleta de anúncio de venda de uma propriedade arruinada, do género do que foi, aliás, adiantado.

No que respeita às imagens do Picacuca, bem executadas, volta-se a colocar o mesmo problema pois, na primeira há os restos da ligação de um prédio demolido, que me aventuraria a situar num parque de estacionamento em Torres Vedras, e o segundo mostra um espaço vazio mas que, por outro lado, tanto poderia ser o de uma loja fechada por motivos da crise como ainda por inaugurar.

Depois desta tirada de verdadeiro advogado do diabo, resta-me adiantar que o faço apenas para referir a questão da(s) leitura(s) das imagens fotográficas; da realidade "objectiva" e da sensibilidade "subjectiva", tal como das definições de "coisas", "objectos" e "símbolos" avançada por John Deely, em 1944, e que são importantes para a análise daquelas objectividade e subjectividade.  Mas, isto levar-nos-ia longe e por caminhos que não quero trilhar, para evitar voltar a ser acusado de estar a mandar patacoadas ininteligíveis.  :D


Esta tua tirada "à la advogado", fez-me lembrar uma coisa que escrevi há pouco tempo, para incluir num projecto fotográfico em que ando a trabalhar.
Reproduzo então a dita passagem: "As imagens são memórias fora de um corpo, mas vivem na mente de cada um de nós. Fora dela, não passam de mais um qualquer borrão numa qualquer superfície. Cada imagem é, na verdade, um par de imagens. Uma que vemos, outra que  imaginamos. E tal como num par estereográfico, também essas imagens não coincidem de forma integral. Em vez disso, ora interagem ora se opõem, sempre numa continuidade geradora de terceiras imagens. São pois essas terceiras imagens (as que guardamos dessas interacções) que definem o que somos."

Reparaste? De novo as imagens imaginárias... Que são as que vivem na nossa mente, e as únicas que, verdadeiramente, existem. Quanto às outras, as manchas de claro/escuro (ou cor) marcadas nas superfícies, essas não passariam de borrões, se não tivessem uma mente que as interprete. Ou seja: seriam um conjunto de vários pigmentos, de sais de prata, de impulsos eléctricos, do que for, dispostos de uma determinada forma numa qualquer superfície. Mas não imagens. :D

Quanto ao parque de estacionamento, acertaste, embora não seja aquele que talvez conheças, e que apresenta algumas semelhanças com esse da imagem. De facto, na "realidade", trata-se de um parque de estacionamento. Mas é só isso que vemos na imagem? Não. Do mesmo modo, não vemos apenas uma tabuleta a dizer: "vende-se", numa qualquer propriedade, algures no Alentejo.
Em vez disso, extrapolamos e generalizamos a situação. Vemos uma outra imagem, que de facto, não está lá registada. Mas como a outra também não está, fica tudo bem...  :D

Por outro lado, a atitude dos organizadores do concurso vem na linha de alguns eventos contra a edição das imagens, enquanto tentativa de aparentemente procurar restaurar a "credibilidade absoluta" na imagem fotográfica, como se o digital fosse a árvore do Mal em relação a essa credibilidade e se pudéssemos voltar aos tempos em que o Sr. Talbot fotografava os seus "Objectos da China" e advogava que essas imagens fariam prova irrefutável em tribunal.


Daí eu concordar contigo relativamente a esta questão que levantas, embora também te agradeça o "jejum" relativo a referências confusas e que poucos conhecem. :D

Mas esta questão da leitura de imagens é mais de outro tópico, e embora se possam estabelecer ligações com este, prefiro descer de novo um pouco à terra e a este tópico. :D E começo por também me pôr na pele de "advogado", tentando perceber a imposição da não edição.
Se bem entendi, o dito concurso tratava-se de uma maratona fotográfica. Ora, o que se pretende premiar nesses concursos, é a maior ou menor habilidade no acto de registar a imagem e não a de a trabalhar à posteriori .
Poder-se-ia argumentar que é indiferente uma imagem ser manipulada no acto do seu registo (presets da câmara, enquadramentos, profundidade de campo, etc.) ou posteriormente (photoshop, tesoura, etc.). :D E de acordo, conceptualmente não há qualquer diferença, ambas as formas de trabalhar são manipulatórias. É só, talvez, uma questão de ir um ou mais passos adiante nessa manipulação.
Mas os métodos e os timmings requeridos a uma e outra forma de manipular imagens, são totalmente diferentes. Não tem nada a ver quando tens um ou mais dias para mexer a teu belo prazer numa imagem, ou quando tens apenas alguns minutos disponíveis para isso. Além disso, a ferramenta com que mexes, também é totalmente diferente, com as consequentes diferentes possibilidades.

Portanto, no contexto de um concurso, e para que as imagens possam ser todas avaliadas o mais possível em pé de igualdade, há que escolher e catalogá-las em géneros ou categorias. Essa catalogação passa, por exemplo, por premiar apenas imagens de carácter jornalístico (Como o caso da imagem que abriu este tópico). Ou de paisagem, ou de arquitectura, ou do que for. Também se pode admitir apenas imagens que sofreram edição digital que implique montagens, ou, no outro extremo, se elimina qualquer hipótese de posterior edição, obrigando a que os fotógrafos se limitem à primeira das suas inúmeras possibilidades de manipular as imagens.

Portanto, no fundo, uma decisão dessa natureza, pode não passar de uma questão prática e de método lógico, sem qualquer contradição com formas mais "realistas" de interpretar a imagem fotográfica. Ou seja, também neste caso, talvez a realidade não passe de um "parque de estacionamento" ou de uma simples "placa informativa". ;)


Picacuca
 




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agomes

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Publicado 07 Agosto 2011 - 21:49

Olá, boas

Quando fiz a pergunta, devo confessar não ter reparado tratar-se de uma iniciativa com as características que teve, e isso muda bastante as coisas.

No entanto, no meu post comecei por fazer a pergunta mais com curiosidade em saber se eram admitidos ficheiros RAW, que obrigariam a aceitar o respectivo processamento e não porque achasse inaceitável esse requisito, mesmo tendo em conta que há muita diferença entre um tratamento de ajustamento e outro de alterações...e, os ajustamentos introduzidos através dos comandos/menus acabam por ser equivalentes ao primeiro destes casos.

Mas, claro, regulamentos são regulamentos e, desde que todos sejam tratados por igual e conhecedores das regras, ou se aceitam ou não.

(...)
Quanto ao parque de estacionamento, acertaste, embora não seja aquele que talvez conheças, e que apresenta algumas semelhanças com esse da imagem. De facto, na "realidade", trata-se de um parque de estacionamento. Mas é só isso que vemos na imagem? Não. Do mesmo modo, não vemos apenas uma tabuleta a dizer: "vende-se", numa qualquer propriedade, algures no Alentejo.
Em vez disso, extrapolamos e generalizamos a situação. Vemos uma outra imagem, que de facto, não está lá registada. Mas como a outra também não está, fica tudo bem...  :D

(...)

Mas esta questão da leitura de imagens é mais de outro tópico, e embora se possam estabelecer ligações com este, prefiro descer de novo um pouco à terra e a este tópico.
(...)


Ora bem, o paleio sobre a leitura, tal como o ter incluído as tuas imagens, ia precisamente nesse sentido e daí ter aludido à realidade "objectiva" e à sensibilidade "subjectiva", bem como a ter equacionado a possibilidade da razão deste 2º prémio  se dever, eventualmente, a uma "sensibilidade" do júri que valorasse a imagem acima do que o próprio autor faz. Sim, porque uma coisa é o que se refere ao autor e o que é entendido/lido pelo observador...incluindo quando este está investido das funções de jurado.

Mas, podes estar descansado que não vou continuar a "divagar"  e também estou pousado em terra.  :D :D

Boas  :photo: :photo:


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Picacuca

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Publicado 07 Agosto 2011 - 22:18

(...)
Mas, podes estar descansado que não vou continuar a "divagar"  e também estou pousado em terra.  :D


Pois é melhor é. Porque se não, já sabes como é: chuva dji réclamação! :lol: :lol:


Picacuca


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RuyBerna

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Publicado 08 Agosto 2011 - 22:20

Na essência mais pura, nua e crua, do registo fotografico não existe boa ou má fotografia!Existe simplesmente fotografia!

O rótulo bom e mau...tem a ver com conceitos, perconceitos, imposições, jogos de interesses, especulações, estereotipos e algumas, (discutiveis), "leis"!

Um fotógrafo sabe isto e (para sobreviver), tem a capacidade de interpretar e manipular a essência da fotografia para criar imagens que tendem a seguir essa imposição de rótulos, criando o seu próprio rótulo!

Cump
RB








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Peleja

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Publicado 09 Agosto 2011 - 08:46

Na essência mais pura, nua e crua, do registo fotografico não existe boa ou má fotografia!Existe simplesmente fotografia!

O rótulo bom e mau...tem a ver com conceitos, perconceitos, imposições, jogos de interesses, especulações, estereotipos e algumas, (discutiveis), "leis"!

Um fotógrafo sabe isto e (para sobreviver), tem a capacidade de interpretar e manipular a essência da fotografia para criar imagens que tendem a seguir essa imposição de rótulos, criando o seu próprio rótulo!

Cump
RB






Completamente de acordo


Partilhar Post #50 Picacuca

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Publicado 09 Agosto 2011 - 20:42

Na essência mais pura, nua e crua, do registo fotografico não existe boa ou má fotografia!Existe simplesmente fotografia!


Talvez exceptuando aquelas que o próprio fotografo rejeita? Ou aquelas que, de tão confusas que são, não nos mostram absolutamente imagem nenhuma capaz de ser lida? Mesmo que de forma abstracta, uma vez que as formas que nos mostram, não possuem a harmonia necessária? Ou ainda tantas outras excepções?

Enfim, estou só a contrariar, eu entendi perfeitamente o sentido da tua frase, (com a qual, aliás, concordo) assim como entendo a dificuldade que há em definir do que é, ou não é, uma boa fotografia. E mais ainda, a enorme dificuldade que é criar um conceito que ultrapasse (e ao mesmo tempo englobe) esses (pre)conceitos.

O rótulo bom e mau...tem a ver com conceitos, perconceitos, imposições, jogos de interesses, especulações, estereotipos e algumas, (discutiveis), "leis"!


E também concordo com esta continuação, embora também lhe acrescente a palavra "gostos", seja lá o que isso quer dizer. :D

Um fotógrafo sabe isto e (para sobreviver), tem a capacidade de interpretar e manipular a essência da fotografia para criar imagens que tendem a seguir essa imposição de rótulos, criando o seu próprio rótulo!


Um fotógrafo é como qualquer outra pessoa que pretenda comunicar. Se usa um código de linguagem que ninguém entenda, não comunica. Tem que usar um código (ou uma gramática) inteligível, e só dentro desse código é que pode escolher as "palavras" que quiser.
Além disso, um fotógrafo não é um extra-terrestre, é alguém que vive cá como todos nós, e, consciente ou inconscientemente, recebe as mesmas influências estéticas que qualquer outra pessoa. E também como qualquer outra pessoa, filtra as que lhe interessam e deita fora as que não lhe interessam.

Portanto, aqui não acho que seja um simples caso de sobrevivência, mas, mais que isso, é um caso de estrutura interna do ser humano. Ou seja, tem que ver com a "massa" com que fomos feitos. :sim:

Picacuca
 











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Geist

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Publicado 10 Agosto 2011 - 10:35

Nao irei ler o topico todo...vou me limitar a comentar a foto.

Eu gosto e como estudante de historia posso afirmar que esta foto pode ter potencia para um futuro arquivo sobre a vida de Saramago e a sua Mulher que olha para ele de uma forma como se ainda estivesse entre nós.

Por vezes olhar para uma fotogfrafia tb é ler entre as "linhas".
Como diz aquele ditado. Uma imagem vale mais que mil palavras e aqui está bem representado!


My Opinion

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al-Farrob

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Publicado 10 Agosto 2011 - 10:56

Nao irei ler o topico todo...vou me limitar a comentar a foto.

Eu gosto e como estudante de historia posso afirmar que esta foto pode ter potencia para um futuro arquivo sobre a vida de Saramago e a sua Mulher que olha para ele de uma forma como se ainda estivesse entre nós.

Por vezes olhar para uma fotogfrafia tb é ler entre as "linhas".
Como diz aquele ditado. Uma imagem vale mais que mil palavras e aqui está bem representado!


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"Um fotógrafo deve possuir e conservar as faculdades receptivas de uma criança que olha o mundo pela primeira vez" (Bill Brandt)

Quando nos esquecemos disto e enveredamos por dar primazia a definição, partes queimadas, fundos desfocados, etc, etc como se a técnica existisse (apenas) para si própria, corremos o risco de perder o norte. O Norte, o Oriente, etc :)


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Antonio Alves

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Publicado 19 Agosto 2011 - 14:46

Uma má fotografia pode ser uma boa fotografia.Um exemplo disso mesmo é a foto que ganhou, creio à 3 anos, o World Press Photo. É uma foto desfocada e até tremida, mas pelo facto de retratar o momento exacto da explosão que matou Benhazir Butto tornou-a uma foto histórica em que o aspecto técnico da foto pouco importa.
Penso que o olhar da Pilar torna esta foto única e na minha opinião bem merecedora de ser premiada.
Deixo uma pergunta no ar: será que se o fotógrafo se deslocasse de forma a enquadrar a vela de outra maneira teria apanhado aquele olhar? É o "decisive moment" do Cartier-Bresson
aqui aplicado em pleno.
Será que uma das mais famosas fotos de sempre - "O beijo" de Robert Doisneau - é criticável pelo facto de na composição aparecerem personagens cortadas ao meio? As regras fizeram-se para serem quebradas.O importante é saber quecrá-las.



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Publicado 19 Agosto 2011 - 15:17


Será que uma das mais famosas fotos de sempre - "O beijo" de Robert Doisneau - é criticável pelo facto de na composição aparecerem personagens cortadas ao meio? As regras fizeram-se para serem quebradas.O importante é saber quecrá-las.


O beijo do Doisenau é encenado.
Não estou a dizer que seja uma má imagem, simplesmente não deve ser colocada no género instantâneo e comparada com outras que o são.


Picacuca


Partilhar Post #55 CRF

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Publicado 27 Agosto 2011 - 12:12

Já aqui muito foi dito sobre a respectiva foto. Avaliando de forma nua e crua, há coisa boas e coisas menos bem conseguidas na foto. Claro que também não sabemos os condicionalismos que o fotografo teve para conseguir a foto :humm:. Na impossibilidade de "mover-se ou mover a vela" resover assumir mais uma assunto no enquadramneto. De uma forma geral encontro mais prós que contras sobre a foto. E diga-se em abono da verdade: o olhar de Pilar está "magicamente" bem conseguido. Por vezes devemos concentrar-nos nas coisas positivas e não relevar os "pequenos grãos de areia" que um trabalho pode apresentar. Não está flawless, mas é uma excelente foto - principalmente pelo olhar da Pilar...O momento é tudo e se calhar este foi o melhor momento.


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GT_racing

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Publicado 29 Agosto 2011 - 09:42

O passos coelho tecnicamente também não vale nada e é primeiro ministro...

Há que saber subir, na fotografia é igual!


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Publicado 29 Agosto 2011 - 10:24

O passos coelho tecnicamente também não vale nada e é primeiro ministro...

Há que saber subir, na fotografia é igual!


Não compares esta foto com o passos coelho, por favor  :ph34r:
É que há coisas que nunca se devem misturar  ;)


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joelmf

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Publicado 29 Agosto 2011 - 11:02

Eu gosto tal como está, é uma imagem muito forte.


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Publicado 29 Agosto 2011 - 13:32

Não compares esta foto com o passos coelho, por favor  :ph34r:
É que há coisas que nunca se devem misturar  ;)


Até porque, simpatias políticas e pretensas competências (ou falta delas) à parte, o que é que uma coisa tem que ver com a outra? :humm:

Deixem a política para os fóruns de política. Ou então, para as manifestações de rua.


Picacuca




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Publicado 30 Agosto 2011 - 15:10

(...)
Deixem a política para os fóruns de política. Ou então, para as manifestações de rua.


Picacuca



Essa é uma atitude eminentemente política :)